Tempo de leitura: aproximadamente 7 minutos
Gandhi
Gandhi (Ben Kingsley)

Você certamente estudou ou já ouviu falar em Gandhi. Se para alguns esse advogado indiano foi apenas um ativista na independência da Índia, para outros Mahatma Gandhi nada mais é do que um exemplo de humanidade.

Seu nome de batismo era Mohandas Karamchand Gandhi, ganhando mais tarde o título de Mahatma (Grande Alma) graças à sua liderança política e espiritual. Sua formação, porém, foi a de advogado, e, atuando através das leis, percebeu o quanto o domínio britânico era nocivo à Índia. Assim, se converteu em um defensor da liberdade e causou uma verdadeira revolução não violenta na Índia.

Sua atuação política começou na década de 1930, mas a libertação da Índia ocorreu apenas após a Segunda Guerra Mundial, em 1947. Em grande parte, esse fato histórico aconteceu devido à fragilidade da Inglaterra após o conflito mundial, no qual estava destruída não somente fisicamente, mas também do ponto de vista financeiro. Com a metrópole em frangalhos, Gandhi pôde atuar de forma objetiva para a libertação do seu povo.

Filme “Gandhi” e a história do maior líder da Índia

Hoje, porém, vamos conhecer um pouco mais desse líder mundial a partir de uma cinebiografia. Considerando seus aspectos técnicos, o filme “Gandhi” é um longa-metragem de Richard Attenborough lançado em 1982, ganhador de vários prêmios, inclusive do Oscar de melhor filme e de melhor ator para Ben Kingsley.

O filme conta a história de Mohandas Karamchand Gandhi (2 de outubro de 1869 – 30 de janeiro de 1948), um advogado indiano, nacionalista, especialista em ética política. Gandhi nasceu e foi criado em uma família hindu no litoral de Guzerate no oeste da Índia. Formado em direito na Universidade Inner Temple em Londres, Mahatma (nome que em sânscrito significa “ de grande alma”, “venerável”), inspirou movimentos pelos direitos civis e libertários em todo o mundo. 

Além de um ótimo filme, indicamos “Gandhi” por ser uma excelente oportunidade de conhecer um pouco mais sobre esse grande homem. Geralmente o conhecemos apenas por suas frases marcantes e cheias de simbolismos filosóficos, além do seu comportamento gentil e sua grande inteligência, mas ele também foi responsável por unir hindus e mulçumanos de seu país.

Como já falamos, ele foi o líder de um movimento de resistência e libertação contra o imperialismo britânico e conseguiu a vitória para a sua causa adotando a prática da não violência. A filosofia da não violência, chamada de “Satyagraha” foi fundamental nesse processo. Quando pensamos em uma revolução ou mesmo na independência de um país, é quase automático pensar em guerras, conflitos e muito derramamento de sangue.

Gandhi, porém, era um pacifista e jamais seria responsável pelo desperdício de vidas humanas. Assim, seu método era o da desobediência civil, voltada para a quebra das normas de maneira pacífica. Ocupando as ruas, bloqueando passagens e sem empunhar uma arma, a multidão silenciosa dos seus seguidores foi capaz de impactar toda sociedade indiana e mostrar como a unidade é forte, mesmo sem ser violenta.

Gandhi e a paz

Cena do Filme Gandhi

Observando sua vida por esta ótica podemos afirmar que Mahatma Gandhi nos deixou um grande legado, do qual nós herdamos grandes ensinamentos. Quando falamos “nós”, nos referimos a toda a humanidade e não apenas aos indianos, pois seus ensinamentos ultrapassaram a barreira do tempo. Entre tantas lições, talvez a principal seja justamente sobre a mansidão e a serenidade, duas qualidades fundamentais para quem almeja alcançar uma maior vida espiritual. Estes, por sua vez, não são sinônimos de passividade ou inércia, mas formas de ação que não precisam agredir o outro para serem eficazes.

No entanto, comumente consideramos que ser uma pessoa pacífica é, em grande medida, ser alguém que “não se mete em confusão”. Ou seja: achamos que a paz tem a ver com passividade, com ser inerte frente a situações que nos tocam. Por exemplo: se estamos no nosso trabalho e percebemos que algum procedimento não está sendo feito da maneira correta, é nosso dever ajudar e trabalhar para melhorar as condições do serviço. Entretanto, por vezes, não agimos com a justificativa de que não queremos causar um mal no ambiente de trabalho ou prejudicar alguém. Achamos, geralmente, que agir vai roubar a paz das pessoas; porém isso não é ser pacífico, mas, sim, inerte.

A paz, nesse aspecto, não significa a ausência de conflitos, mas a capacidade de gerar harmonia em prol do Todo. Muitas vezes, aceitamos injustiças por não estarmos dispostos a lutar pela paz, a estabelecer uma harmonia coerente com um estado benéfico para o Todo. Nesse sentido, acabamos inertes em nossas posições, sem de fato agir em busca da bondade e da paz. O que Gandhi fez ao se rebelar de forma não violenta foi demonstrar como a paz é um elemento importante e inegociável em nossas vidas.

