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Desde muito cedo aprendemos quão importantes são os nossos sentidos. Através da audição, da visão, do olfato, do paladar e do tato não apenas nos comunicamos com o mundo à nossa volta, mas aprendemos as Leis por trás de cada coisa, além de construirmos a nossa realidade. Entretanto, diferentemente dos demais sentidos, o tato traz consigo uma peculiaridade interessante, pois ele é percebido não apenas num lugar específico de nosso corpo, mas, nas diversas superfícies distribuídas ao longo do mesmo. 

Segundo algumas filosofias orientais, os sentidos carregados pelo Indivíduo fazem parte apenas do seu físico. Pois, para essas tradições, o Ser Humano é composto por várias partes. Assim, cada pessoa tem uma parte física, uma energética, uma emocional e uma mental. A parte física compreende a matéria visível e nos assemelha ao reino mineral; a parte energética é a responsável por toda a nossa energia vital e a qual nos liga ao reino vegetal; já a dimensão emocional, a qual possuímos e desenvolvemos as nossas emoções nos aproxima dos animais, e, por fim, a parte mental é onde podemos desenvolver todo processo de estruturação do pensamento. Portanto, a partir das evidências dessas ideias, quando nos relacionamos com uma outra pessoa, os sentidos, que estão compreendidos na parte física, são apenas a superfície da complexidade misteriosa que há no Ser Humano.

Assim, o que se percebe é que o contato humano transmite muito mais coisas do que os nossos receptores mecânicos e térmicos podem capturar. Quando tocamos alguém fisicamente não estamos nos relacionando apenas com o seu físico, mas também com os seus veículos mais sutis. O tempo todo estamos impactando e sendo impactados por uma dimensão energética, emocional e mental que atravessa as nossas relações humanas diárias. Podemos curar, ser curados, porém, também podemos adoecer e ficarmos doentes por absorver determinados pensamentos negativos ou sentimentos densos.

No físico, podemos sentir um toque em qualquer parte de nossa pele, desde as áreas mais sensíveis até as menos. E mesmo que as pontas de nossos dedos e as palmas das nossas mãos sejam algumas de nossas áreas que mereçam destaque, quem pode deixar de sentir o magnetismo misterioso que há num abraço ou mesmo em um cafuné de uma pessoa querida?

Vale lembrar que a nossa pele é o nosso maior órgão humano, e está repleta de terminações nervosas e receptores capazes de captar os inúmeros estímulos mecânicos, térmicos ou dolorosos. Entretanto, se engana quem pensa que ao ser tocado ou ao tocar alguém só transmite tais estímulos. Por exemplo, vários estudos já apontam os efeitos terapêuticos sobre o corpo e a mente através de um abraço sincero. Há pesquisas que apontam a cura ou a recuperação de pacientes através de seções de toques de parentes mais próximos. Para a ciência, o que acontece é que no abraço ou no toque sincero, o corpo libera um hormônio chamado de oxitocina, substância que traz para o Indivíduo uma série de benefícios como uma sensação de relaxamento, e o controle do medo e da ansiedade ou dos estados de angústias.

E quando o toque vem de alguém mais próximo ou com um vínculo afetivo mais estreito, há indícios de benefícios ainda maiores. Um dos exemplos na literatura médica é o caso do Método Canguru. Tal técnica foi criada há 40 anos por médicos de Bogotá, na Colômbia, para ajudar recém-nascidos prematuros que nascem abaixo do peso normal. A técnica já ajudou a salvar a vida de milhares de bebês prematuros em todo o mundo. No Brasil, a mesma já é adotada em, aproximadamente, mais de 200 unidades do SUS. 

E como funciona? Segundo a Associação Brasileira de Pediatria, o Método Canguru é um modelo de assistência humanizada ao recém-nascido prematuro e sua família, que está internado na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal. Antes da existência dessa técnica, o bebê ficava sozinho sem o contato com a mãe e o pai até se recuperar. A assistência humanizada reúne estratégias de intervenção biopsicossocial e estimula a participação dos pais na unidade de internamento, com o livre acesso e a participação nos cuidados com o filho. O pai e a mãe são orientados a tocar o filho e a realizar a posição canguru recorrentemente. Acredita-se que através do toque materno e paterno, dentre todos os demais benefícios, há um melhor desenvolvimento neurocomportamental e psico afetivo do recém-nascido de baixo peso.

Por fim, é importante que estejamos conscientes de que quando tocamos, abraçamos ou apenas beijamos outra pessoa, estamos agindo e partilhando com o outro todos os nossos fluidos vitais, as nossas emoções e os pensamentos que carregamos conosco pois, só temos condições de partilhar o que temos dentro da gente. Acreditamos que, há que percebermos que um Homem é saudável na sua completude, ou seja, quando existe uma coerência no seu pensar, no seu sentir e no seu agir. Se fizéssemos o exercício diário de ao tocarmos o outro levarmos o que há de melhor dentro de cada um de nós, poderíamos curar e fazer verdadeiros milagres. Existe um conselho do psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung que diz que, até podemos conhecer todas as teorias, dominar técnicas ou ter grandes habilidades, mas ao tocar uma Alma Humana, sejamos apenas outra Alma Humana. Que possamos então seguir esse conselho e nos tornarmos fator de soma na vida das pessoas.

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