Tempo de leitura: aproximadamente 5 minutos

Uma história emocionante, sensível e com grandes ensinamentos. Todas essas características definem a obra “Extraordinário”, da autora R. J. Palacio. O livro de grande sucesso ganhou uma adaptação cinematográfica que chegou às telonas no início de dezembro de 2017.  A história é um convite para navegarmos nas profundezas do coração humano, onde as marés da compaixão e empatia encontram seu curso. Como bem disse Lao Tsé, o sábio chinês, “A gentileza em palavras cria confiança. A gentileza em pensamento cria profundidade. A gentileza em dádiva cria amor”. Nessa obra, testemunhamos a gentileza florescer não apenas em palavras e ações, mas também na essência dos personagens, revelando a beleza inerente à humanidade.

A história gira em torno de Auggie, um menino com uma deficiência genética que vai à escola pela primeira vez e enfrenta olhares julgadores e bullying de outras crianças. Ele é um menino verdadeiramente extraordinário, não é à toa que o título da história é esse. Ao acompanharmos a jornada dele, nos lembramos das palavras de Khalil Gibran: “A bondade é como a luz do sol; ela embeleza tudo o que toca.” Auggie é um sol brilhante, irradiando a beleza de sua alma e iluminando a escuridão da intolerância. Ele nos ensina que, independentemente de nossas imperfeições externas, é nossa bondade e autenticidade que nos tornam verdadeiramente extraordinários.

As tradições budistas nos ensinam que a compaixão é o caminho para a iluminação. Como o Buda ensinou, “Nossa tarefa não é procurar o amor, mas simplesmente buscar e encontrar todas as barreiras dentro de nós que construímos contra ele”. Ao enfrentar olhares julgadores e bullying, Auggie confronta essas barreiras com uma sabedoria que transcende sua idade. Ele nos encoraja a olhar além das aparências e descobrir a centelha divina que reside em cada ser humano.

“Extraordinário” é uma sinfonia de histórias entrelaçadas, cada uma ecoando as palavras de Rumi, o poeta sufi: “O que você procura está procurando por você”. O destino desses personagens está entrelaçado por fios invisíveis, conectando-os através de suas lutas e vitórias, como se estivessem destinados a encontrar se encontrar. Essas conexões, por vezes inesperadas, lembram-nos que cada encontro é uma oportunidade para aprender, crescer e compartilhar o fardo da existência humana. Indo mais além, a história não gira apenas em torno de Auggie, outros personagens possuem histórias envolventes que despertam a empatia e a reflexão do público. Essa é uma obra que ressalta a frase: “seja gentil, pois você nunca sabe realmente o que o outro está passando”.

Com uma sensibilidade rara, a obra nos leva a contemplar a citação do filósofo Sêneca: “Onde quer que haja um ser humano, há uma oportunidade para a bondade”. Em cada personagem, percebemos as diversas facetas da humanidade, suas fragilidades e grandezas. O filme e o livro revelam que, por trás das máscaras que todos usamos no teatro da vida, há histórias profundas de coragem, esperança e redenção.

Um dos aspectos inspiradores do livro, e do filme, é a forma como ele aborda o tema da amizade verdadeira. Auggie encontra apoio e amizade em pessoas inesperadas, como Summer e Jack Will, que enxergam além das aparências e abraçam a singularidade de Auggie. Essa mensagem é um lembrete de que a verdadeira amizade não se baseia em convenções superficiais, mas em uma conexão genuína que transcende as diferenças. 

Outro ponto comovente é o papel da família de Auggie em sua jornada. Seus pais, Isabel e Nate, e sua irmã, Via, são pilares de amor e suporte, mostrando a importância de um ambiente acolhedor e compreensivo para enfrentar desafios. A relação entre Via e Auggie também é tocante, pois ilustra como a família pode ser uma fonte inesgotável de força e amor.

No decorrer da história, somos convidados a percorrer o caminho do autoconhecimento, como disse Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”. Através dos personagens, refletimos sobre nossas próprias virtudes e fraquezas, nossas tendências para julgar ou estender a mão. A história não retrata os personagens como perfeitos, mas sim como seres humanos falíveis que cometem erros. No entanto, também demonstra que é possível aprender com esses erros e buscar a redenção, como é o caso de Julian, um dos personagens que inicialmente perpetua o bullying contra Auggie. Essa reflexão é o portal para uma jornada de crescimento e transformação, pois, como afirmou Aristóteles, “O objetivo da vida é tornar-se a melhor versão de si mesmo”.

Como bem colocou Confúcio: “Aquele que conquista a si mesmo é o mais valente dos guerreiros”. A história de Auggie e seus amigos é uma celebração da coragem interior que reside em cada um de nós, mostrando-nos que somos capazes de superar desafios, transcender nossas limitações e, assim, tornarmo-nos seres verdadeiramente extraordinários. 

Por fim, uma das principais lições de “Extraordinário” é justamente a importância de sermos autênticos e nos aceitarmos como somos. Auggie aprende a valorizar sua própria singularidade e, ao fazer isso, inspira os que o rodeiam a fazer o mesmo. Dessa forma, a história nos ensina que cada um de nós é especial à sua maneira, e que é justamente essa singularidade que torna o mundo tão rico e diverso. Que a luz de “Extraordinário” continue a brilhar em nossos corações, lembrando-nos de que a gentileza é a chave para abrir as portas de um mundo mais compassivo e amoroso. E que, ao sairmos desse mundo de palavras e imagens, carreguemos conosco a inspiração para criar um impacto verdadeiramente humano nas vidas daqueles que cruzam nosso caminho.

Pesquise sem sair da publicação

Artigos mês
abril 2024
STQQSSD
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930 

Ouças nossa playlist enquanto navega pelo site.

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência, de acordo com a nossa Política de privacidade . Ao continuar navegando, você concorda com o uso de cookies.