A vida funciona em ciclos. Não precisamos refletir muito para chegar nessa conclusão; afinal, os dias e noites se sucedem, e as estações são provas vivas de que a Natureza possui uma inteligência em que a cada momento exercita ou expressa algo distinto. Assim, há o momento de florescer, do desabrochar, da maturidade e da finitude. Enquanto uma estação assume o palco da vida, a outra se prepara nos bastidores, e nesse ritmo infinito o tempo passa, as gerações nascem e morrem, e caminhamos.

Nessa mesma perspectiva podemos perceber que a lei dos ciclos impera na vida humana. Nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e um dia, que não sabemos qual, iremos morrer. Porém, dentro desse grande ciclo da vida humana, há, sem dúvida, inúmeros pequenos ciclos diários com que precisamos lidar. Quem de nós nunca ficou esgotado após um trabalho exaustivo? Não falamos apenas do esgotamento físico, muitas vezes advindos não só de uma rotina de horas executando uma tarefa, mas também do cansaço mental que cada vez mais é uma realidade em nossas vidas. Muitos dos nossos trabalhos não exigem necessariamente um esforço físico, pois no mundo atual as máquinas, em grande parte, já cumprem com esse papel. Entretanto, há a percepção de que a humanidade nunca esteve tão exaurida em sua rotina, com uma série de sintomas físicos e psicológicos que refletem esse esgotamento de nossas energias.

É inegável que vivemos tempos de muita produção. O avanço tecnológico encurtou as distâncias, tanto a nível de deslocamento quanto a nível de comunicação, o que aumentou – e muito – as nossas possibilidades de trabalho, a conexão e as novas formas de se relacionar. As vendas online se multiplicaram, os sistemas de entregas de mercadorias estão se tornando cada vez mais velozes, as videoconferências estão se tornando um hábito e as pessoas se comunicam a partir de qualquer ponto do planeta em tempo real. As atividades nas redes sociais se elevaram a potências muito altas. Todo esse avanço nos leva ao limite máximo da produção: estamos sempre ativos, as noites são mais curtas e os dias mais longos. Passamos muitas horas no computador, no celular, sempre em contato com milhares de pessoas. Vivemos um ritmo inimaginável para uma geração de três décadas atrás.

Dentro dessa lógica, acabamos saindo um pouco do ritmo natural da vida diária. Se até pouco tempo atrás – cerca de 100 ou 200 anos – existia um limite muito claro entre o momento de produzir e o momento de descansar, hoje essa linha tênue deixou de existir e todos nós, em algum grau, vivemos para trabalhar e desaprendemos a como controlar o nosso cansaço, ou melhor, como verdadeiramente descansar. A consequência imediata dessa aceleração se chama fadiga, cansaço, exaustão. Os olhos cansam, a coluna reclama, os ombros ficam tensos, mas a necessidade de dar conta do trabalho é maior. A sobrevivência neste mundo de tecnologias tão avançadas requer muito de cada um de nós. Diante desses fatos, o que fazer quando precisamos dar conta da Vida, mas o corpo e a mente estão cansados? Existe alguma técnica que pode nos ajudar a lidar de maneira inteligente com o cansaço, administrando-o de forma saudável e potencializando mais nossas energias?

A resposta é sim. A ciência vem fazendo novas descobertas nessa área. Há uma pesquisa da Universidade de Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que vem descobrindo como o nosso cérebro se comporta quando precisamos encarar grandes esforços e superar a fadiga. Isso é muito novo nos estudos sobre cansaço físico. Essa perspectiva é nova, pois antigamente se estudava esse assunto por outro viés.

Em 1922 um cientista chamado Archibald Vivian Hill ganhou o Nobel de Medicina pelas suas pesquisas sobre o funcionamento dos músculos durante as atividades físicas. Entre suas descobertas, havia uma que nos levava a entender que o cansaço físico está associado ao aumento de ácido lático. O corpo não usa todas as fibras musculares disponíveis durante o exercício prolongado, levando a uma perda de reservas de carboidratos e de moléculas produtoras de energia para as células. Mas as descobertas mais recentes estão superando as descobertas de Hill, detectando causas que antecedem a resposta dos músculos à fadiga. Essas causas estão no cérebro. A disposição com que administramos as mais diversas atividades da Vida é a responsável pelo estímulo que o cérebro manda para os músculos, e só então inicia-se esse processo que Hill descobriu. 

