Recentemente tive a oportunidade de participar de um jogo de queimado na praia, não lembro quantos anos fazem da minha última partida! O mais curioso desse cenário não foi o jogo em si, mas as pessoas em volta que se detinham para observar o que acontecia. Algumas paravam para assistir o jogo, trocavam uma ou outra palavra e até mesmo perguntavam: “estão mesmo jogando queimado?”.

O que mais me impressionou foi a reação da ‘platéia’. Infelizmente não se vê mais esse tipo de brincadeira, nossas crianças hoje não conhecem estes jogos que fizeram parte da infância dos anos 90 para trás.

E o que houve? Por que as crianças deixaram de brincar na rua? Podemos culpar a violência e o perigo como motivo de tirar as crianças das brincadeiras do meio de rua, o que não deixa de ser verdade. Mas num condomínio fechado, numa cidade mais segura, este “fenômeno” também acontece. Existe outro fator por trás desta mudança na infância e nas brincadeiras, muitas vezes estimulados por pais, tios e avós dessas crianças: o mundo virtual.

Os jogos de celular, tablet, videogame e computador chegaram para tomar todo o espaço das ruas. Qual a graça de se sujar, suar ou até se machucar, se eu posso fazer algo mais mirabolante e explosivo com um controle e uma tela? É uma difícil competição: a rua contra o videogame. As “brincadeiras de rua” exigem imaginação, criatividade, convivência em grupo, fazer novas amizades, lidar com as diferenças… Nada disso é necessário no mundo virtual, os jogos por si só providenciam tudo, gerando férias bem diferentes das de antigamente, igual ao quadrinho abaixo:

Não é a toa que os índices de depressão na infância e adolescência aumentam junto com os novos jogos e videogames… As brincadeiras não eram apenas para entretenimento, elas faziam parte da formação das crianças. Por mais que o mundo virtual nos ajude bastante nos afazeres do dia a dia, inclusive no manejo das crianças, pois consegue deixá-las mais quietas e calmas, não trazem os elementos necessários para a formação correta da infância. Como consequência, elas ficam despreparadas para enfrentar as adversidades da idade e, ao longo do tempo, se tornarão adultos despreparados para a vida.

Tudo o que elas desejam viver no videogame pode ser vivido na vida real: aventuras, desafios, conquistas… Nós só precisamos estar atentos para não estarmos tão mergulhados no virtual quanto elas, e assim, conseguirmos mostrá-las que a vida real ainda é mais valiosa do que a virtual. Então, não basta proibir as crianças de se divertirem nos jogos eletrônico. Nós precisamos ensiná-las com nosso exemplo de vida, que os desafios do mundo real, como o trabalho, a convivência, e até mesmo os problemas que surgem, são grandes oportunidades para crescermos… E a felicidade de sentir que estamos nos tornando seres humanos melhores, é infinitamente maior que qualquer diversão de vídeo game.

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