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Curta “Green Light”: A Amizade e Influência São Capazes de Transformar o Mundo

Tempo de leitura: aproximadamente 8 minutos

Esse é um curta para os amantes da ficção científica. Muitas vezes falamos sobre o meio ambiente e como podemos acabar destruindo o nosso planeta caso não façamos um uso racional dos nossos recursos naturais. Em “Green Light”, nos deparamos com essa realidade, e é da tentativa de reconstruir o mundo e seu ecossistema que nasce uma amizade improvável. Assim, esse pequeno filme emociona pelo idealismo e inspiração que Mari, uma garota que tenta salvar o planeta, possui. 

Produzido em 2016 e lançado somente em março de 2017, “Green Light” conta, entre outros temas, uma história sobre uma garota e um robô. O encontro inesperado ocorre quando Mari adentra em uma antiga cidade que está destruída. Lá encontra uma antiga construção que guarda as sementes de diversos tipos de plantas para que, um dia, alguém as coloque no solo e faça a vida no inóspito planeta renascer. Dentro de sua busca, Mari encontra um robô-soldado ferido, o robô 626. Ela o conserta, e a partir daí começa uma bonita amizade, focada na reconstrução do planeta. O curta deixa a entender que a causa da destruição da vida nesse planeta se deu por uma guerra nuclear, modificando todo o ecossistema e eliminando diversas formas de vida. O robô, uma forma de vida artificial, era o último “habitante” da cidade destruída.

O diretor Seongmin Kim foi uma das mentes que idealizaram “green light” e, em uma de suas entrevistas, o cineasta aponta algo muito relevante acerca do curta e que devemos refletir: “Eu tentei mostrar a amizade entre Mari, uma garota tentando construir um futuro melhor, sem perder a esperança, mesmo na trágica situação em que tudo foi destruído, e um robô que iniciou uma nova vida por causa dela (Mari) e como eles constroem um novo mundo.” 

Quando assistimos ao curta, percebemos claramente as intenções de Seongmin. Mais do que a representação de um futuro apocalíptico, Green Light representa a força da amizade, do sonho e da esperança em uma Terra devastada. Mari se apresenta como uma garota jovial, alegre e disposta ao trabalho. A ideia da juventude representada na garota não é por acaso, pois a jovem, de modo geral, é quem busca a mudança, a transformação, o novo. Assim, para a empreitada em que ela se lança, é fundamental desenvolver ou ter essas características. 

O robô 626, por outro lado, é encontrado em um estado grave, praticamente inoperante. Mari o salva não para que a ajudasse, mas porque sua ação é um verdadeiro ato de bondade, próprio do ser humano que vive suas virtudes. É desse encontro improvável que nasce uma amizade bela entre a máquina e o ser humano. 

Essa questão apresentada em Green Light também nos faz refletir se é possível existir uma amizade desse tipo, afinal, uma máquina apenas responde a comandos e não tem como desenvolver sentimentos. Porém, aqui a liberdade poética do curta nos permite apreciar a beleza e o poder da amizade entre os dois, tão poderosa que a árdua missão de Mari vai sendo vivida dia após dia. O robô deixa de ser um ajudante e passa a ser um verdadeiro companheiro de aventuras, até mesmo nas horas mais complexas. Assim, de maneira singela, Seongmin conseguiu mostrar como, de fato, é a amizade: nos bons e maus momentos, nas adversidades e nas benesses, mesmo quando o outro não estiver presente, a amizade, o elo entre esses dois corações, segue firme.

Trazendo aspectos mais técnicos do filme, além de uma bela mensagem, “Green Light” acumula diversas premiações ao redor do mundo. Assim, a recepção do curta foi aclamada não somente pelos espectadores, mas também pela crítica. Essa é a rara combinação entre uma excelente execução técnica com uma bela mensagem, fazendo com que Green Light seja uma obra de arte.

O que mais chama nossa atenção é, sem dúvida, a protagonista. Mari carrega consigo um propósito de vida: reconstruir o mundo! Sua busca por replantar as sementes que a ganância humana ceifou da Terra leva o espectador a acreditar no renascimento do planeta. Só pode ter um propósito como esse, quem carrega a virtude da generosidade para onde vai. E por tê-la dentro de si, ela consegue pôr esta virtude para fora e entregá-la a tudo e a todos. Ela entrega ao robô-soldado a porta de um cofre que fora arrancada com violência por ele e as plantas que encontra guardadas dentro do cofre. Todas as coisas que ela toca sentem os efeitos dessa generosidade. Tanto que o próprio robô, ao perceber o sonho de Mari, passa a dedicar sua vida para que ele seja concretizado, mesmo quando ela já não está mais lá.

Mas, será que esse curta fala realmente de um futuro possível, porém distante? Que lições podemos tirar dessa animação para nossos dias atuais? Antes de qualquer coisa, é preciso que entendamos uma ideia óbvia: o futuro não existe ainda, ele é como uma porta no fim do corredor, mas que está sempre um passo à nossa frente. O que queremos dizer com isso? Que tudo o que você tem é esse momento presente. Viver com ansiedade e medo pelo que ainda não aconteceu pode nos paralisar. Devemos então, abandonar uma visão do amanhã e focar somente no agora? Vejamos o que Marco Aurélio, o imperador filósofo, nos disse na Roma clássica em duas citações.

“Esta é a marca da perfeição do caráter, viver cada dia como se fosse o seu último, sem frenesi, preguiça ou qualquer fingimento.”

