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Baseado no romance épico de Lew Wallace, lançado em 1880, o filme “Ben-Hur” relata a história de um príncipe judeu chamado Judah Ben-Hur em Jerusalém, no início do século I. A narrativa tem como contexto a invasão da Judéia por parte do Império Romano e as diversas tentativas de libertação da população frente aos seus conquistadores. Assim, em uma das passagens das legiões romanas pela cidade,  Judah reencontra o seu meio-irmão e amigo de infância, Messala, que se tornara um oficial do exército romano. Um desentendimento entre ambos, devido a visões políticas divergentes sobre a Judéia, fez com que Messala o prendesse e o condenasse injustamente, sob a falsa acusação de traição ao governo romano. 

Para Judah, as perdas do título, da liberdade, dos bens e da família não foram tão dolorosas quanto a decepção e frustração diante da atitude covarde do seu meio-irmão e a sua perversa condenação a escravidão. À medida que o tempo passa, a decepção dá lugar ao desejo intenso de vingança, o único motivo pelo qual queria viver. Assim, nos anos que seguem a sua prisão, Judah se transforma num guerreiro solitário, forte e corajoso, porém, em seu coração cresce um sentimento de cólera inquebrantável contra o comandante romano. Não lembrando em nada o príncipe bondoso e pacífico que fora em outrora.

A forma como o filme aborda a relação de Judah e Messala, expressa com riqueza de detalhes as dificuldades e limitações humanas diante de nossos elementos psíquicos. Messala expressa até onde vai a fraqueza e covardia humana e como isso pode prejudicar a vida das pessoas que nos cercam. Por outro lado, Judah nos ajuda a refletir sobre o perigo que é conduzir nossas vidas por sentimentos negativos que nos lembram dores e nos aprisionam a um estado psicológico de tristeza e angústias.  

Dentre os vários pontos da trama que podem ser ressaltados, encontra-se a passagem da crucificação de Jesus. Um pano de fundo que nos traz riquíssimos elementos para refletirmos sobre a postura do injustiçado Judah diante da adversidade em que se encontrava. E é aqui que se faz um grande paralelo entre as jornadas de vida de Ben-Hur e o destino de Jesus, também condenado injustamente. Mas ao contrário de Judah, Jesus atravessava o seu destino movido por um sentimento profundo de Amor e Compaixão, e não de vingança. Sendo esse, um dos pontos mais emocionantes do filme. 

Cena do filme ‘Ben-Hur’

Ben-Hur, firme no seu propósito de vingança, viu nas corridas de bigas uma oportunidade de massacrar Messala na arena romana. Assim, se prepara para enfrentar e vencer o seu oponente mas, ao final, acaba por perdoar o seu melhor amigo de infância, trazendo com isso a redenção não só para si, mas para todos à sua volta. O corte entre cenas da crucificação de Jesus e o perdão simbólico dado aos seus algozes, foi compreendido por Judah ao pé da cruz de Cristo e possibilitou a sua libertação do ódio e dos rancores do passado, o fazendo alcançar o perdão e a reconciliação entre ele e Messala. É óbvio que, apesar de todo o sofrimento sentido, de nada adiantaria ao príncipe Judah ter a sua liberdade física e não ter a liberdade de sua Alma.

A Sabedoria antiga afirma que a melhor forma de redenção é através da ação. Uma ação consciente, intencional, no intuito de amenizar o erro cometido, de tentar um novo começo. Ben-Hur nos ensina sobre este espírito de Redenção, e o quão difícil é agir da forma correta. Esta história mostra que a ação do outro sobre nós, não deve definir o que podemos ser. Sendo o perdão visto como uma das atitudes mais nobres que podemos realizar, como um machado de duplo fio, ele cura não só fora, mas cura, principalmente, dentro. E nos possibilita continuar a caminhada humana sem os pesos das amarguras e mágoas do passado.

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