A paz também está relacionada com manter uma melhor convivência consigo mesmo e com os demais. Esconder ou não atuar em algo necessário não se relaciona com essa ideia. Entretanto, ser cortês e estar disposto a ensinar e praticar a paciência são armas importantes para quem pretende construir uma vida repleta de harmonia.

Para todas essas virtudes se expressarem, é preciso, necessariamente, agir. Ou seja, nossa ação é fundamental para que exista qualquer virtude, afinal, no mundo objetivo, nossas ações são é  o que transforma a vida, seja individual ou coletiva. Sabendo disso, Mahatma Gandhi nos ensinou muito bem, uma vez que sua Determinação, Honestidade e Justiça foram colocadas a serviço de uma causa nobre. Todo o empenho em construir uma Índia livre não foi em vão, pois as décadas de esforço foram recompensadas com um país que pôde guiar seu próprio futuro.

Diferenciando paz e passividade

Uma das cenas mais marcantes do filme demonstra bem a diferença entre a paz e a passividade: Gandhi faz um discurso apresentando os problemas que existem na legislação indiana, que, na época, foi escrita pelos ingleses. O público acaba se exaltando por considerar a lei injusta e prejudicial ao povo indiano e decidem agir violentamente contra os ingleses. Gandhi, entretanto, rapidamente apresenta um outro modo de combater a injustiça imposta: a desobediência civil.

O líder indiano diz, em seu discurso: “eu estou preparado para morrer lutando pela Índia, mas não estou preparado para matar em nome dela”. Com isso, ele apresenta uma outra forma de resistência que não precisa revidar violentamente, afinal, do outro lado não se encontra um inimigo, mas um Ser Humano. Portanto, paz não significa aceitar tudo para evitar conflitos, mas agir no mundo fim de torná-lo mais justo e melhor.

Com a sua admirável postura diante dos seus opositores, Gandhi nos dá, com os exemplos da sua vida, uma aula prática de como devemos agir e lidar com as nossas “revoluções” pessoais. Ele nos mostra que podemos conquistar os nossos objetivos e, principalmente, “desarmar” os nossos “inimigos”, quando atingimos um nível de Serenidade que é  alimentada pela Verdade. Mesmo que seu corpo pudesse ser ferido, jamais seus algozes tomariam sua Alma.  

Refletindo sobre o assunto, podemos observar em nossas próprias vidas que o nosso comportamento e a nossa postura são responsáveis, na totalidade das situações que nos apresentam, pela maneira como as pessoas reagem às nossas abordagens. É como diz o dito popular: “ GENTILEZA GERA GENTILEZA”.

Quando procuramos oferecer apenas o nosso melhor, sem fazer distinção ao que os outros irão pensar e sentir ou como irão agir, estamos dando oportunidade às outras pessoas para  também oferecerem o seu melhor comportamento. Desse modo, possibilitamos nos Harmonizar com tudo e com todos, elevando a consciência coletiva a uma frequência de Amor, União, Respeito e Admiração.

                                                                                                                                                                               Os mínimos detalhes da trajetória de Gandhi nos mostram a conexão perfeita entre um Homem e seus ideais. Nada poderia fazê-lo mudar o foco das suas intenções e isso se deve ao fato dele ter estado o tempo inteiro sendo guiado por Princípios. Do mesmo modo, nós também podemos realizar grandes feitos sem abrir mão de nossos ideais. Na maior parte do tempo, porém, não sabemos que ideias nos guiam e, consequentemente, acabamos agindo sem direção ou coerência, tal qual uma embarcação que navega sem saber aonde quer chegar. 

Uma outra marca fundamental de Gandhi foi o seu Amor pelas suas ideias e pela Humanidade. O Amor, em sua forma mais profunda, é capaz de manter o Homem em sua reta trajetória rumo à evolução. Em todas as experiências de nossas vidas podemos agir baseados no Amor e na União, e, em maior ou menor grau, todos nós passamos pelas mesmas batalhas enfrentadas por Gandhi. 

Certamente seu contexto e intensidade se diferem de nós, porém, todos os dias nos deparamos com momentos de intolerância, preconceito, agressividade e muito mais. Frente a esses desafios, devemos manter a nossa conexão com os Princípios de Unidade e Amor. Assim, talvez, possamos ser como Gandhi.                     

Portanto, que sejamos cada um de nós um Mahatma. Que as nossas Almas sejam realmente grandes a ponto de absorverem todo o Amor que há no mundo e, através dos nossos atos, sejamos plenos. Vistas todas essas questões, nós, da FeedoBem, indicamos o filme “Gandhi” como uma verdadeira ferramenta a  serviço da reflexão. 

Este é um conteúdo atualizado da publicação disponível em nosso portal. Acesse a versão antiga clicando aqui neste link.

Pesquise sem sair da publicação

Compartilhe com quem você quer o bem

Talvez você goste também

Deixe um comentário e faça parte da conversa!

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Ouças nossa playlist enquanto navega pelo site.

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência, de acordo com a nossa Política de privacidade . Ao continuar navegando, você concorda com o uso de cookies.