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Qual o melhor ângulo para se ver a competitividade?

Tempo de leitura: aproximadamente 4 minutos

Hoje vamos refletir um pouco sobre as consequências de uma competitividade exacerbada, e para tanto vale a pena a gente resgatar o curta metragem “Piston” produzido pela ESMA (École Supérieure des Métiers Artistiques) e dirigido pelos produtores Marvin Archambault, Vicent Orso-Amazonetta, Kai Yang, Marc Hugues, Hugo Mine, Arnaud Kupke e Désir Boucaud. A animação, lançada em 2007, aborda de maneira engraçada e quase infantil como o sentimento de competitividade vivenciado por um cadeirante e um motociclista no trânsito trouxe consequências drásticas para ambos.

O que geralmente se entende sobre a competição é  que ela pode ser muito positiva para o Ser Humano, pois o desejo de conquistar novos territórios e ambientes, além de ultrapassar ou superar os seus próprios limites, são intrínsecos à nossa natureza. A princípio, vista por esse ângulo, concordamos que não há problema algum em sermos competitivos em nossos ambientes profissionais ou pessoais, poderíamos até dizer que, foi devido a esse impulso Humano que houve a possibilidade para a adaptação aos novos ambientes e o desenvolvimento da nossa caminhada.

Aprofundando acerca dessa ideia, a competição pode ser caracterizada por uma vontade instintiva e quase sempre irracional de querer vencer e ser melhor que o outro a qualquer custo. Uma das peculiaridades dessa característica é o desafio constante ao qual nos submetemos para superar os indivíduos ou os grupos que nos cercam, o problema é que quando agimos assim fazemos porque desejamos ser destaque nos espaços que frequentamos, independentemente do que isso nos custe.

Então, na grande maioria das vezes, não basta só vencer, é preciso que essa conquista seja reconhecida e valorizada pelos demais. Sem dúvidas esse tipo de comportamento pode influenciar de maneira negativa as nossas relações sociais, pois geram um clima de tensão e desconfiança entre as pessoas. Como consequência dessa mentalidade, acabamos por nos transformar em pessoas reativas, passando a assumir uma postura social que varia entre a agressividade e a autodefesa.

Apesar de ser bastante estimulada em nossa sociedade, principalmente, em ambientes profissionais, um dos problemas da competitividade é quando passamos a utilizá-la como parâmetro para impulsionar o desenvolvimento de pessoas diferentes a espera de resultados. Esses resultados, por sua vez, determinarão, na visão das outras pessoas, quem são as melhores ou piores entre si, e não quem é a mais experiente. 

Ademais, o conceito de competição é visto como um termo ambíguo que pode trazer muito desenvolvimento a um grupo e, consequentemente, aumentar a qualidade técnica dos indivíduos. Mas, por outro lado, a competitividade pode criar ambientes altamente hostis e pessoas com um alto nível de egoísmo, que estão desmotivadas para qualquer possibilidade de cooperação entre si.

O problema de tudo isso é que a Cooperação é a Lei Inexorável para a Evolução Humana e, por natureza, somos seres sociáveis e necessitamos uns dos outros não só para sobreviver, mas para viver e experienciar tudo o que a vida pode nos oferecer. Se partimos do pressuposto que participamos de uma única Humanidade certamente a nossa postura diante da vida e do nosso semelhante passa a nos exigir um espírito mais empático e menos conflituoso, ou seja, mais cooperativo e menos competitivo.

Acreditamos que só existe uma Humanidade, embora composta por uma diversidade de indivíduos únicos. Essa premissa é largamente debatida através de teorias filosóficas do ocidente e do oriente ao longo da história humana. Assim, a busca pela Unidade é uma máxima importantíssima para a vitalidade da Natureza Humana e tudo que inviabilize essa possibilidade de Harmonia entre os indivíduos provoca estados de dores, angústias e sofrimento profundo as pessoas.

Pois, como numa orquestra sinfônica, cada um tem suas potencialidades e debilidades. Conscientes ou não disso, cada um de nós tem o nosso papel e a nossa função a ser exercida e, graças ao somatório dessa multiplicidade, podemos perceber a riqueza humana por completo. Assim, o outro não é o nosso inimigo ou opositor, mas uma parte de minha Humanidade. Quando buscamos fazer comparações e medir o desenvolvimento do outro a partir do nosso ou vice e versa, corremos o risco de não só sermos injustos conosco, mas com o outro também. Uma vez que cada um tem um caminho, uma forma de experimentar os fatos da vida e de absorver as suas experiências.

Portanto, a competitividade jamais poderia ser utilizada como estímulo ou parâmetro para desenvolver capacidades e habilidades individuais entre as pessoas. Por fim, vale ressaltar que a natureza competitiva humana tem o seu lugar, a sua importância e o seu valor, mas não nas nossas relações externas. Então, onde caberia uma competitividade na vida? A mesma pode ser vista como uma chave ou um motor de desenvolvimento interno na busca de superação das nossas debilidades interiores, como forma de aperfeiçoamento a cada dia. Nesse campo, superar a si mesmo pode nos levar ao autoconhecimento e nos ajudar a lutar contra os nossos elementos inconscientes e nossas desatenções, que tanto nos dispersam e nos fazem perder o domínio de nós mesmos.  

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