O tamanho médio do ser humano é 1,70m, uma formiga pode variar de 0,2 a 2,5cm. Um átomo tem em média 0,1 nanômetro. E o sol tem 1,3927 milhões de quilômetros de diâmetro. Dentro dessa escala, o que é pequeno e o que é grande? 

Olhando do nosso ponto de vista, a formiga é pequena e o sol gigantesco. Mas, do ponto de vista de um átomo, imagine a grandeza da formiga e a imensidão de um ser humano!

Isto nos leva a refletir sobre a natureza relativa do tamanho, sobre a dimensão das coisas à nossa volta, qual o real tamanho delas, questionando, assim, se a nossa percepção sensorial realmente captura a verdadeira essência da realidade.  Se é que existe essa definição absoluta de ser pequeno ou grande… Afinal, estamos olhando a partir de qual referencial? Talvez o tamanho seja mais uma convenção humana do que uma medida definitiva, revelando a limitação da nossa percepção diante da vastidão do Universo.

A história da filosofia também traz à tona a ideia de que a concepção  de tamanho está intrinsecamente ligada à nossa compreensão da existência. Desde os filósofos pré-socráticos até a era moderna, a pergunta sobre a relação entre o pequeno e o grande, o microcosmo e o macrocosmo, tem sido uma constante busca por entender o nosso lugar no Cosmos.

É próprio do ser humano constatarmos o que passa à nossa volta a partir de nossos pontos de vista. Os acontecimentos por exemplo, não necessariamente serão bons ou ruins, vai depender de como os enxergamos. Um ipê com suas folhas caídas no chão não é bom ou ruim, vai depender de quem o observa, alguns acharão belo o tapete colorido que ele gerou, outros acharão um absurdo a sujeira gerada… E o mesmo vale para o Universo. Qual a dimensão do Universo? Comparado ao nosso tamanho, é incomensurável. E isso é bom ou ruim?

Ao mesmo tempo, é tanta a vastidão do Universo, que é difícil formar um pensamento sobre o assunto, então diminuímos a escala e pensamos só em nós mesmos. Aí surge nossa falta de visão do todo, os danos à natureza, acidentes ambientais, superpopulação, miséria, violência… Parece que tudo toma uma proporção desastrosa quando olhamos só para o que está ao nosso alcance, o que é do nosso tamanho.

Ao olhar para o Universo através das lentes, por exemplo, da tradição egípcia contida no Caibalion, abraçamos a noção de que o todo está refletido em cada parte. Afirmar que “assim é acima como é abaixo”, como diz o 2º Princípio Hermético da Correspondência, é reconhecer que as mesmas leis e padrões que regem as galáxias distantes também se manifestam nas partículas subatômicas que compõem a nossa realidade.

No entanto, essa perspectiva nos leva a questionar se nossa percepção é apenas uma pequena fração do espectro completo do conhecimento. Poderiam existir dimensões além das nossas capacidades sensoriais? A ideia de que nossos sentidos nos limitam a perceber apenas uma parte da realidade ressoa com os ensinamentos herméticos, sugerindo que há muito mais do que aparentamos ver.

Em nossa sociedade atual, onde os avanços tecnológicos nos permitem explorar o Cosmos e o mundo subatômico, surge uma reflexão sobre a relação entre a busca pelo conhecimento e a nossa visão do tamanho das coisas. Até que ponto o conhecimento adquirido expande ou limita nossa compreensão? O aumento da escala nos permite contemplar a vastidão do Universo, enquanto a investigação do infinitesimal revela mundos que escapam à nossa observação comum.

E quanto à interconexão entre as dimensões micro e macro? A visão egípcia nos convida a considerar que talvez não exista uma divisão rígida entre o pequeno e o grande, mas sim uma teia de conexões invisíveis que permeia tudo. Cada partícula, cada estrela, cada ser humano, todos compartilham uma relação cósmica que transcende as barreiras de tamanho e espaço.

Essa perspectiva nos desafia a reavaliar nossos julgamentos sobre a importância. Se tudo está interconectado, então cada ação, por menor que pareça, reverbera na harmonia do todo. A gentileza mostrada a um estranho, o cuidado com um ambiente local, todas essas ações contribuem para a dança cósmica que une os componentes do Universo.

No entanto, a busca pelo equilíbrio também exige que consideremos os limites da nossa influência. Como seres humanos, nossa capacidade de compreender e interagir com o Universo pode ser profunda, mas também é finita. À medida que contemplamos nossa posição entre o ínfimo e o vasto, somos lembrados da humildade que a filosofia hermética nos instiga a cultivar.

O conhecimento, a percepção e a reflexão convergem para nos lembrar de que somos parte de algo incompreensivelmente maior do que nossas mentes podem conceber, uma grande tapeçaria cósmica onde cada ponto, independentemente do tamanho, contribui para a totalidade.

Talvez, a melhor solução para enxergamos o real tamanho das coisas seja seguir os aforismas egípcio e grego, respectivamente: “Assim é acima como é abaixo”, “Conhece-te a ti mesmo, e conhecerás os Deuses e o Universo”. O mundo acima de nossas cabeças e abaixo delas (atômico) tomam proporções que não podemos conceber, mas se eu enxergo a relação em todos esses mundos, se eu me vejo como uma parte desse mundo, se eu percebo que o mesmo átomo que me compõe, compõe o meu planeta e todo o sistema solar, eu consigo unir tudo, consigo aproximar estas visões. Com esse olhar, perceberemos que as leis que os astros seguem são as mesmas leis que regem o homem, e que toda a Natureza é uma só. Se as minhas células possuem a mesma essência atômica da galáxia, será que somos tão diferentes assim? Será que os tamanhos variam tanto assim? Não precisaremos mais sair medindo os tamanhos, pois tudo estará unido. Como diz a filosofia, o processo de sabedoria surge a partir de uma visão cada vez mais unificada do todo. 

E como traduzir isso numa vivência prática?
No nosso dia a dia, ao invés de julgarmos as coisas pelo seu tamanho, devemos refletir como é que nós nos relacionamos com elas. Por exemplo: julgamos que um grão de areia não é tão importante por ser muito pequeno, porém um vírus, que é infinitamente menor que um grão de areia, pode parar o mundo (sabemos muito bem disso). E aquelas coisinhas pequenas no nosso dia a dia que também julgamos não ter importância? Aquele sapato que eu não coloquei no lugar certo, aquela resposta grosseira que eu dei para a caixa do supermercado, aqueles pequenos vícios e maus hábitos que me permito ter todos os dias… Tudo tem importância sim, pois participa da harmonia do todo. Nesse caso, “o todo” é a sua própria vida. Talvez, o dia em que compreendermos, e vivermos com coerência esta ideia, poderemos entender também que, mesmo sejamos tão pequenos diante da imensidão do Cosmos, a nossa vida tem importância e tem um sentido, pois participa da Grande Harmonia do TODO, que neste caso, é o próprio Universo.

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