Você provavelmente já pensou sobre essa questão, afinal, é bastante comum nos questionarmos se a vida que levamos tem, de fato, um sentido ou um propósito específico. Muitas vezes passamos por dificuldades dos mais variados tipos em nossa existência e quando ficamos aflitos, sem compreender o que essas experiências podem nos ensinar, costumamos achar que a vida é um puro jogo do acaso e que nessa grande loteria cósmica, alguns são afortunados e outros padecem sob o azar.

Porém, pensemos um pouco sobre isso. Quando nos revoltamos com a vida e não encontramos sentido para as nossas experiências é comum ficarmos frustrados, tristes e nesse momento não pensamos de forma racional. Pior que isso, não estamos nem abertos a refletir com sinceridade sobre o assunto e nossa opinião, influenciada pelas emoções que sentimos, pode forjar uma convicção inquebrantável sobre o assunto. 

Comecemos olhando para a natureza, pois nela há toda a expressão de vida que podemos conceber. Se observarmos atentamente, perceberemos que todos os ecossistemas funcionam em harmonia, com cada ser atuando para sua sobrevivência e contribuindo, direta ou indiretamente, para a manutenção daquele ambiente. Pode-se perceber que todos os animais e vegetais desse ambiente nascem com uma finalidade específica e sua sobrevivência se dá à medida que realizam seus papéis no cosmos. Todos eles estão sujeitos à sua própria natureza e às leis que regem o Universo. 

Levando essa perspectiva para o Ser Humano, também chegaremos a conclusão de que fazemos parte da natureza e estamos sujeitos às suas leis. Contudo, nos parece difícil encontrarmos o sentido para nossas vidas e muito menos alguma finalidade transcendente para estarmos aqui. Essa dificuldade nos faz acreditar que a vida é, em última instância, um jogo de dados aleatórios e que o fato de existirmos é apenas puro acaso. Nessa forma de pensar, o destino não passaria de um conforto psicológico para continuarmos seguindo nossas vidas da maneira que fazemos todos os dias.

Esse pensamento não está correto e diversas doutrinas e ciências tentam nos provar isso. Vamos começar compreendendo o destino a partir do ponto de vista da ciência. O físico Pierre Simon Laplace, nascido na França do século XIX, uma vez formulou a seguinte hipótese: ao conhecermos como funciona uma lei da física, podemos determinar como ela age sobre a matéria. Se isolarmos as outras leis e considerar apenas essa, poderemos prever tudo que acontecerá ao corpo que está submetido a essa lei. Desse modo, se o Ser Humano for capaz de conhecer todas as leis do Universo e saber exatamente como elas atuam, é possível prever o que irá acontecer com um objeto. 

Essa ideia ficou conhecida como “demônio de Laplace”, pois o físico imaginava que apenas um ser sobrenatural poderia ter tal conhecimento, e por saber tanto esse “demônio” poderia saber o destino de qualquer coisa no Universo. Mais impressionante do que a imaginativa hipótese de Laplace é a constatação de que a vida poderia ser previsível, ou seja, de que bastaria conhecer todas as leis do Universo para comprovarmos que o destino existe. 

Desse modo, a perspectiva de Laplace se encaixa no que chamamos de “determinismo científico”. Isso pressupõe que, ao conhecermos um saber, podemos determinar suas causas e efeitos, tornando-o previsível e tendo um futuro pré-definido. Porém, a perspectiva sobre o destino perpassa outros campos do conhecimento como a filosofia e a própria religião.

Dentro do campo teológico, é comum observarmos questões referentes ao destino. Entre os cristãos protestantes, por exemplo, uma das principais discussões entre os estudiosos dessa corrente religiosa é o fato da vida humana ser predestinada ou não. Em poucas palavras, a grande dúvida é se a humanidade possui livre-arbítrio ou se tudo já foi determinado por Deus, uma vez que ele é, em síntese, onipresente e onisciente. Tendo essas duas características, Deus não somente está em tudo, mas sabe de tudo e por isso já sabe quais serão as nossas escolhas, mesmo que achemos que estamos, de fato, escolhendo.

