O Ser Humano tem sede de conhecimento. Seja observando nosso comportamento ou descobrindo uma tecnologia revolucionária, queremos melhorar e conhecer cada vez mais. Essa necessidade não é de hoje, basta olharmos para as antigas civilizações e percebermos seu vislumbre por buscar conhecer as estrelas. Desde sempre, os Seres Humanos olharam para as estrelas em busca de respostas e até mapearam os céus para compreender o movimento dos astros.

Hoje podemos olhar para as mais distintas áreas do conhecimento com o mesmo vislumbre, pois queremos desvendar os Mistérios por trás de cada aspecto da Vida. Há séculos nos debruçamos para compreender os mares e oceanos, ainda que saibamos tão pouco sobre os animais que habitam suas profundezas. Observando pelo aspecto histórico, somente no século XIX o estudo dessas gigantes porções de água começou a ser sistematizado, sob o olhar da ciência. Entretanto, na Grécia Antiga já se buscavam compreender o que havia para além dos Mares da região dos Balcãs. 

A palavra Oceano, inclusive, vem do grego “okeanos” e significa “grande rio”. Isso porque os antigos gregos, ao tentarem explorar regiões para além do Mar Mediterrâneo, se depararam com fortes correntes marítimas, tal qual a correnteza de rios, completamente diferente do calmo e navegável mediterrâneo. A falta de uma embarcação que pudesse navegar frente a essa grande corrente fez com que os gregos imaginassem que essa região deveria ser habitada por monstros marinhos, o que aconteceu também durante a Idade Média.

É somente no século XV, a partir das grandes navegações, que a exploração do Oceano se torna uma realidade. A costa do continente africano passa a ser conhecida, assim como novas ilhas e a possibilidade de uma rota marítima para as Índias. Junto a isso, a experiência da navegação ultramarina possibilitou um melhor mapeamento do mundo, com o descobrimento, do ponto de vista europeu, das Américas. 

Apesar de finalmente lançar-se ao Oceano e a seus Mistérios, o foco dos grandes exploradores do século XV era muito mais comercial do que científico. A bem da verdade, esses homens não estavam preocupados com a investigação de espécies e como se dava a vida nesse novo ambiente. Por isso que não podemos falar que a Oceanografia começou nesse período, apesar de ter sido um importante passo para o desenvolvimento dessa área do conhecimento.

Quanto a essa questão é interessante refletirmos sobre a importância dos inícios. Quando pensamos em nossa história pessoal, por exemplo, raramente lembramos da importância que foi, um dia, começarmos algo: um projeto novo, uma profissão ou um curso. Geralmente lembramos apenas do ápice, o momento em que conquistamos o que, lá atrás, iniciamos. Nesse exemplo, o dia que nos formamos ou conseguimos uma promoção  ou mesmo quando nosso projeto de anos começa a render frutos. Olhamos com prazer para o resultado e, por vezes, esquecemos do esforço inicial que possibilitou todo o resto acontecer. Por isso, antes de chegarmos ao que chamamos de Oceanografia é fundamental compreendermos a relevância das Grandes Navegações. 

Uma vez conquistadas as rotas marítimas, os séculos seguintes foram dedicados a construir um conhecimento sólido sobre essas “estadas ao alto mar”: mapearam-se ilhas, construíram-se portos, colônias e uma série de mapas para auxiliar a navegação e para sabermos, cada vez mais, sobre o que existia na superfície da Terra. A partir do século XIX, entretanto, a busca por conhecer o que habita o Oceano passou a ser uma das tarefas da ciência.

Se pudéssemos definir o século XIX em uma palavra essa seria “Ciência”. Em todos os campos do conhecimento o método científico passou a ser utilizado, além de uma busca incessante de catalogar e criar experimentos para explicar o mundo. Neste século surgiram grandes cientistas como Charles Darwin e sua teoria da evolução, feita a partir de estudos de espécimes marítimas e outros animais. Portanto, o surgimento da Oceanografia nesse contexto não é nada inesperado, sendo uma consequência de uma mentalidade voltada para a busca por respostas. Frente a isso, o escocês John Murray foi responsável, em 1872, por lançar-se ao mar por três anos e chefiar uma das maiores expedições marítimas: a expedição Challenger. A empreitada percorreu mais de 100 mil km e navegou por todos os Oceanos, buscando respostas no fundo do mar. Seu feito foi marcante para época – e até hoje – pois tornou-se um marco para os estudos da Oceanografia.  

O nome “Challenger” veio do principal navio que ajudou na missão, o HSM Challenger da marinha britânica, mas se você está achando esse nome conhecido, é porque ele é. Outros dois grandes feitos da Humanidade, dessa vez no espaço, também foram batizados com o mesmo nome: o ônibus espacial Challenger e o módulo lunar da Apollo 17, que pousou na superfície da Lua. Ambos foram homenagens à missão exploratória de John Murray, mostrando a relevância do seu trabalho para a ciência, não apenas para a Oceanografia.

Ao todo, a expedição de Murray fez mais de 350 sondagens no Oceano, a partir do sistema de dragagem, ou seja, da sucção de material acumulado no fundo do mar. Com isso foi possível recolher amostras de animais, corais, vegetação, tudo para a catalogação e estudo de espécies nunca antes vistas pelo Ser Humano. Além disso, uma das sondagens da Challenger chegou ao ponto mais profundo que conhecemos do Oceano, que é pouco mais de 8 km. Somente em 2020 conseguimos chegar até 11 km de profundidade no Oceano, o que mostra que a Challenger conseguiu um grande feito, visto a tecnologia limitada para esse tipo de estudo em pleno século XIX.

Ainda mais impressionante – se é que podemos elencar dessa maneira – do que a viagem de três anos, foi o tempo que levou para se analisar e catalogar todo o material recolhido pela expedição Challenger: 23 anos. A expedição descobriu centenas de novas espécies, de crustáceos a novas categorias de tubarões. Após essa grande investigação científica, a visão sobre o Oceano foi alterada: de gigante desconhecido, rico em lendas e fantasias, passa a ser um ecossistema vivo e fundamental para compreensão Humana. 

Nesse ponto começamos a mergulhar no Mistério que vive debaixo das águas. Certamente ainda conhecemos muito pouco do que há nas profundezas do Oceano, tão pouco que dizem alguns que sabemos mais sobre o Universo do que sobre as espécimes que vivem nessas águas profundas. O fato é que queremos conhecer e graças a esse impulso, misturado com a ousadia e resiliência destes profissionais é que podemos saber, aos poucos, o que há para se descobrir desse valioso Mistério. 

Mais uma vez devemos ser gratos e reconhecer a importância dos inícios: hoje nossa tecnologia permite utilizarmos diversas formas de sondar as profundezas do Oceano, mas nada disso seria possível sem a dedicação e sacrifício destes homens e mulheres. Ao longo dos séculos eles pavimentaram a estrada que nossos Oceanógrafos e biólogos percorrem diariamente. Assim caminha a ciência e como diria Isaac Newton: “se pude enxergar mais longe é porque me apoiei no ombro de gigantes.”

Exemplos como o de John Murray e sua expedição são inspirações para que não nos falte a Coragem e a Vontade necessárias para nos dedicarmos a entender o mundo ao nosso redor. E que possamos, por fim, mergulhar cada vez mais fundo e descobrir os Mistérios que o Universo guarda. 

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