Certa vez um poeta americano, quando perguntado sobre sua força de vontade em continuar escrevendo, respondeu: “Não deixei minha chama apagar. Mesmo nos momentos mais difíceis, mantive ela acesa. Nunca deixem apagar sua chama.” Nesse contexto falava-se da motivação em perseguir o seu sonho em ter suas histórias lidas. Porém, para além de uma questão motivacional, podemos refletir sobre a Vontade que temos em continuar caminhando rumo ao nosso destino e nos realizarmos.

É comum falarmos que o primeiro passo para conquistar um objetivo é gostar do que faz. Apreciar aquilo que se busca, de fato, é um motor que nos coloca em movimento. Mesmo nos dias mais difíceis, e são neles que residem as provas, se conseguimos amar o que fazemos também seremos capazes de nos movimentar nessa direção. Mas para tanto, precisamos aprender a manter nossa chama acesa, não desistir dela e, finalmente, alimentá-la ao ponto de sermos inquebrantáveis perante os desafios.

No curta “Extinguished”, de 2017, dirigido por Ashley Anderson e Jacob Mann, temos um ótimo exemplo disso. Em pouco mais de quatro minutos conhecemos a história de um rapaz que deixou sua chama ser apagada. Após o fim de um relacionamento seu Amor foi extinto e isso o leva a momentos de tristeza e solidão. O trauma o acompanha até a chegada de uma nova moradora em seu prédio, que reacende sua chama e aquece o seu interior, porém, preso pelas experiências mal resolvidas, o jovem tenta, de todos os modos, evitar uma nova decepção. Mesmo assim sua chama reascende e ele tenta conquistá-la.

O curta trata a chama como o fogo do Amor, principalmente o Amor entre as pessoas. Partindo dessa ideia e expandindo-a, podemos pensar não apenas em nossas relações afetivas, mas em como essa chama está impregnada em tudo aquilo que amamos: seja uma pessoa, uma profissão, um hobby. Por vezes, ainda, podemos enxergar essa chama em outras pessoas. Quando somos atendidos por um médico, por exemplo, que ama sua profissão e dedica-se à cura de seus pacientes; um professor que não mede esforços para ensinar seus alunos; um arquiteto que desenvolve sua criatividade ao máximo para projetar ambientes harmônicos. É de encher os olhos quando encontramos pessoas dedicadas àquilo que amam. Porém, nós sabemos o que amamos? Será que estamos cultivando nossa chama interna?

Essas duas perguntas são básicas para começarmos a aprender sobre como cultivar nossas emoções e nos motivar. Afinal, é impossível alimentar uma chama se não sabemos o que a faz acender. Portanto, devemos exercitar o autoconhecimento como método para descobrir o que nos anima, o que nos dá vida. Pensemos sobre o fogo e suas características: ele é sempre vertical, busca expandir-se, gera calor, transforma a matéria. Conosco acontece igual. A nossa chama é, antes de tudo, aquilo que nos movimenta de maneira vertical, ou seja, nos torna melhores. Nos faz expressar o nosso lado mais Humano. Por isso admiramos tanto pessoas que impregnam suas ações de Amor, pois naquele momento elas estão evidenciando seu potencial enquanto Ser Humano. Isso é encantador, sem dúvidas. Do mesmo modo, quando estamos plenos nessas atividades naturalmente expandimos e transformamos. Buscamos fazer de maneira melhor, mais efetiva e, no processo, transformamos as pessoas que tocamos, inclusive nós mesmos.

Essa capacidade de expressar Princípios Humanos está, naturalmente, para além das emoções. Não se trata de “gostar ou não gostar” do que faz, pois, nem sempre estaremos felizes exercendo nossas atividades. A Vida, sábia como é, nos faz viver momentos diversos ao longo de uma existência. Muitas vezes ao longo de um mesmo dia. Logo, devemos aceitar a ideia de que nem sempre estaremos em nossa melhor condição, seja física ou psicológica. Haverá dias que nosso carro não irá funcionar, iremos nos atrasar, sentiremos saudades de um parente distante e mais centenas de pequenos acontecimentos que podem nos roubar a Felicidade. Qual será, então, a maneira de nos mantermos vivos e fortes dentro desse processo? Como manter uma chama acesa em nós quando o mundo parece cair sobre nossas cabeças?

Uma possibilidade é termos sempre em mente nosso propósito. Se entendemos qual é o nosso papel no mundo e como exercê-lo, então temos a chance de seguir em frente, apesar das circunstâncias não nos favorecerem. Essa é, talvez, a principal diferença sobre como alimentamos nossa chama. Vamos explicar: uma chama, para manter-se acesa, precisa de combustível. Nossa motivação, do mesmo modo, pode ser alimentada de diversas maneiras: emoções, desejos e princípios. Quando nos movemos por emoções passamos a nos dedicar ao que nos agrada e evitamos ao máximo fazer as tarefas que nos desagradam; se somos movidos por desejos passamos a persegui-los incessantemente, não medindo esforços para realizá-los; se nossa motivação, entretanto, está em seguir um Princípio que determinamos como nosso, a motivação estará em manter-se fiel ao que elegemos como melhor.

Se analisarmos cada um desses três motores psicológicos poderemos perceber que somente por princípio poderemos encontrar um combustível duradouro. Se nos movermos somente por emoções, nossa chama apagará quando existir a necessidade de fazer algo que não gostamos. Do mesmo modo, se nos movermos somente pelo desejo, seremos capazes de, em alguns casos, machucar outras pessoas para realizá-lo. Além disso, uma vez que atingirmos o prazer ao concretizar o nosso desejo nos sentiremos infelizes e, naturalmente, a chama também se apagará. Nossa chama interna, para se manter sempre viva e vertical, precisa ser alimentada por Princípios. Eles garantirão, nos melhores e nos piores dias, a Força necessária para realizar nossas atividades. Ao garantir que essa chama nunca se apagará nos sentiremos mais fortes, uma vez que as circunstâncias externas não serão capazes de apagar o que, constantemente, mantemos alimentada.

Nunca deixe as circunstâncias colocadas no caminho apagarem a sua chama. A motivação em nossa Vida deve estar em todos os âmbitos: profissional, pessoal, familiar. Não é uma tarefa fácil, bem sabemos, mas, ao mesmo tempo, será uma das maiores conquistas que poderemos alcançar. Seremos o nosso próprio motor interno, capaz de mover o mundo. Nesse momento lembremos de Sidharta Gautama, o Buda, que diz “Dê-me uma chama, com ela serei capaz de incendiar o mundo.”

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