Quantas vezes você já admirou o céu estrelado? O céu noturno é um dos espetáculos mais belos da Natureza e desde que o Ser Humano caminha sobre a Terra encanta-se com sua Beleza. Não é para menos, os milhares de pontos luminosos que chamamos de estrelas iluminam nossos caminhos e podem ser usados como um guia em nossas jornadas, porém, essa é uma Arte cada vez mais rara em nosso tempo. 

Para enxergarmos as estrelas e apreciarmos seu esplendor geralmente precisamos sair de nossas cidades e nos dirigirmos a um lugar mais afastado, com pouca luz. Uma praia deserta, uma fazenda distante ou uma montanha são, de maneira geral, locais que nos propiciam esse tipo de experiência, mas não estamos acostumados a fazer isso. Assim, da janela de nossos quartos admiramos as poucas estrelas que ainda conseguem mostrar seu brilho mesmo com as luzes de nossas metrópoles. Entretanto, nem sempre vivemos dessa maneira.

A maior parte da história humana se deu sem energia elétrica e, consequentemente, sem a abundante iluminação que temos hoje. Assim, as estrelas e a lua proporcionavam não apenas uma bela vista a ser admirada, mas eram as responsáveis por iluminar a Terra quando o sol se punha. Frente a isso, olhar as estrelas e criar pontos de referência tornou- se uma necessidade humana que ajudou a navegação, e também ajudou a produzir cultura em seus mais distintos aspectos. Não por acaso, as antigas civilizações como os Sumérios, por exemplo, foram responsáveis pela criação de Zigurates, estruturas colossais que serviam como templos e observatórios para estudos astronômicos. Além deles, gregos, romanos, egípcios e os povos pré-colombianos também buscavam nos astros respostas e formas de guiarem-se, tanto fisicamente como espiritualmente.

Desse modo, a partir das observações e da necessidade de compreender os Mistérios da Natureza, a astronomia foi desenvolvida. Um dos principais papéis dessa ciência era compreender melhor o movimento dos corpos celestes e classificá-los, fazendo assim um “mapa” celeste em que as pessoas pudessem usar como ferramentas de localização. Sendo assim, a criação das Constelações não foi fruto do acaso ou de uma “brincadeira” de ligar pontos, mas um método sistemático de classificação e interpretação do que significava aqueles pontos luminosos em meio à escuridão.

Sobre esse ponto vale a pena refletirmos um pouco sobre a relação do céu e da terra para as antigas civilizações. É recorrente na antiguidade a percepção de que a terra e o céu são complementares, uma dualidade aparente mas que estão intimamente ligados. Na mitologia egípcia, por exemplo, os Deuses Geb e Nut – respectivamente, terra e céu – são um casal, e de sua união geram-se os principais Deuses do Egito: Osíris, Ísis, Seth e Néftis. Desse modo, nota-se que para esses homens e mulheres do mundo antigo não havia uma separação entre esses planos, mas ambos participavam e se relacionavam diretamente. A partir dessa ideia surgiu, ainda na Suméria, ciências como a astrologia, que busca investigar a influência dos astros em nosso dia a dia. 

Como sabemos, essa não é uma ideia única dos Sumérios, pois na Índia Antiga também desenvolvia-se um tipo de astrologia que relacionava diretamente as estrelas e Constelações com nossa vida. Nascemos sob uma conjunção de estrelas e elas, como um espelho do mundo terreno, guardavam segredos e detalhes acerca de como nossa vida seria. 

As constelações tornaram-se fundamentais na vida cotidiana das pessoas. Se hoje, por exemplo, há pessoas que precisam ler o horóscopo do dia para alinhar suas atividades diárias, na antiguidade o seu mapa astral era algo que podia definir um bom ou um mau casamento, uma vitória ou uma derrota em uma guerra e até mesmo acordos políticos. Sendo assim, podemos dizer que o papel delas na formação das antigas sociedades vincula-se em diferentes aspectos, pois permeia a Ciência, a Arte, a Religião e diversos aspectos culturais.

Para além desses elementos, as Constelações tinham um papel transcendental dentro dessas culturas humanas. Por meio delas era possível “comunicar-se” com os Deuses. Se entendia que para além das estrelas visíveis, podia-se sentir a energia e a presença dos Deuses a partir dos diversos fenômenos astronômicos como eclipses, passagens de cometas e etc. Além disso, o estudo das Constelações e o movimento dos corpos celestes seriam sinais Divinos interpretados por oráculos e sacerdotes. 

Outro ponto interessante quando estudamos sobre o assunto é notar que o nome das constelações e suas características se apresentam de diferentes maneiras em diferentes culturas. Tomemos como exemplo a Constelação de Orion, uma das mais famosas e observáveis no nosso hemisfério. Usualmente a conhecemos por esse nome advindos da tradição grega, que considerava Orion como um grande caçador em seus mitos. Entretanto na religião cristã essa Constelação é conhecida pelas “três marias”, as estrelas que ficariam no “cinturão” desse guerreiro mitológico. E se formos mais a fundo, no Antigo Egito o nome dessa constelação era Osíris, o Deus do mundo dos mortos. As pirâmides de Gizé, inclusive, foram construídas para alinharem-se com o cinturão de Órion (no caso, Osíris), pois os egípcios acreditavam que a pirâmide canalizaria a Vontade do Deus, facilitando o acesso ao Mundo dos Mortos para os faraós que ali foram sepultados.

Apesar de possuírem diferentes nomes, de acordo com seu tempo e civilização, as Constelações passaram por uma padronização no início do século XX. Com a astronomia tornando-se uma ciência moderna, ou seja, sendo estudada a partir do método científico, foi necessário uma padronização dos nomes e catalogação das Constelações. Desse modo, em 1929 a União Astronômica Universal mapeou 88 regiões, sendo a maior parte delas associada à mitologia grega. A escolha por utilizar a nomenclatura grega se deu, em parte, pela proximidade dessa cultura como “berço” da Civilização Ocidental e também pelos avançados estudos astronómicos desenvolvidos na Grécia Antiga. De acordo com os novos padrões, uma estrela não pode fazer parte de duas Constelações – o que era comum na antiguidade – e cada Constelação está dentro de um quadrante do céu, formando, de fato, um mapa celeste.

A astronomia, por fim, revela-se como uma ciência que faz parte da vida humana desde seus primórdios. Não há como não encantar-se com os Mistérios que os corpos celestes carregam e, direta ou indiretamente, eles nos influenciam à medida que nos fazem refletir sobre o nosso papel no Universo. É provável que daqui a muitos milênios ainda continuemos a olhar para as estrelas e imaginar o que há por trás desses pontos luminosos que estão tão distantes de nós. Cabe-nos, enfim, apreciar o Mistério do Universo e investigar, cada um a seu modo, como podemos nos relacionar com elas e entender um pouco melhor sobre sua natureza e os efeitos que tem sobre nós.

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