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Todos nós sabemos da importância do Sol em nossa Saúde, quando nos expomos por um tempo razoável e controlado, principalmente, pelos benefícios da vitamina D. Sempre que vemos as entrevistas dos médicos e notícias nas mídias, pensamos em organizar melhor a nossa rotina e horários para aproveitar mais esses ‘banhos de sol’. O problema é que depois nos esquecemos e, dificilmente, integramos esse hábito em nosso ritmo de Vida. Em geral, passamos muito tempo em lugares fechados: escritórios, bancos, shoppings, salas de aulas e ambiente doméstico. Passamos a maior parte da nossa existência dentro de locais que são uma espécie de caixa, seja entre paredes e tetos, seja no carro, no elevador, no restaurante, na Igreja, na Escola, mas que estão, predominantemente, com ar condicionado. Ou seja, ficamos bem distantes do sol. 

Esse afastamento predominante do alcance dos raios solares nos coloca diante de três ordens de perigos: no corpo físico; na alma ou no campo psicológico; e, por uma via simbólica, no campo do Espírito – considerando que o Sol é a representação do que há de maior e mais misterioso dentro de nosso sistema planetário.

No que diz respeito ao corpo físico, a baixa exposição ao Sol tem por consequência a baixa produção de vitamina D. A diminuição nos níveis de insuficiência desse hormônio pode desencadear uma série de patologias, a exemplo de complicações na diabetes, osteoporose, raquitismo (em crianças), obesidade, além da fragilização do sistema imunológico, aumentando o risco de doenças endêmicas, gripes, tuberculose etc.

Além de todos esses riscos diretos, já existem estudos mostrando que a incidência dos raios solares, por um tempo razoável e equilibrado, proporciona um grau de dilatação desejável nas artérias, melhorando o funcionamento do coração e até contribuindo para o equilíbrio da pressão arterial. Por conseguinte, a não incidência dos raios solares sobre a pele pode contribuir para o agravamento de problemas cardíacos.

E de que forma o afastamento do Sol afeta a esfera da alma ou o psiquismo? Existem estudos mostrando que a exposição ao Sol permite a produção de hormônios que contribuem para um melhor estado de humor, como a serotonina, por exemplo. Assim, a não exposição ao Sol inibe a produção de substâncias necessárias aos bons estados de ânimo. Isso associado a outros fatores psíquicos pode levar a estados depressivos, angústias, desânimos, inércias etc. 

Os Gregos costumavam falar do ser humano a partir de três palavras: soma, psique e nous. A primeira se refere ao corpo físico; a segunda, à alma ou à região emocional, onde acontecem todos os fenômenos afetivos; e a terceira, nous, refere-se ao espírito ou à parte mais sutil, misteriosa e elevada do ser. Essas partes são separadas na linguagem a fim de que se chegue a uma compreensão melhor desses aspectos do ser, mas no sentido prático, não estão segregadas, mas intrinsecamente integradas, de modo que a afetação a uma delas, por conseguinte, afeta às demais. Vemos isso em relação à interação do Sol com o  corpo físico: a incidência fortalece o sistema de defesa; melhora o funcionamento cardíaco; e produz hormônios, que melhoram o bom humor, o ânimo e a euforia, e aí já estamos falando de alma. Não teria sentido se essa interação não alcançasse também a dimensão do espírito. Mas de que forma isso é possível?

As grandes tradições da humanidade, a exemplo dos Egípcios, Tibetanos, Maias, Incas, entre outras, viam no Sol a representação física de uma Divindade, em razão de suas características tão soberanas e absolutas. O Sol é, literalmente, nosso Rei. Sua massa corresponde a 99,86% de todo o sistema, assim, todos os planetas, asteroides e massa etérea do sistema solar correspondem a apenas 0,14% de todo o sistema, ou seja, todo o resto é o corpo solar.  Essas dimensões associadas à sua característica fundamental de gerar Vida em nosso planeta levaram essas culturas a visualizarem nesse astro a representação mais próxima que temos do Grande Mistério de todo o Universo.

As nossas demandas cotidianas, nossa luta voraz por sobrevivência e a aceleração da Vida acabam por nos furtar a possibilidade da contemplação desse astro tão Divino e misterioso. É neste sentido que o afastamento do Sol afeta nossos espíritos. Desse modo, quando elegemos um horário do dia, de preferência pela manhã, bem cedo, para uma exposição razoável, equilibrada e consciente diante do Sol, estamos fazendo uma terapia integral, de corpo, alma e espírito. 

Se destravarmos nossa compreensão, com as chaves certas, descobriremos no Sol um verdadeiro milagre, e o que há de mais extraordinário que os nossos sentidos podem alcançar. O encontro dos estímulos dos raios solares com os canais receptores da nossa epiderme é curativo, restaurador e se propaga pelas regiões mais sutis e mais profundas do ser. É assim com os planetas também, não apenas com os humanos.

Esses mesmos raios que nos tocam são os que possibilitam a resistência dos minerais, a fotossíntese nas plantas e produção de Vida nos animais e no ser humano. A capacidade de gerar Vida do Sol é tão surpreendente que, se olharmos para o nosso planeta a uma certa distância, veremos que a faixa que mais recebe incidência solar, a que a Geografia chama de zona intertropical, é a faixa com maior biodiversidade. 

Vivemos em uma lógica tão ferrenha de lucro e competitividade que, às vezes, nem nos damos conta de que a maior dádiva está disponível para todos, sem querer nada em troca. O maior milagre do Sol não é a reposição de vitaminas, nem a fantástica fotossíntese ou a intervenção curativa em nossos estados de ânimo, mas a sua maior contribuição é seu simbolismo. A existência física do sol nos comunica que há algo infinitamente grande no Universo que nos abraça com Amor ilimitado e não espera absolutamente nada em troca. 

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