Você já ouviu falar sobre a Teoria do Multiverso? Se você gosta de filmes de super-herói e tem acompanhado os últimos lançamentos do cinema, talvez já saiba um pouco sobre essa ideia. Essa teoria “quase científica” nos diz que nosso Universo, que já é tido como inimaginavelmente grande, pode ser apenas um entre os milhares de outros universos que existem. Neste sentido, cresce (e muito) a chance de existirem outras formas de vida, vivendo em um outro universo tão distante do nosso planeta que, provavelmente, nunca chegaremos a conhecê-las, mas que, por dedução matemática, é provável que estejam lá.

Muitas informações de uma só vez, não é? Mas não se preocupe, vamos explicar com detalhes, além disso, conversaremos mais sobre essa ideia. Inicialmente, é preciso compreender em que se baseia o multiverso e por qual razão a ciência está buscando desenvolver melhor essa teoria. Portanto, vejamos o que é o Universo.

O campo da astronomia é tão fascinante quanto assustador, visto que tão pouco sabemos sobre o Universo e, ao mesmo tempo, o quão infinito é o conhecimento que ainda nos falta conhecer acerca do cosmos. Basta pensarmos nas cifras astronômicas para nos perdermos em uma infinidade de tamanhos e massas, e percebermos que, no fim, somos um pequeno grão de areia na imensidão desse grande complexo de vida. Para termos um exemplo concreto disso, podemos pensar que o nosso Sol é apenas uma pequena estrela que circunda a Via Láctea, a nossa Galáxia. Esta, por sua vez, é uma das menores galáxias que existem e que compõem um agrupamento de bilhões de outras galáxias, cada uma delas com uma infinidade de estrelas similares ao Sol, com seus planetas e corpos celestes que o orbitam.

Apesar de impressionante, ainda assim esse é um pequeno espectro do que podemos observar do Universo, também chamado de “universo observável”. Essa expressão é usada porque, como podemos imaginar, é provável que tenha uma grande parte do Universo que ainda não tenhamos capacidade tecnológica para vislumbrar, o que nos leva a pensar na hipótese do multiverso. Afinal, se essas cifras astronômicas são demasiadamente distantes e que fogem da nossa capacidade de racionalizá-las, é muito provável que exista uma série de outros elementos que não consideramos ou que, por limitação, não consigamos enxergar.

Para tornar essa explicação mais didática, façamos o seguinte exercício: vamos imaginar que vivemos em um local da terra sem nenhum tipo de tecnologia. Tudo que temos são os nossos sentidos e nossa mente. Como saberíamos, apenas com esses atributos, o formato da terra? E quanto aos outros locais do planeta, suas formas variadas de vida e até mesmo outros seres humanos? A resposta mais óbvia talvez seja, infelizmente, a mais triste: somente com esses recursos jamais saberemos o que, de fato, é o nosso planeta. Não por acaso, até o século XVI o nosso continente, a América, era completamente desconhecida pelos Europeus, pelo menos até onde sabemos. À medida que os europeus desenvolveram uma tecnologia capaz de navegar pelos Oceanos, acabaram, naturalmente, chegando ao “novo mundo”.

Partindo desse paradigma de “não é porque não podemos enxergar algo que ele não esteja lá”, passou-se a deduzir a possibilidade do multiverso. Os filmes de super-herói aproveitaram essa perspectiva e criaram, em seus roteiros, diferentes universos, nos quais seus protagonistas poderiam ter outras formas, personalidades e formas de combater o mal. Porém, o multiverso do cinema não é necessariamente o mesmo que se apresenta na ciência. Se na 7° arte, o multiverso é mostrado no mesmo planeta, com os mesmos personagens, mas com diferenças de personalidade e contextos sociais, na ciência o multiverso representa nada mais do que a possibilidade de existir diferentes planetas similares ao nosso, capaz de comportar formas de vida igualmente semelhantes às nossas, mas não seriam iguais.

Assim, não podemos pensar que há, em algum canto nos confins do Universo, uma “cópia” nossa vivendo em uma terra exatamente igual a nossa e se comportando de maneira semelhante à nossa. Entretanto, se nos debruçarmos sobre a tradição filosófica perceberemos que a ideia de multiverso não está presente apenas nos filmes e na ciência moderna. Giordano Bruno, monge do século XVI, por exemplo, em seus escritos, apontava que existiram outros seres, em dimensões diferentes das que vivemos e que, mesmo em outro “plano”, comungavam de elementos comuns aos nossos. Tais ideias foram fortemente rechaçadas pela Igreja e levou o monge para a fogueira da Santa Inquisição.

Na tradição oriental, também podemos encontrar alguns escritos que podem ser relacionados com a ideia de multiverso. Para os Tibetanos, por exemplo, o Universo que conhecemos, objetivamente físico e composto de matéria, é apenas uma dimensão que compõe a existência. Além desse mundo físico, existiriam outros seis planos, nos quais para nós seriam “invisíveis”, pois sua matéria é tão sutil que não poderíamos detectá-la. Mesmo assim, essas outras dimensões estariam em contato com a nossa, tal qual uma cebola que tem diversas camadas sobrepostas. 

Neste sentido, as diferentes dimensões de um mesmo universo seriam, para nós, uma verdadeira multiplicidade, visto que nas demais camadas sutis habitavam seres, outros tipos de corpos celestes e elementos que poderiam viver próximo e, ao mesmo tempo, distante da nossa própria realidade. 

Os mais céticos, nesse sentido, poderiam dizer que a doutrina Tibetana nada pode agregar ao conhecimento do multiverso e que as suas explicações sobre o cosmos são, no mínimo, delirantes. Entretanto, devemos lembrar que, em diversos períodos da história, o “absurdo” se comprovou como verdade: Galileu comprovou sua teoria Heliocêntrica; Colombo de fato estava certo quanto ao formato da terra. Além disso, se voltarmos o nosso tempo para pouco mais de 300 anos seria impensável dizer que existiriam ondas invisíveis que perpassam o nosso mundo, como as ondas eletromagnéticas. Porém, hoje usamos diferentes tipos de ondas para nos comunicarmos através desse aparelho que está à nossa frente, seja um celular ou um computador. Será, portanto, absurdo pensar que talvez possamos descobrir essas dimensões sutis faladas pelos antigos sábios do Tibet?

Seja como for, um fato continua inalterável: a nossa quase total ignorância quanto à origem do universo e a sua natureza. A beleza assustadora da astronomia nos faz cada vez mais mergulhar no cosmos e seus mistérios, tentando desvendá-los por inteiro. É possível que jamais cheguemos à sua completude, entretanto, tal qual caminhar em direção ao horizonte nunca nos fará chegar até ele, pelo menos esse será nosso motor interno que nos faz caminhar rumo às mais altas descobertas. 

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