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Filme “Quase Deuses”: Jamais desista!

Tempo de leitura: aproximadamente 5 minutos

O quão determinado somos para realizar os nossos sonhos? Normalmente não nos perguntamos sobre isso, apesar de vivermos grande parte de nossas vidas sonhando com objetivos a serem alcançados. Na maioria das vezes, infelizmente, esses sonhos “caem por terra” e desistimos de realizá-los. São os famosos projetos que deixamos na gaveta e que jamais são colocados adiante. 

Em geral não nos falta a capacidade de sonhar, mas a força de vontade e a resiliência de perseguir nossas metas. Entretanto, acima de nossos desejos pessoais, também é válido pensar o quanto nossos sonhos podem ajudar outras pessoas. Imaginemos um médico que descobre a cura para alguma enfermidade, quantos pacientes não seriam salvos? Esse é, provavelmente, um dos sonhos que mais vale a pena se dedicar a realizar.

É sobre sonhos e salvar vidas que o filme “Quase Deuses”, nossa indicação de hoje, fala. Baseado em fatos reais, o longa é um drama que traz Vivien Thomas, um marceneiro que, após décadas realizando seu trabalho, foi demitido de seu emprego devido a Grande Depressão de 1929. A maior crise econômica do século XX causou altas taxas de desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países, e o principal país afetado, os Estados Unidos, passou quase toda a década de 1930 restabelecendo suas bases econômicas. 

Nesse contexto de incertezas  e precisando sobreviver, Vivien consegue um emprego de faxineiro com um importante médico, chamado Alfred Blalock (Alan Rickman), que foi sua grande inspiração. O contato com Alfred Blalock fez com que o protagonista passasse a estudar medicina, mas não de uma maneira tradicional. Devido às questões raciais, amplamente presentes naquele momento histórico, Vivien se tornou autodidata e, apenas lendo os livros que se encontravam no escritório do médico, conseguiu compreender grande parte dos procedimentos e técnicas usadas pelos médicos. A partir desse momento, um novo mundo se abriu diante dos olhos de Vivien, que se encantou com a medicina e com a possibilidade de salvar outras pessoas.

Inspirado no seu amor pela medicina, Vivien decide que realizaria o seu sonho de fazer faculdade nessa área. Entretanto, algumas pedras apareceriam em seu caminho. O primeiro deles tinha relação com suas finanças. Todas as economias que o personagem tinha para fazer a faculdade de medicina tinham sido guardadas no banco durante sete anos e de repente foram perdidas devido aos reveses da Grande Depressão. Foi um desastre total, mas Vivien e sua família sempre foram trabalhadores e ele não perdeu as esperanças, afinal, o dinheiro sempre pode ser gerado a partir do fruto do esforço e do trabalho.

Porém, uma barreira mais forte que o dinheiro estava no caminho de Vivien Thomas: o racismo. O fato de ser um homem negro foi a razão de diversas portas serem fechadas para o nosso protagonista. Mais que isso, é perceptível que mesmo aqueles próximos a Vivien ainda guardam um pouco desse preconceito, mesmo que percebam, ao fim, que essa era uma posição equivocada. Podemos destacar, por exemplo, a postura do próprio Doutor Alfred, uma vez que este se surpreende com o desempenho do seu assistente, considerando-o extremamente eficaz e inteligente para uma “pessoa de cor”. Indo contra as normas comuns da sua época, Alfred decide que Vivien pode ser seu auxiliar, dando-lhe mais liberdade dentro da sua pesquisa.

Unindo todo o conhecimento e a sabedoria, os dois homens conseguem uma cura para um caso inédito à época, que ficou conhecido como caso do bebê azul. Alfred Blalock se torna o cirurgião-chefe na “Universidade Johns Hopkins” e juntamente com Thomas encontra uma nova técnica de realizar cirurgias para o coração.

Frente a isso, vale a pena destacar dois pontos fundamentais que podemos aprender com a história de Vivien Thomas e o filme “Quase Deuses”. O primeiro deles está na força de vontade e resiliência de Vivien, que conseguiu superar os preconceitos de sua época e se erguer como um grande pesquisador. Mesmo sem fazer sua faculdade de medicina, sua determinação o tornou um especialista através dos estudos e da prática, ambos realizados de forma autodidata. Talvez Vivien nunca tenha pensado em se tornar médico quando trabalhava como marceneiro, entretanto, a vida sempre nos apresenta caminhos que conduzem nossa evolução. O fato é que, para alcançar o seu sonho e se tornar um médico (mesmo sem diploma), foi preciso não desistir da sua meta. Graças a essas qualidades, Vivien foi capaz de contribuir decisivamente para o futuro da medicina e, junto com seu “mentor”, chegar a um novo patamar.

O segundo ponto que devemos refletir é sobre as limitações que o meio em que vivemos pode nos colocar. O fato de viver em uma época que o racismo ainda era extremamente presente na sociedade, principalmente na forma de leis e normas sociais, limitou as possibilidades de Vivien. Ainda assim, mesmo com esses fatores limitantes que afetam nossas escolhas, foi possível ao Dr. Vivien crescer e realizar os seus sonhos. Sabemos que muitas vezes nossos sonhos parecem impossíveis, pois o contexto em que estamos inseridos nos pressiona de tal maneira que nos sentimos presos a grilhões inquebrantáveis. É certo que essa sensação é comum à grande maioria de nós, porém também é fato que sempre podemos escolher nossas ações, mesmo nas situações mais complexas. Somos, enfim, responsáveis pelo nosso futuro e, quando desejamos verdadeiramente realizar um objetivo em nossas vidas, poderemos fazê-lo, mesmo que não seja exatamente do jeito que imaginamos. Vivien nunca chegou a cursar a faculdade de medicina, mas suas conquistas não foram menores por causa disso. Apesar de não ter um diploma, sua expertise como médico o levou a salvar milhares de pessoas, tornando-o um agente de transformação no futuro desses indivíduos. 

Retrato real. de Alfred Blalock e Vivien Thomas, no Hospital Johns Hopkins

Graças aos esforços de Alfred e Vivien, hoje, nos Estados Unidos, são realizadas 750.000 cirurgias cardíacas por ano. Esse é o valor de um sonho quando realizado em prol da humanidade, quando não pensamos apenas em saciar nossos desejos e quando as metas não miram apenas em realizações pessoais, mas em ajudar todos à nossa volta. Assim, nossos sonhos podem – e devem – impactar toda a sociedade em que vivemos, transformando-a para melhor.

Dito isso, não nos resta dúvidas de que “Quase Deuses” é uma excelente indicação de filme para nos lembrarmos de nunca desistir dos nossos sonhos.

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