Você é uma pessoa que age mais com o coração ou com a razão? Todos nós estamos sujeitos a esses dois aparentes “extremos”, pois, por mais que nos vejamos como seres racionais – e na maioria dos casos até somos –, há momentos em que jogamos toda a razão de lado e agimos com o nosso coração. Agir com o coração, em síntese, é colocar os sentimentos e emoções à frente da lógica. Por exemplo: quem nunca sacrificou algumas horas de sono para poder continuar conversando com uma pessoa de que gosta, mesmo sabendo que no outro dia ficaria cansado pelas poucas horas de descanso? Nesse momento, nossa lógica “racional” não existiu, e fomos conduzidos nossas emoções. Algo semelhante pode ocorrer em momentos de tristeza, raiva e melancolia, quando deixamos de lado nossa mente e pensamos apenas com as emoções que estão à flor da pele.

Como podemos perceber, não é tão simples decidir se agimos com o coração ou com a razão. Pensando nisso, separamos hoje um belo curta-metragem chamado Inner Workings, produzido em 2016 pela Disney e dirigido pelo brasileiro Leo Matsuda. Nesse pequeno filme, Matsuda aborda de forma lúdica, simbólica e profunda, o dilema que todos nós temos entre razão e emoção, ou entre mente e coração, ou ainda entre o jeito lógico e o jeito mágico de se viver. 

Para entender melhor o que vamos abordar no texto, recomendamos que veja esse curta por meio do player que está logo abaixo:

Paul, o personagem principal, é um trabalhador de escritório que vive uma rotina diária bem repetitiva. Todos os dias, indo para o trabalho, ele encontra pessoas se divertindo, na praia, comprando óculos de sol, tomando sorvete; e essa visão lhe causa uma angústia interna, pois, enquanto no coração Paul sente um desejo enorme de viver esses momentos agradáveis, no cérebro, ele cria uma série de obstáculos imaginários como medos, limites de horário etc. O filme, então, ilustra exatamente como seus órgãos internos respondem a essa angústia.

Isso acontece conosco o tempo todo, mas a tendência é não percebermos exatamente como o conflito está acontecendo, pois nossa consciência geralmente está voltada para o mundo exterior. Raramente, paramos para pensar sobre o que acontece dentro de nós quando somos muito metódicos, ou quando fazemos as coisas com alegria e com desprendimento. Cientificamente, já foi comprovado que nosso organismo físico é, em grande parte, um reflexo da nossa psique, e muitas doenças são geradas a partir de um problema psicológico que se manifesta em nosso corpo. São as famosas doenças psicossomáticas. Assim, mesmo que achemos que não há diferença entre o que o que vivemos em nossa mente e nosso corpo, o fato é que tudo está interligado. 

Não por acaso, quantas vezes nos sentimos angustiados e falamos que estamos com um “aperto no peito”? Essa expressão não é apenas poética, mas fisiologicamente sentimos que nosso coração se apequena diante um momento de aflição. Frente a isso, não podemos achar que nosso organismo são apenas partes que funcionam de forma autônoma. A realidade é que uma pessoa é a reunião de várias dimensões acontecendo ao mesmo tempo em um único corpo: células, tecidos, glândulas, sistemas – como sistema respiratório, sistema nervoso, sistema digestivo, entre outros. Além dessa dimensão física, concreta, há dimensões mais sutis, como a das emoções e a dos pensamentos. Nós somos, em certa medida, todos esses aspectos integrados. 

Constantemente, vivemos conflitos entre esses aspectos. Às vezes nosso corpo quer algo, nosso coração quer outro e nossa mente apela para uma terceira escolha. Geralmente, o que o corpo quer é bem grosseiro, como repousar muito, comer muito etc. O que as emoções querem é ter sensações, querem sentir o tempo todo, querem sorrir, chorar, se assustar etc. Já a mente concreta tende a ser lógica, fria e calculista. 

A princípio, parece que essas áreas da nossa Vida são sempre inimigas umas das outras, pois estão sempre em conflito. Mas a verdade é que não são antagônicas, são complementares. Nós somos munidos pela Natureza com um corpo, um coração e uma mente, que são três grandes potências indispensáveis para a realização da Vida. Se essas áreas do nosso Ser estão em conflito é porque está faltando um governo interno para reger todos esses instrumentos.

Na animação, se Paul deixar o cérebro governar, a tendência é sua Vida se tornar tão insuportável que pode o levar a querer o fim da experiência, ou seja procurar um caixão e se trancar dentro dele. Por outro lado, se ele deixar as emoções e o corpo governarem, a tendência também é uma autodestruição. Qual seria a solução para Paul, então?

Antes de entregarmos a resposta, é interessante notar como nos identificamos com Paul. Quantas vezes já não falamos que deveríamos ser mais racionais? Ou o contrário, que deveríamos agir com mais afeto e emotividade? Parece que não conseguimos pensar em um caminho equilibrado, com consciência, em que possamos discernir como usar cada ferramenta em seu momento adequado. Apesar disso, não se trata de igualdade ou de usar 50% do tempo cada uma dessas formas de agir, mas de usá-las, principalmente, a partir de um senso de justiça: dar a cada momento a resposta adequada. Assim,a resposta para o dilema de Paul é que ele terá que governar todos os seus veículos: mente, coração e corpo físico. Ele precisa encontrar um jeito de governar a Vida, ganhar poder sobre as circunstâncias e não deixar ser governado por impulsos físicos, emocionais, ou mesmo por esquemas mentais, como crenças limitantes. 

Como podemos perceber, essa animação da Disney está muito além de um simples entretenimento. Ela é, de fato, uma aula de filosofia, pois nos leva a refletir sobre nossos processos internos, aqueles que não estão ao alcance imediato da nossa visão. E também nos mostra que esses processos são complementares, pois a reunião de todos esses trabalhos internos é o que nos faz existir. 

Diante dessa descoberta, precisamos encontrar dentro de nós um núcleo que dirija todas essas nuances e que não deixe esses impulsos agirem ao seu “bel-prazer”, atropelando as necessidades uns dos outros. Como se faz isso? Como se encontra este núcleo interno que deve governar todas as partes da nossa existência? A resposta é: primeiro vem a Vontade. Querer profundamente encontrar esse ponto de Unidade dentro de si mesmo já é um grande início. É preciso encontrar o sentido de Vida que justifica as nossas ações, desde o acordar, se alimentar, se divertir e trabalhar. Em segundo lugar, é preciso colocar a Vontade em ação, com muita Disciplina. Só assim encontramos o governo interno que tanto precisamos.

Por fim, Inner Workings nos mostra que, mesmo com todas essas “vozes” dentro de nós, e tendo que atender às obrigações profissionais e às questões sociais, que são necessárias para o Ser Humano, é possível viver uma Vida Harmônica e Feliz. Cabe a nós, agora, colocar em prática essa reflexão que acabamos de fazer. Logo, não precisamos seguir somente nosso lado racional ou somente nossas emoções, mas encontrar um ponto de equilíbrio sustentado pela nossa consciência, para que possamos nos sentir um só organismo, uma só vida, um só ser humano. Dito isso, que não haja distinção entre corpo e mente para que, juntos, a razão e a emoção caminhem rumo a sua melhor versão.

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