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Curta “Spring”: O Despertar da Primavera

Tempo de leitura: aproximadamente 6 minutos

A natureza é uma força viva. Não precisamos de muita teoria para constatar isso, afinal, para onde quer que direcionamos nossos olhos poderemos enxergar a beleza do movimento da natureza. Seja nos rios, nas florestas ou até mesmo no ar que respiramos, tudo contém vida e está, quase como num passe de mágica, vivificado. 

Pensar na natureza como um ser vivo talvez seja um passo importante para o mundo atual. Apesar do forte movimento em prol do meio ambiente e do reconhecimento de que não podemos devastar ao nosso bel prazer os recursos naturais, ainda é forte o pensamento de que a natureza existe para servir o ser humano. Essa forma de pensar retira a nossa espécie dessa incrível dança da natureza, na qual cada ser vivo cumpre um valioso papel. Além disso, ainda nos faz crer que podemos utilizar os recursos naturais como se fôssemos detentores vitalícios desses bens, uma vez que somos a única espécie do planeta capaz de moldar tais elementos de acordo com nossas necessidades.

Ainda aliado a esse pensamento, há a necessidade moderna de usufruir cada vez mais dos recursos naturais para a produção de produtos dos mais variados tipos. O resultado dessa forma de viver não poderia ser outra a não ser a aparente superioridade humana diante da natureza e do esgotamento dos recursos naturais, o que já vivenciamos em nossos tempos. Se antes se estimava que o crescimento desenfreado da humanidade poderia acabar com os recursos naturais em alguns milênios, já se percebe que provavelmente dentro de poucos séculos viveremos um verdadeiro pandemônio devido à escassez de recursos.

Dentro desse complexo cenário, como podemos fazer a diferença no mundo? A maneira mais inteligente talvez seja buscar mudar a mentalidade através da qual observamos a natureza. Essa não é uma tarefa fácil, certamente, mas o divertido curta “Spring” nos dá uma boa visão acerca dessa temática.

O curta “Spring” nos mostra a saga de uma jovem pastora com seu cachorro, na qual a protagonista se depara com um cenário tenebroso durante seu trabalho. A floresta, que sempre foi convidativa, passa a ficar escura, gélida e terrível. Ao encarar essa cena, a jovem sente um impulso e vai até o centro da floresta, onde toca um amuleto similar ao do seu cajado, e o amuleto desperta o movimento dos espíritos da natureza.

Escrito por Andy Goralczyk, o curta foi inspirado na sua infância, nas montanhas da Alemanha. A primeira lição que podemos tirar deste curta é quando a jovem faz um ato de reverência ao espírito que despertou e foi em sua direção. Imediatamente, ele a reverência de volta. Claramente, ele é o causador da escuridão na floresta, mas isso não o torna maligno, não o torna grotesco, e não torna menos importante reconhecer o papel dele naquilo tudo. O ato de cumprimentá-lo é um ato de respeito, ela reconhece não só a grandeza dele, mas de que ele está ali por uma finalidade, e é justamente esse reconhecimento que o torna aberto para “dialogar” com ela.

Essa primeira lição do curta nos mostra a importância de reconhecer a natureza como uma força maior que nós mesmos. Por vezes, há atos naturais que nos chocam como um vulcão em erupção, um raio em meio a tempestade, e, em geral, não entendemos tais fenômenos como ruins. São movimentos da natureza, e devemos aprender a respeitá-los para poder viver em harmonia. Assim, de forma simbólica, o gesto de cumprimentar e iniciar um “diálogo” com esses espíritos da natureza mostra a necessidade humana de conhecer e respeitar tais forças.

Seguindo com o curta, o espírito entrega a ela uma “pétala” sua, uma parte de si e curiosamente, apesar dele ser o fator que traz a escuridão para a floresta, ele tem a solução: a luz que ilumina o cajado da jovem. Que curioso, não? O mesmo ser que traz a escuridão, traz a luz. Na nossa vida, isso também acontece, muitas vezes temos que desenvolver alguma Virtude, trabalhar alguma limitação, superar algum medo. E, muitas vezes, nesses momentos, surge algo ou alguém a nossa volta, como um verdadeiro desafio ou uma dificuldade que atrapalha nossos planos, mas que no fundo aparece como um agente que a Vida mandou para nos ajudar a desenvolver mais rapidamente aquilo que precisávamos, sendo o problema e a solução ao mesmo tempo.

