A história da humanidade é cercada de grandes impérios. Poderíamos listar dezenas de  civilizações que nasceram, cresceram e morreram sob a égide de uma visão imperial. Mas como se caracteriza essa forma de sociedade? Em geral, acreditamos que um império é quase sinônimo de dominação e guerras, visto que a maioria dessas sociedades foram constituídas por meio de batalhas e conquistas. De fato, esse elemento está presente em grandes civilizações – para não dizer em todas –, visto que o contato com outras sociedades nem sempre foram amistosos devido aos mais distintos interesses.

Apesar disso, um império pode ser definido como uma sociedade que abrange diversas regiões culturalmente distintas, mas que apesar de sua diversidade, estão regidas por uma mesma mentalidade. Dessa forma, é possível entender que um império pode ser formado quando, através de uma expansão territorial, diferentes grupos se alinham sob uma mesma lei, obedecendo aos ditames do grupo dirigente. Ao longo da história, não foram poucos os tipos de império – e imperadores – que surgiram, mas hoje falaremos especialmente de um através de um excelente documentário que está disponível na plataforma de streaming “Netflix”: Império Romano.

Antes de indicarmos a série documental, é preciso entender o que de fato foi o império romano. Estabelecido por Otávio Augusto no ano de 27 a.C. e com duração de quase cinco séculos, podemos afirmar que a fase imperial de Roma constituiu seu auge e também a sua decadência. No seu auge, por exemplo, sabe-se que cerca de 25% da população mundial estava dentro do território romano, que se estendia desde a Britânia (atual Inglaterra) até Jerusalém, na Penísula Arábica. No passado, diversos povos habitaram as mais diferentes regiões da Europa, norte da África e Ásia Menor, mas durante cinco séculos todos estavam sob a égide das leis romanas. Ao mesmo tempo, à medida que esse grande território habitado por tantos povos diversos começou a ser fragmentado, a unidade em que Roma tinha suas bases começou a ruir, até que o império foi destruído aos poucos, de fora para dentro, e teve em sua agonia final a invasão dos povos germânicos, em 476 d.C.

Contudo, é importante entender que Roma não foi construída em um dia e que seu auge, em verdade, demorou muito tempo até ocorrer. A civilização romana passou por diversos momentos de auges e crises até chegar na sua fase imperial, na qual a estabilidade e força do império atingiram seus grandes níveis. Fundada por volta de 750 a.C., a cidade foi estabelecida próxima do rio Tibre e durante seus primeiros séculos não se diferenciava de outras cidades da Península Itálica. Sua principal característica, entretanto, era a capacidade de agregar diferentes culturas, uma vez que em sua origem se fala que a fundação da cidade se deu pela junção dos diferentes povos que viviam no Lácio. Desse modo, ao longo da sua história era perceptível que o povo romano tinha uma tendência a absorver outras culturas e não tentar dizimá-las, como muitas vezes foi visto ao longo da história.

Graças a essa característica, foi possível, por exemplo, a absorção da cultura grega por parte dos romanos a partir do século II a.C., mostrando que um povo dominado fisicamente – como no caso dos gregos – ainda poderia exercer uma forte influência no modo de vida, na religião e na sociedade romana de uma forma geral. 

Dito isso, podemos entender que as conquistas romanas, apesar de serem realizadas através de guerras, também revelam um outro lado dessa civilização e que a diferencia de tantos outros impérios que existiram na História. Roma não buscava a destruição dos outros povos, mas, sim, a integração destes dentro do seu papel civilizatório. O ideal romano, nesse sentido, não era fomentar guerras a partir de uma visão de “inimigos”, mas de fazer com que outras sociedades se submetessem às suas leis, o que também poderia favorecer tais povos em diferentes aspectos.

Essa talvez seja uma perspectiva pouco aceita nos dias atuais pelo nosso senso comum, uma vez que vemos a civilização romana, geralmente, a partir de estereótipos que não condizem de forma sincera com o que existia. Nesse sentido, a série documental “Império Romano” é uma excelente recomendação para entendermos um pouco melhor o estilo de vida, a política e as conquistas romanas.

Vale salientar que filmes, séries e outros tipos de produções de entretenimento tendem a explorar o valor comercial do seu produto, logo, é comum percebermos que a precisão histórica nem sempre é um dos pontos que estão em primeiro plano nessas obras. Visto isso, é comum encontrarmos erros, exageros e imprecisões nestes conteúdos, e talvez esse seja um dos grandes méritos da série “Império Romano”. Isso porque ela conseguiu unir o valor intelectual – tão caro nos dias atuais – com uma narrativa que prende o espectador, tornando-se muito mais do que um “documentário sobre o passado”, o que não atrai um público tão alto.

Isso só foi possível graças ao inovador formato de filmagem da série, que tem sido explorado nos últimos anos. Ao mesclar o drama normalmente assistido nas séries com a base intelectual de diversos especialistas na história romana, a série consegue cativar diferentes públicos e, ao mesmo tempo, mostrar uma narrativa mais fidedigna com o passado. Dessa maneira somos guiados por meio de diferentes visões aprofundadas acerca do tema.

Se quiser conhecer a série, veja esse trailer: https://www.netflix.com/br/title/80096545

A série atualmente está com três temporadas, e cada uma delas pode ser assistida de forma independente. A abordagem geral da série em cada uma das temporadas é com base em uma grande figura política de Roma. Ao passo que se explicam a vida e os feitos do “protagonista” da temporada, também podemos aprender muito sobre a sociedade romana e o tempo em que estes homens e mulheres do passado viveram. 

A primeira temporada tem como personagem principal o imperador Cômodo – filho do grande Marco Aurélio, o imperador filósofo. Cômodo é conhecido até os dias atuais como um péssimo imperador, e o papel da série é demonstrar as razões que o levaram a governar um grande império de forma tão desastrosa. 

Já a segunda temporada tem como foco um dos principais nomes da história romana: o grande general Júlio César. Responsável pela conquista da Gália, Júlio César até hoje reverbera como um dos grandes nomes da política romana. Sua habilidade em combate e sua liderança são exemplos comuns de como Roma era capaz de produzir excelentes líderes. Mais do que um general que ambicionava o poder, a série também revela muitos “erros” cometidos por Júlio César, além de explorar seu romance com Cleópatra, a rivalidade com Pompeu (outro importante general romano) e o desfecho de sua vida dedicada à política romana.

A terceira – e até o momento última – temporada aborda a figura polêmica de Calígula, o imperador conhecido pela devassidão. O mergulho na vida desse icônico personagem da história romana nos mostra como ele chegou ao poder e os traumas vividos ao longo da sua vida, o que explica o seu comportamento quando chegou ao trono romano. 

Além das questões apresentadas, a série é um resgate importante para os nossos dias, pois não se trata apenas de um mergulho na história do império romano. Ao entender um pouco sobre a vida desses personagens, também podemos conhecer o que os levou ao auge e também ao fim. O sucesso e a ruína, nesse caso, não são frutos apenas de um contexto histórico, mas de uma postura interna perante a vida, na qual suas debilidades e virtudes se tornam elementos fundamentais para o resultado obtido.

Dito isso, deixamos como recomendação essa excelente série para quem busca aprofundar seus conhecimentos históricos e, acima disso, entender um pouco mais sobre como Roma se tornou o maior império da antiguidade. 

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