Você vive a sua vocação? Em geral, usamos nossos talentos e habilidades como um meio de descobrirmos o que queremos fazer em nossas vidas, não é verdade? Mas nem sempre os planos saem como combinado. Por causa da lei da necessidade, acabamos atuando em diversas áreas e frentes, mas nem sempre nos realizamos com isso. O resultado é uma vida apática, automática e que muitas vezes nos leva a um estado melancólico. Os dias se tornam sem cores, diferentes tons de cinza, e parece que, ano após ano, vamos sendo arrastados pelo peso de viver. Essa não é uma visão muito animadora para uma existência, não é? Por isso, hoje vamos falar sobre um curta que resgata as cores da vida, mostrando a beleza de se abrir a partir de novas possibilidades. Falaremos do curta “La cour”.

Antes de iniciarmos nossa reflexão, é fundamental reconhecermos o papel educativo que os curtas de animação vêm desenvolvendo ao longo das últimas décadas. Com o avanço da tecnologia e novas formas de difusão da arte, esse tipo de filme tem ganhado o mundo, e milhares de escolas de arte audiovisual tem produzido belíssimas e inspiradoras histórias contadas em poucos minutos. Em geral, os curtas são voltados para todas as idades. Essas obras nos trazem reflexões sobre várias questões da nossa Vida cotidiana e sobre o nosso posicionamento diante delas.

Em “La Cour”, por exemplo, a animação francesa nos mostra a vida de um jovem que vivia mergulhado no tédio, preso numa rotina de trabalho e sem tempo para outras atividades, o que lhe garantia um automatismo e uma falta de viver notável. Porém, tudo muda quando o seu novo vizinho lhe faz voltar ao passado, rememorar suas lembranças. E, por mais que aparentemente não “goste” da companhia do vizinho, o jovem começa a resgatar as cores da sua vida, a alegria de viver aquilo que sempre gostou de fazer. “La Cour” foi produzido em 2016 como um dos trabalhos finais de curso pelos alunos de cinema da ESMA – Ecole Supérieure des Métiers Artistiques. A animação em 3D ganhou o mundo e já conta com mais de 2 milhões de visualizações no Youtube até o momento de publicação deste texto.

Veja o curta abaixo:

O que torna “La Cour” uma obra de arte é a relação cômica e carismática entre os dois personagens. De um lado, temos o “protagonista”: jovem, triste, mergulhado no trabalho e no automatismo; do outro, temos um simpático vizinho, já com a idade avançada, mas que adora conversar e tenta alegrar o rapaz, mostrando as possibilidades da vida e como sempre é tempo para celebrar. Além disso, o impacto de duas gerações distintas faz com que pensemos em uma série de ideias: o ancião, representando a sabedoria, tenta ensinar ao jovem o valor da vida e como o seu atual estado não era o ideal; o jovem, impaciente por vezes com a forma do ancião se portar, tenta evitá-lo – como muitas vezes nós mesmos fazemos em não querer nos encontrar com a Verdade –, mas suas tentativas são infrutíferas. Dessa relação um tanto caótica, e como que “por acaso”, o jovem acaba esbarrando em suas lembranças, guardadas em caixas que ele nunca abriria, graças ao ancião. 

Assim, ao entrar em contato com seu passado, o jovem também acaba lembrando de quem era, do que realmente gostava de fazer, lembra, enfim, de sua vocação. A partir desse momento, a história ganha novos rumos, pois as cores invadem a vida do jovem. A vida ganha novos sabores, novas possibilidades, e ele acaba transportado para dentro de um quadro, pois a arte era sua verdadeira vocação. Esse momento é marcado pelo ancião, feliz pela descoberta do seu amigo, e acaba seguindo-o nessa nova aventura, nesse novo mundo de possibilidades e cores. 

“La cour” pode nos trazer várias reflexões, especialmente sobre convivência e educação, mas por hora, vamos nos centrar em dois pontos: primeiro, que a Vida que levamos é um reflexo de nossos pensamentos e sentimentos, ou seja, das ideias que carregamos conosco. Quanto mais rígida for a nossa mente, mais velhos nos tornamos e isso independe de idade. Os dois personagens principais, o jovem e o velho, eram inversamente opostos, com relação às suas formas de enxergar o mundo, e isso fica perceptível nas demonstrações de humores e comportamentos ao longo dos sete minutos de duração.

O segundo ponto que é interessante abordar aqui é sobre o poder da Arte na vida humana. Ao ter contato novamente com o seu passado artístico, o jovem se reconecta consigo mesmo e com o seu mundo interior, quebrando assim a sua rigidez e iluminando magicamente a sua Vida. O telespectador mais atento perceberá que é a partir daí que surgem os primeiros sorrisos do jovem, e por que não dizer que ressurge um sentido para a sua Vida?

Dizem que a Vida é um livro que precisa ser escrito com os nossos próprios punhos e sob nossa responsabilidade. Se estiver sem cor, sem brilho e sem Vida, que sejamos nós os autores, que assumamos a responsabilidade de colori-la, iluminá-la e energizá-la. Cada capítulo terá uma experiência, um roteiro e vários personagens interagindo conosco. Por trás disso tudo sempre está o objetivo de nos fazer crescer e amadurecer, nos fazer girar as chaves, abrir novas portas e abraçar novas perspectivas.

Além dessa última reflexão, cabe a nós notar também que os senhores alegres e desajeitados que aparecem ao longo de nossa jornada, nada mais são que os empurrõezinhos da Vida, nos convidando a crescer. Muitas vezes, nos parecemos com o jovem do curta, estamos cabisbaixos, imersos em nossa rotina cinza e automática e, por isso, não enxergamos a beleza que é ter esses pequenos avisos da Vida que aparecem em nosso caminho. Muitas vezes, evitamos o contato com pessoas até então “desconhecidas” pelo simples fato de não estarmos dispostos a doar um pouco do nosso tempo e energia para interagir com elas. Porém, o quanto de sabedoria poderíamos absorver se estivéssemos dispostos? Quanto tempo levou até o jovem realmente descobrir o valor da companhia do ancião? Esse somos nós, perdidos em nosso mundo e deixando de enxergar o verdadeiro valor do outro, que muitas vezes nos ajuda a dar um passo adiante em nossa evolução. 

Precisamos compreender de uma vez que a Vida é sempre mais mágica do que racional! O que é uma aparente “coincidência” ou “fruto do acaso” é, na verdade, uma forma inteligente da Vida nos mostrar o que precisamos aprender. Então, vamos trazer essa Arte e essa Magia para os nossos dias? Só depende de nós!

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