Considerando esse ponto de vista, é importante atentarmos para a ilusão que essas ideias podem nos trazer. Uma delas é a de que esses dois conceitos – destino e livre-arbítrio – são opostos. Na filosofia hindu, por exemplo, podemos encontrar uma profunda ligação entre os dois, sendo os verdadeiros motores da evolução do Universo. De modo resumido, fala-se no hinduísmo que nosso destino é imutável e é o caminho de realização do Ser, também chamado de Dharma. Entretanto, ao longo dessa trilha de evolução, estamos sujeitos a erros, deslizes e sofrimentos devido ao nosso livre-arbítrio, afinal, se somos livres para escolher, podemos compreender que o erro em alguma decisão seja natural. Sendo assim, possuímos o livre-arbítrio para decidir quais experiências viveremos, mas continuaremos na trilha da evolução, caminhando para o nosso destino.

Nesse sentido, o que chamamos de “destino” é, em resumo, uma consequência das leis que regem o nosso Universo. Logo, também somos partícipes dessa verdade e precisamos entender que viver sem conhecer essas leis pode nos gerar consequências terríveis e, consequentemente, estaremos destinados ao sofrimento. Se observarmos por esse lado, entenderemos que o destino é somente o resultado das nossas ações e, portanto, não há dúvida de que ele existe. 

Seja a partir do determinismo científico ou pela visão religiosa, é custoso aceitarmos a ideia de que toda a harmonia universal, seja no cosmos ou no nosso planeta, sejam frutos de uma análise combinatória improvável, mas que ocorreu na Terra. Nos parece fazer mais sentido, enfim, que a ideia de “destino” realmente faça parte de uma lei da natureza, em que cada ser – vivo ou não – tem um papel a cumprir, e esse estaria baseado em sua própria natureza, tornando-a o mais alto expoente daquela expressão que a natureza forjou. Partindo dessa ideia, por exemplo, o destino do gato é ser gato, e ele o fará da melhor maneira possível; o do girassol é ser girassol e o do Ser Humano é se tornar um Ser Humano por excelência. 

Nossa confusão se alastra quando falamos desse assunto nesse momento, uma vez que não temos uma visão nítida do que venha a ser um verdadeiro Ser Humano. Podemos dizer superficialmente que um “Ser Humano” é, antes de tudo, um ser com habilidades únicas na natureza. A razão, por exemplo, é um privilégio que somente nossa espécie produz e graças a isso fomos capazes de criar foguetes, computadores, templos, hospitais, salas de aula e demais aspectos objetivos e subjetivos que compõem nossa sociedade. De fato, não resta dúvidas de que para esses fins o Ser Humano tem usado – e muito bem – a sua mente; infelizmente, porém, na maioria das vezes, o faz de forma errada e coloca seus interesses pessoais à frente do Todo. 

Talvez essa seja a razão da nossa falta de realização interna, pois acabamos nos voltando para nós mesmos e destinamos nossa grande capacidade racional, nossa verdadeira singularidade, enquanto Seres Humanos, para os nossos próprios interesses. 

No fim, é provável que o nosso destino seja a realização de nossa plena natureza humana. Isso não significa nos tornarmos seres racionais por excelência, similares robôs que estão programados para realizar as suas tarefas e não possuem sentimentos. Acima de nossa mente egoísta, talvez seja necessário forjar uma nova “mente”, despoluída dos interesses pessoais e com um forte caráter altruísta. Para tanto, precisamos dedicar a nós mesmos o tempo da melhor forma possível a fim de conhecer profundamente nossa natureza e aplicá-la na vida. 

Para fechar o que abordamos até aqui, talvez, ao fazermos essa válida tentativa de mergulhar em nós mesmos, poderemos encontrar respostas sobre o nosso destino nessa existência. Para os mais ousados, que se arriscam a dar mergulhos cada vez mais profundos no oceano que somos, é possível que aprendam que o destino não é, necessariamente, uma linha de chegada, mas talvez seja o ponto de partida para uma nova etapa de nossa existência. 

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