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 É do conhecimento de todos que o barulho em excesso não pode fazer bem a ninguém, mas os cuidados que devemos ter com o volume e a qualidade do som que escutamos está para além do que podemos imaginar. Além dos já conhecidos e mais do que comprovados danos para a perda da audição, os sons altos e desarmônicos têm sido apontados como causa do desenvolvimento de estresse fisiológico, dividindo esse “título” com o fumo passivo e perdendo apenas para a poluição do ar, segundo estudos conduzidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Morar perto de uma rodovia ou de um aeroporto, por exemplo, pode levar a vários transtornos e até mesmo a graves problemas de saúde. Para se ter uma ideia, uma conversação normal gera em torno de 60 decibéis (escala usada para se medir a intensidade do som), o trânsito ou as turbinas de um jato, em contrapartida, podem gerar entre 80 e 120 dB. Além disso, os males que surgem por conta da exposição ao som alto, só precisam de 70 dB para começarem a agir. 

                                                                                                                                                                                                               Um estudo feito entre 2000 e 2015 mostrou que cerca de 25.000 pessoas que moravam perto do aeroporto de Zurique, na Suíça, tiveram problemas cardiovasculares fatais após o sobrevôo de aeronaves de grande porte sobre suas casas. Infelizmente, todos esses dados são reais e nos fazem parar para pensar que: “Barulho demais pode nos matar do coração.” 

Vamos agora ao outro lado da moeda, até porque, parece que já nos sentimos incomodados só em pensar  em barulho. 

Ao contrário dos malefícios da intensidade e desarmonia do som alto, quando nos expomos a sons agradáveis, harmônicos e dentro dos níveis toleráveis pela nossa audição, os efeitos desta prática são imediatos em nós. Sons da natureza como os barulhinhos da chuva, do vento, do mar, ou ainda o riso de um bebê, a voz de uma pessoa em quem se confia ou a quem se ama, sem falar em uma boa música, claro. 

           Isso ocorre porque frequências sonoras têm a capacidade de influenciar as nossas vibrações cerebrais. Logo, elas podem nos ajudar a sintonizar com sentimentos e estados de consciência elevados, que agem de forma benéfica em todo o nosso organismo. 

Além de não devermos conviver com sons muito altos, precisamos aprender a valorizar e a apreciar o tão importante silêncio, para acalmar e harmonizar as nossas mentes.

É certo que quando temos a oportunidade de nos afastarmos dos grandes centros urbanos, ou de alguma maneira ficarmos pelo menos “protegidos” dos sons muito altos, percebemos uma melhora inquestionável no nosso humor e até no nosso comportamento. Isso se deve única e exclusivamente ao fato de termos conseguido estar “acompanhados” apenas pelos sons naturais, aqueles sons que sempre fizeram parte da existência em toda a criação, tanto os que emanam da natureza externa quanto os que nós próprios produzimos como o som da respiração, as batidas do coração, nossa própria voz, etc. Por isso a importância de prestarmos mais atenção nos ruídos que nos cercam e nos protegermos ao máximo de  todo e qualquer abuso sonoro que possa nos atingir, pois eles nos são muitíssimo prejudiciais.

Mas, nem todos podem fugir para o campo e buscar o silêncio da inocente Natureza. Para esses, há práticas de meditação e mindfullness que podem ser muito úteis. Podem mostrar uma forma de aprender sobre sua própria mente para conviver melhor com ela e silenciá-la.

 O nosso silêncio mental deve ser preservado para que a nossa saúde não seja atingida destrutivamente. Calar a mente, pode abrir os ouvidos para outras partes silenciosas de nossa consciência e nos mostrar toda uma realidade que perdemos entre buzinaços e panelas batendo. É o que a filósofa Helena Petrovna Blavatsky nos diz em seu livro “A voz do silêncio”. Assim, o excesso de poluição sonora é duplamente prejudicial. Nos afeta o corpo e a consciência. Nos estressa e nos desvia a audição para ouvir o que vem de fora. E com isso, perdemos ainda mais a chance de ouvir o que temos dentro.

Segundo essa grande mulher, quando conseguirmos calar essas vozes externas encontraremos a fonte de todos os sons.

“Porque quando para si mesmo a sua própria forma parece irreal, como o parecem, ao acordar, todas as formas que ele vê em sonhos; quando deixar de ouvir os muitos, poderá divisar o Um – o som interior que mata o exterior.”

                Ouça o silêncio e nele a linda melodia que existe em todas as coisas. A nossa paz de espírito só pode ser conquistada quando estamos em sintonia e harmonia com a natureza e seus sons, e eles estão por toda à parte. Se não for possível experimentar o silêncio físico de uma paisagem do interior, busque o silêncio de sua mente, concentre-se no que é real e vive dentro de você, dentro de cada uma de nós. E faça sua parte! Afinal, ninguém precisa ser obrigado a ouvir nossas preferências musicais toda sexta-feira. Vamos prezar pelo silêncio externo e interno juntos?

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