Tempo de leitura: aproximadamente 4 minutos

Produzido por alguns alunos da Universidade de Ciências Aplicadas Hagenberg, na Áustria, Pakan é um curta metragem de aproximadamente 9 minutos, lançado em 2016, que aborda a história de um jovem que parte da sua aldeia com a importante missão de salvar o seu povo, que padece com o processo de desertificação em que se encontrava o mundo.

A animação se inicia com cenas que refletem a dura sobrevivência e a resistência às dificuldades de um povo que se encontra sem água e sem comida. O jovem protagonista é chamado pelo ancião, seu Mestre, para ir em busca da Árvore da Vida, única possibilidade e esperança para restaurar a terra, a vegetação e todos os seres viventes. Ao deixar para trás o que restava do seu povo, o jovem carrega consigo apenas um mapa contendo três estrelas e uma caixa que só poderia ser aberta quando chegasse ao local indicado no mapa.

Com o coração pesado pela responsabilidade do futuro da Humanidade, o jovem tem o dever de encontrar uma árvore que teria o poder a restituir a Vida, e isso o leva a enfrentar vários desafios por caminhos desconhecidos, forçando-o a testar todos os seus limites até o último momento. Como uma última prova, ele enfrenta uma tempestade de areia. Neste momento, ele pensa em desistir da procura e abandonar sua missão, mas mesmo diante do perigo iminente, resolve enfrentar os seus medos e seguir adiante.

Após atravessar um longo caminho e superar todas as provas, o jovem chega ao seu destino. Confere a localização no seu mapa, que estava marcada pelas estrelas do céu, e abre a caixa dada pelo seu mestre. Nesse momento, ele descobre que essa caixa, que o acompanhou durante toda a sua viagem, carregava a semente, não de uma planta qualquer, mas da própria Natureza Humana, e nela continha o Mistério da Vida.

Com a esperança fixada na sua missão, no seu mestre e nas estrelas do seu mapa, ele pôde vencer e salvar o seu povo. Mais do que isso, salvou a si mesmo do deserto mortal que aprisionava a todos não só fisicamente, mas também psicologicamente.

Pakan é um curta muito bonito de se assistir, carrega consigo todos os encantos e belezas das chaves que precisamos para a nossa “luta” na vida diária. Simbolicamente, os elementos que compõem toda a trama nos trazem reflexões muito profundas sobre a importância das Virtudes da Constância e da Persistência, o papel da força da juventude e, principalmente, o Mistério da Árvore da Vida.

Podemos entender o processo da desertificação do mundo como o processo de desumanização em que atualmente nos encontramos. É notório que o egoísmo, a competitividade e o orgulho, por exemplo, que atualmente são utilizados como valores base em nossa sociedade, neguem a possibilidade de uma vida coletiva, assim como inviabilizam o nascimento do verdadeiro Ser Humano. Daí a necessidade de nos conectarmos urgentemente com a Árvore da Vida, retratada no filme como a solução do problema daquele povo.

Existe uma máxima filosófica que nos lembra que a Vida é muito mais mágica do que lógica. E, seguindo por essa perspectiva, cabe lembrar aqui que no curta, os frutos da Árvore da Vida eram embriões humanos sendo gerados. Um claro símbolo de Esperança no futuro.

Entretanto, o jovem só pôde ver e se conectar a essa Verdade depois de superar a sua saga, depois de assumir o compromisso da missão em nome do Todo e não da parte. Para isso, precisou vencer os seus medos e as suas debilidades com Persistência e Constância. E só depois pôde ter acesso ao Mistério da Vida e a Esperança no futuro.

Quando o protagonista oferece a si mesmo como solução, ele se torna a própria Árvore, simbolizando a Virtude do Sacrifício (Sacro Ofício). Dessa forma, ele deixa de ser um simples homem, e se Une a toda a Natureza, se fundindo ao Todo. Como já concluiu a sua missão, a de resgatar a Natureza Humana, agora ele viverá dentro de todos os novos Homens e Mulheres Virtuosos que nascerão daquela Árvore.

As chaves simbólicas que Pakan nos traz são de uma profundidade que não pode se esgotar somente em algumas palavras dentro de um texto, mas pode nos ajudar e nos orientar na seguinte reflexão interna: Como anda o nosso processo de desertificação? Estamos sem Vida e sem Esperança no futuro? Ou estamos, assim como o jovem, vencendo os nossos medos, superando as nossas batalhas e dispostos a nos sacrificar em nome do Todo?

É sempre importante preservar essa semente de Humanidade, protegê-la de todas as adversidades e, mais importante do que tudo, fazê-la brotar dentro de nós para que os frutos da Virtude possam alimentar as próximas gerações.

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