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O Mistério por trás de todos nós

Tempo de leitura: aproximadamente 6 minutos

Você já ouviu a frase “somos todos poeira de estrelas”, do astrofísico Carl Sagan? Um dos cientistas mais icônicos do final do século XX, Sagan ganhou notoriedade com seu programa de TV “Cosmos”, principalmente por aproximar o Universo do nosso dia a dia. Suas reflexões sobre a Vida, o Universo e o Ser Humano tornaram-se pérolas preciosas que nos ajudam a entender o valor da ciência e suas descobertas.

Tratando de sua icônica frase, ela remete-se a uma ideia ainda mais profunda e que percorre a história da filosofia: a de que todo o Universo é composto de uma mesma essência. Se voltarmos no tempo, até a Grécia Antiga do século VII a.C. encontraremos alguns filósofos que partilham desta ideia e a formulam de diversas maneiras. Para estes homens a Vida e todos os elementos do Universo seriam diferentes expressões de uma mesma essência, a qual a chamaram de diversos nomes: Uno, Deus, Princípio Ígneo. O nome, tão variado quanto as próprias formas do Universo, pouco importava, mas sim a sua ideia. A partir dela formularam que o Ser Humano era composto da mesma essência que habitava nas pedras, nas plantas, nos animais e na mais longínqua galáxia. 

Entretanto, como não se tinha comprovação dessas teorias, por mais fundamentado que fosse o pensamento desses filósofos, para a ciência atual esse raciocínio não tinha validade objetiva. Porém, a própria ciência em seus métodos acabou por comprovar o que os filósofos antigos já sabiam há mais de 2.500 anos. Em 2017 um grupo de astrofísicos, após analisar mais de 1500 estrelas, conseguiu provar que 97% dos átomos que compõem um Ser Humano também estão nos corpos celestes. Isso significa dizer que os elementos que nos dão a vida e formam o nosso corpo são, em essência, os mesmos que estão formando galáxias, supernovas e sistemas solares inteiros. 

A descoberta dessa semelhança na composição atômica entre nós e o Universo não apenas validou a frase de Carl Sagan e, em algum grau, a ideia dos filósofos antigos, mas nos abriu a possibilidade de refletir sobre o nosso papel no Cosmos e como nos relacionamos com ele. Afinal, o que pode mudar em nosso pensamento a partir dessa descoberta científica?

Considerando nossa história, por muito tempo a Humanidade pensou ser uma espécie distinta da Natureza. Por sermos capazes de utilizar a razão, infelizmente em muitos momentos da história a utilizamos para subjugar outras espécies e moldar ecossistemas de acordo com nossas necessidades. Desse modo, criou-se uma falsa ideia de que somos superiores aos outros seres do planeta e que a natureza estaria ao nosso serviço, para a utilizarmos da maneira que bem entendêssemos. Ao enxergar-nos como donos do planeta e usufruirmos indiscriminadamente dos recursos naturais, acabamos por causar grandes desequilíbrios ambientais e por extinguir espécies de plantas e animais ao longo do tempo. Observando à distância, percebemos que essa mentalidade é prejudicial a longo prazo a nós mesmos, porém ela ainda é muito presente em nosso cotidiano, uma vez que não respeitamos a natureza e, cada vez mais, agimos como donos do planeta e não como partícipes dele. 

A partir da comprovação de que não somos, em essência, algo a parte da natureza e sim mais uma forma de vida que compõe o Universo podemos, aos poucos, superar essa mentalidade utilitarista. Sabemos, entretanto, que essa será uma longa caminhada para a Humanidade e que não ocorrerá “do dia para a noite” essa tomada de consciência. Frente a isso, o que podemos fazer para contribuir com essa nova percepção de mundo?