“Que cada coisa que você faça, fale, seja ou pretenda ser, seja como se você estivesse à beira da morte.”

Um olhar desatencioso para estas palavras pode nos fazer pensar que a resposta para a pergunta acima é “sim”. De fato, esse filósofo nos indica que devemos ter a morte como conselheira e não desperdiçar nosso tempo. Mas, o que significa ter a morte como conselheira? Significa colocar sua vida em perspectiva e refletir sobre suas prioridades. Se você morresse amanhã, sua vida teria valido a pena? Cuidado aqui! É comum que ao responder a estas perguntas digamos: não valeu a pena porque não vivi todas as emoções que eu queria! Mas a reflexão é mais profunda. Se o seu dia de realizar a grande viagem acontecesse amanhã, o investimento que a Natureza fez em você teria valido a pena? Você recebeu um corpo, uma energia vital, a capacidade de sentir emoções e de pensar. O que você fez com eles? Tornou o mundo um lugar melhor? Pensando dessa forma, a morte é uma ótima conselheira. Porque, se você acredita que a sua vida é benéfica ao mundo e às pessoas ao seu redor, então basta continuar fazendo as mesmas coisas. Mas se chegar à conclusão de que a resposta é “não”, você deve pensar: “Que bom que percebi isso! Pois ainda tenho tempo de corrigir o rumo da minha história.”

A morte é o futuro de todo ser que vive. Pensar nela é um exercício de imaginação. É bom imaginar o quanto você gostaria que a vida melhorasse depois da sua passagem. Quem faz esse exercício não precisa esperar que o amanhã chegue para viver de acordo com ele. Pode viver hoje o futuro que deseja. Nesse sentido, nós conseguimos pensar no amanhã e usá-lo como propulsor para uma nova forma de vida no presente. Ele não nos paralisará! Nem o temeremos, porque entenderemos que estamos construindo ele hoje. Mari entendeu isso. Além disso, ela não vive reclamando do passado que destruiu o planeta, mas foca no amanhã que terá dias melhores e que deve começar a ser construído desde já. Agindo dessa forma, como já dissemos, essa garotinha muda o mundo a cada ato de generosidade que realiza. E nos ensina, assim, a acender uma luz verde de Esperança.

E o robô 626? Ao contrário de Mari, ele vive sem perspectiva de amanhã. Focado na sua missão, ele não usa o futuro como bússola. Apenas quer atacar ou defender. E usa todas as armas que possui para isso. Muitos de nós vivemos como ele, mecanizados. Acordamos e cumprimos o roteiro que a opinião comum depositou em nossas cabeças, como se fossem linhas de programação. Desde crianças, somos conduzidos a pensar apenas em consumir, ter prazer e se sentir amado. Não pensamos no porquê de fazê-las, nem para que buscamos essas coisas ardentemente. Se refletirmos um pouco, entenderemos o motivo que nos leva a tomar tais atitudes. Não é que realmente tenhamos escolhido isso. É que todo mundo disse que era bom, então vamos seguindo a manada. Somos programados a vida inteira para isso… Assim como um robô.

Alguns de nós têm a sorte de encontrar alguém especial. Alguém que, por ser puro, nos ensina a pureza, que nos ajuda a controlar as armas que usamos nas horas de violência e descontrole. Se necessário, assim como Mari fez com 626, ela nos coloca generosamente amarras nos braços. Não porque nos rejeita, mas porque entende que não sabemos manejar, com justiça e sabedoria, a força que temos. Uma pessoa que nos mostra a vida a partir de um outro ângulo, que nos faz questionar nossa programação mental, que divide seu propósito conosco… E de repente, somos outras pessoas, porém, o que estranhamente sentimos é que nos transformamos em nós mesmos, pois nos tornamos mais humanos e mais felizes.

Se nós encontrarmos alguém assim, devemos tratá-lo como um tesouro, defendê-lo, amá-lo, sentir gratidão e confiar nele. São essas pessoas que chamamos de Mestres. Mas é necessário que nos mantenhamos atentos aos seus ensinamentos. Se abandonarmos seus conselhos e tentarmos agir com nosso “antigo eu”, é possível que sejamos causa de tragédias. Quando um Mestre morre? Quando seus discípulos abandonam suas ideias. Mari ensinou a 626 a não usar sua potência física como arma de destruição, mas como instrumento de generosidade. Quando atacado por seu inimigo mortal, pressionado a escolher entre se manter fiel ao que aprendera com a garota ou voltar a reagir como sua antiga programação mandava, deixou-se por um instante se dominar pela raiva. E isso matou Mari.

Às vezes, esse Mestre é alguém que amamos muito. Às vezes, é um dos grandes Mestres da Humanidade, que deixaram suas palavras ecoando nos livros clássicos. E algumas vezes, podemos escutar a sua voz cantando no fundo de nosso coração, nos ensinando que a verdadeira guerra a ser travada não deve ser contra nossos irmãos, mas sim contra nossos próprios defeitos, para o bem deles. 

Concluímos esse texto dizendo que um Mestre vive para sempre através de sua obra. Da mesma forma que Mari, a luz verde da esperança que um Mestre planta não é uma semente física, é uma semente espiritual que começa a germinar na alma de seus discípulos. Se essa semente floresce, o ideal ao qual ele entregou a sua Vida tem uma chance de nascer, crescer e preencher toda a Terra… E assim se tornar eterno.

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