Após capturar a “pétala” e firmá-la no chão com convicção, os espíritos se retiram, e com eles, saem as nuvens, as sombras e o frio. O Sol reaparece, a natureza volta a germinar, tudo ganha vida novamente e surge uma nova primavera. As nuvens que bloqueavam a passagem dos raios de Sol e tudo que estava debaixo delas perdem sua energia e vida. Isso também é um símbolo do que pode acontecer em nossas vidas.

Aqui o curta apresenta seu clímax, mostrando o ressurgir da primavera frente ao inverno. Entretanto, para além do ciclo infinito da natureza, que dança em seus movimentos eternos, também podemos entender a primavera no ser humano, afinal, se toda a natureza se renova de tempos em tempos, por que a humanidade também não passaria por esse processo? Basta pensarmos em quantas vezes não deixamos pensamentos negativos, críticas, preguiças e desistências pairarem sobre nossas cabeças, como nuvens pesadas e carregadas, que impedem a energia vital de fluir, mas que ao se renovar e colocar clareza em nossos pensamentos e sentimentos, conseguimos um novo ânimo perante a Vida? Assim como a jovem expulsa as sombras com a luz, nós também temos que expulsar essas nuvens internas iluminando-as com boas ideias, bons pensamentos, bons sentimentos, bons hábitos.

Só que, curiosamente, a primavera não dura para sempre. Essa é a lei dos ciclos, e assim como ela rege a natureza, nos rege também. Nossas nuvens internas depois de um tempo retornarão, e aí caberá novamente a nós mesmos impor esse aspecto positivo sobre o negativo. É uma luta constante que vai e volta, assim como os ciclos. Ao final do curta, ela coloca a pétala numa corda repleta de muitas outras pétalas, o que quer dizer que várias vezes os homens que a antecederam expulsaram as nuvens e sombras, e os que virão depois dela também as expulsarão. Ou seja, isso faz parte de uma tradição, faz parte da Vida!

Mas por que seguir assim? Por que não “matar” logo aqueles seres e parar com esse eterno retorno?

Porque a morte é, para a natureza, somente o começo de um novo ciclo. Tal como uma ilusão de ótica, o fim da vida também se mostra como uma ilusão, e jamais poderemos morrer quando, de fato, tudo faz parte da grande existência. O que chamamos de “morte” nada mais é do que a perda dessa forma física, temporal e própria da matéria. Nosso espírito, assim como os espíritos da natureza, seguem sua jornada ao longo de milhares – talvez milhões – de novas formas de vida, nos mais distintos estados físicos ou espirituais.

Sendo assim, o divertido curta nos ensina não somente a respeitar a natureza e nos inserimos nela, mas também como, de fato, devemos agir perante a Vida. Mais do que isso, “Spring” fala da esperança e renovação dos ciclos, nas quais o pior dos pesadelos pode ser transmutado no mais lindo dos sonhos, assim como o inverno gelado se transforma na bela primavera. Percebendo essas diferenças, entendemos a beleza e necessidade de cada uma dessas estações, tanto na natureza como em nossa própria vida. 

Como sabemos, nossa consciência se desenvolve muitas vezes através do contraste, logo, só sabemos o que é o belo quando nos deparamos com o feio; com a harmonia, quando encontramos desarmonia. E, naturalmente, só saberemos o que é o bem ao contrastar com o mal.  É assim que aprendemos, é assim que nos movimentamos. Portanto, não tenhamos medo das nuvens, dos períodos difíceis e, muito menos, do inverno que habita nossos dias. Sempre poderemos nos renovar e, assim como a natureza, seremos sempre renovados ao longo das estações. Logo, não deixemos que esse belo ciclo morra devido à nossa ignorância e à falsa superioridade. Além disso, deixemos de lado a antiga mentalidade de que a natureza nos serve e passemos a ser os verdadeiros servos dessa brilhante forma de vida que nos cerca a todo momento.

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