É claro que esses novos estudos ainda estão em andamento, mas nós, que não somos cientistas, estamos atentos para onde a ciência está apontando. Já pegamos este sinal e começamos a conduzir nosso autoconhecimento nessa direção. Observe que os nossos cansaços estão muito relacionados à nossa disposição mental, ao jeito como pensamos a Vida, como nos relacionamos com os problemas. Um dia você briga com o namorado ou namorada e, no outro, já se sente esgotado e não consegue ter tanta produtividade. Veja que isso não tem nada a ver diretamente com os músculos. Outro dia você agarra um projeto para só largar quando terminar; depois da quarta ou quinta hora ininterrupta trabalhando sobre aquilo, você não aguenta mais e seu corpo fica abatido. Veja que isso também não tem nada a ver com os músculos. 

É bem perceptível que o cansaço vem da forma como fazemos as coisas. Se nesse mesmo exemplo do projeto, você a cada uma hora parasse e fizesse algo diferente, tipo lavar os pratos, ou trocar um garrafão de água, ou esvaziar um cesto de lixo, ou mesmo um alongamento, essas atividades intercaladas, esse ritmo e contrarritmo, não prolongariam mais a sua disposição? Tenha certeza que sim. Essa é uma dica prática que muitos especialistas aconselham: você descansa de uma atividade realizando outra de natureza diferente, e isso o torna mais produtivo. 

Considerando esse aspecto, devemos inicialmente analisar a nossa rotina e tentar encaixar diferentes tipos de contra ritmos em nossa vida. Se, por exemplo, passamos muitas horas exercendo uma atividade intelectual, que exige leitura, preparação de aula, conteúdo ou algo similar, é interessante que tenhamos tempo para realizar uma atividade física. Achar brechas em nossa rotina para essas atividades não se tratam apenas de uma questão de saúde física, mas também de nos ajudar a efetivamente descansar nosso cérebro e colocar nosso corpo em movimento.

O contrário também é real: se em nossas atividades básicas exigimos muito do nosso corpo físico, é essencial termos momentos de descanso escutando uma boa música, aproveitando uma leitura ou cultivando qualquer aspecto em nossa psique. Enquanto nosso corpo está parado, nossa mente se mantém ativa, e assim ocorre o verdadeiro descanso. Infelizmente hoje o senso comum acredita que só há um jeito de descansar nosso organismo, que seria, basicamente, não fazer nada. Comumente queremos deitar em nossa cama e dormir, porém, nem sempre isso funciona. Muitas vezes vamos dormir com um cansaço mental, exausto de tanto pensar, resolver e decidir uma série de questões, que nem mesmo dormindo se obtém um reparo total. No longo prazo, a tendência é chegarmos à exaustão. O ideal, aliado com o sono regular, é usar as dicas que falamos anteriormente para que, assim, possamos ter um estilo de vida equilibrado.

Por outro lado, conflitos pessoais desnecessários, estados de mau humor e críticas constantes a tudo são exemplos de fatores que vão pesando na nossa produtividade, vão aumentando a fadiga e vão nos corroendo por dentro. Logo, o que nos leva ao fracasso é a forma como nos posicionamos diante da Vida. 

Por fim, nos parece óbvio, mas é preciso reafirmar: evite conflitos, procure sempre estar de bom humor, evite criticar o que não lhe afeta, aprenda a aceitar a Vida da forma como ela está posta diante de você, e perceba como esses fatores lhe ajudarão a ser mais produtivo e mais eficiente em suas atividades. A causa maior de nossos cansaços é o jeito errado de conduzir a Vida. É imperioso, portanto, que mudemos nossos hábitos e colhamos da Natureza o maior presente: a energia para trabalhar, criar, produzir e cumprir com o nosso papel no mundo. 

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