Isaac Newton ficou para história da Humanidade não só pelo fascinante episódio da maçã que caiu na sua cabeça e os desdobramentos científicos que o levaram à Teoria da Gravidade, mas também por ter encontrado respostas profundas para um grande Mistério até aquele momento: o comportamento da luz e das cores. Naquela época, Newton, ainda jovem e já muito profundo, olhava a Vida para além dos experimentos empíricos. Intuía Leis Universais e as demonstrava através da ciência.

Antes de Newton, Descartes, Roberto Boyle, Hooke e muitos outros cientistas já haviam estudado a questão das cores. A teoria mais aceita naquele momento era a de que a luz do Sol, de cor branca, era manchada pelas outras cores quando objetos causavam interferências. Para termos um exemplo, os fabricantes de óculos da Europa chamavam o arco-íris das cores que apareciam nas lentes de aberração cromática. Era um fenômeno que não se entendia e que muitos tentaram desvendar.

“Não sei como pareço aos olhos do mundo, mas para mim, sou somente uma criança brincando à beira-mar, enquanto o imenso oceano da verdade continua misterioso diante de meus olhos.” (Isaac Newton)

Enquanto ainda era estudante, Newton precisou se ausentar da Universidade de Cambridge por causa da epidemia de peste que assolava o País. Foi durante a quarentena do seu tempo, que resolveu investigar a questão da luz por ocasião de ter ganhado dois prismas comprados na feira da sua cidade natal.

Newton percebeu que a luz da janela criava uma espécie de arco-íris assim que passava pelos prismas. E resolveu então elaborar um experimento que conseguisse demonstrar que a luz branca continha todas as outras cores e não que era manchada por elas.

“Em uma câmara muito escura, em um orifício redondo com cerca de um terço de polegada de largura, coloquei um prisma de vidro através do qual o raio de luz do Sol que entra por aquele orifício poderia ser refratado em direção à parede oposta da câmara e ali formar uma imagem colorida.”(Isaac Newton)

Esquema original de Newton demonstrado o que chamou de “Experimento Crucial”. 1 – obturador (pequeno orifício por onde a luz entra), 2 – lente, 3 – prisma, 4 – tábua onde são projetadas as cores, 5 – orifício para selecionar uma cor e isolá-la, 6 – segundo prisma que recebe a cor isolada e 7 – escrito em latim sobre a descoberta: Nec variat lux fracta colerem, ou seja, a luz refratada não muda de cor.

Isaac Newton abriu um pequeno buraco na persiana da janela da sua casa, permitindo que somente um feixe de luz do Sol invadisse o ambiente, mas alcançando os dois prismas. Algumas das cores passavam pelo primeiro prisma, mas não pelo segundo, mostrando que as cores refratam de formas diferentes. Ele também isolou uma das cores para provar que os prismas não afetam a cor, ou seja, que o vermelho continuava vermelho, o azul continuava azul, mesmo quando a cor isolada passava pelo segundo prisma. Desta maneira ele provou que a cor fazia parte da luz branca e não era resultado de uma interferência dos prismas. Com este experimento, considerado difícil por seus colegas, ele foi provando que a luz branca do Sol continha todas as 7 cores do arco-íris, o espectro de cores.

“Se cheguei até aqui foi porque me apoiei no ombro dos gigantes.” (Isaac Newton)

Newton era um grande cientista justamente porque era humilde diante dos Mistérios da Vida. Vez ou outra encontramos frases suas que retratam esta Vontade de entender as Leis que regem o Universo e ao mesmo tempo mostram um Ser Humano consciente da sua pequenez e do quanto, mesmo assim, poderia contribuir para a Humanidade tentando encontrar algumas respostas.

Hoje, facilmente veríamos este seu experimento com as cores como um caso isolado na Natureza, como algo que somente explica sobre as cores e como podemos obtê-las. Poderíamos passar horas descrevendo o quanto esta descoberta científica possibilitou o desenvolvimento de melhores lentes, de telescópios, etc, etc… Mas sequer notaríamos que se trata da mesma ideia, provada cientificamente, que várias tradições filosóficas já anunciaram há muito tempo ao longo da história da Humanidade: Todo o Universo descende de uma Unidade, um Uno que se manifesta na multiplicidade.

“A unidade é a variedade, e a variedade na unidade é a lei suprema do universo.”(Isaac Newton)

Como o próprio Newton anuncia, todas as cores nada mais são do que uma expressão circunstancial da luz branca, da luz do Sol, assim como cada Ser que existe é uma expressão da Vida Una. Esta é a Lei Universal a que Newton se refere. Nós não conseguimos fazer esta síntese porque separamos demais as coisas para entendê-las, assim a Vida se torna segregada e nos parece sem conexão com nada, da mesma maneira como nos sentimos separados dos outros e da Natureza.

Segregamos inclusive a nossa Vida enquanto pessoas. Por vezes, convivemos com uma multiplicidade de facetas, um eu profissional, um eu familiar, um eu estudante, entre outros. Precisamos aprender com as cores a Arte de Harmonizar esses diferentes “eus”, a fim de compor um Ser Humano único, assim como acontece com a luz branca da experiência de Newton. Quando conseguirmos reunir todas as nossas facetas em uma Identidade única chegaremos a esse nível de Unidade que só as cores refletem.

“Construímos muitos muros e poucas pontes.” (Isaac Newton)

Só através de um olhar profundo sobre a Vida é que conseguimos perceber que Tudo está conectado. Esta capacidade de síntese é própria de um Ser Humano Sábio ou que, ao menos, busca a Sabedoria, pois quer ver a essência da Vida e não somente a sua aparência superficial, contempla a Natureza como ela é em busca da Verdade, não em busca de meramente comprovar seu ponto de vista. Somos todos partes deste imenso Corpo chamado Universo. Somos como cada uma das cores deste espectro de arco-íris, momentaneamente separados, mas em essência oriundos de uma única fonte.

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