Primeiramente a mudança deve partir de cada um de nós. Olhar para fora e apontar os erros é uma atitude comum e fácil, ainda mais em um contexto em que os erros cometidos pelo Ser Humano são tão evidentes. Entretanto, em nosso campo de ação só podemos mudar nossas próprias atitudes. Basta, nesse primeiro momento, refletirmos e compreendermos que somos parte de um sistema mais complexo e que, em grande parte, não conhecemos. Nesse ponto a filosofia dos antigos gregos e romanos podem nos ajudar grandemente a tomarmos uma postura de vida mais alinhada com essa nova realidade.

Para os Estóicos, uma corrente filosófica nascida na Grécia no século IV a.C., o Universo podia ser considerado um grande Ser Vivo, e cada um dos elementos que existia nele compunham uma pequena parte dessa Unidade. Assim como em nosso corpo existem milhões de células, cada uma cumprindo com sua função, no Cosmos cada estrela, planeta e habitante desse grande Mistério também deveria cumprir com sua função para a manutenção e sobrevivência desse organismo.

Pensando nisso, para esses filósofos não existia diferença entre uma galáxia, uma formiga e um Ser Humano enquanto essência, pois todos cumpririam um papel na natureza. Assim como a célula do pé não é mais importante do que a célula do estômago, não haveria diferença, em essência, entre cada elemento do Universo, apenas funções distintas que, quando bem executadas, garantem o desenvolvimento dessa existência.

E o que ocorre quando, por exemplo, uma célula ou algumas células começam a querer diferenciar-se das outras e não executar mais o seu papel dentro do organismo? Nesses casos o corpo deixa de ser saudável, ou seja, de estar em equilíbrio, e passa a ficar doente. Chamamos essa doença de câncer, e todos os anos milhares de pessoas morrem dessa enfermidade. Do mesmo modo, se passamos a agir contra o equilíbrio do planeta e, em algum grau do Universo, estamos igualmente sendo células cancerígenas dentro desse grande organismo que chamamos de Terra. 

Essa é a consequência da ignorância, ou seja, da falta de percepção de que somos uma Unidade. Outra consequência comum a partir desse pensamento é a de querermos classificar e determinar o que é melhor ou pior na natureza, rejeitando algumas formas e nos aproximando de outras. Como nos sentimos superiores e, em grande parte, donos do meio ambiente, achamos que podemos definir o que é melhor para o planeta. Entretanto, se  tudo está participando da mesma realidade e, na verdade, expressam uma parte dessa Essência Divina que nos circunda, o que vive em nosso planeta que não é próprio dele? Tal qual um organismo tem em si o necessário para sobreviver, o nosso planeta também tem os elementos necessários para sua manutenção e geração de vida. Assim, do ponto de vista cósmico, não há tanta diferença entre o Ser Humano e uma planta, pois ambos são compostos dos mesmos átomos e vivem sob as mesmas condições.  

Isso não significa dizer que somos iguais as plantas, pois sabemos que não somos. Assim como existem diferentes células, tecidos e órgãos em um organismo humano, também no Universo há diferentes formas que servem a propósitos distintos. Enquanto Seres Humanos, nos diferenciamos do papel dos outros seres, cabendo a nós participar desse equilíbrio cósmico e contribuir para sua evolução. Ao enxergar a vida sob essa ótica, passamos a reconhecer nas outras formas de vida expressões distintas – e válidas – de uma mesma Verdade. 

Visto tudo isso, é de fazer brilhar os olhos a capacidade da ciência de nos mostrar que antigas Verdades, vividas e pensadas por estes homens e mulheres da antiguidade, aos poucos vão sendo reveladas e comprovadas por meio de tecnologia e novos métodos de investigação. Cada vez mais podemos nos aproximar do Universo e perceber que, de fato, não há nada separado nesse imenso Cosmos que pouco conhecemos. Como disse um outro grande amante do conhecimento, o Sir. Isaac Newton: “o que conhecemos é uma gota, o que ignoramos é um Oceano”. Que possamos, portanto, mergulhar neste grandioso Mistério e descobrir que um grande oceano nada mais é do que uma infinidade de partículas de água, juntas, unidas, formando assim uma grande Unidade e que não enxergam diferenças, apenas sua própria Essência. 

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