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Há muito tempo a humanidade percebeu que toda a Natureza está conectada. Se hoje falamos de um “tecido universal” ou “matéria escura”, que permeia todo o Cosmos e equilibra a força gravitacional dos astros, na antiguidade se entendia isso como a manifestação do divino em suas diferentes formas. Assim, não somente todos os elementos estavam conectados entre si, mas cada um de nós seria, em resumo, uma peça desse grande ser divino, que seria ao mesmo tempo o criador do Universo e estaria em todos os lugares. 

A tradição hindu fala que todo o Universo foi criado pelo deus Brahma, e por ser sua criação, o Universo inteiro representa o seu corpo. Desse modo, tudo que existe faz parte do corpo de Brahma: as galáxias, os astros, os planetas, a Terra, a Natureza, os animais e os seres humanos. É como se cada homem fosse uma pequena célula desse grande organismo ao qual pertence.

Trazendo essa perspectiva para o nosso planeta, também podemos compreender que a vida natural é uma grande rede de conexões, como uma teia de aranha na qual todos os fios se conectam, direta ou indiretamente, com o centro. Assim, todo desequilíbrio, por menor que seja, afeta diretamente a Natureza e, consequentemente, nós mesmos. A pior parte é que somos nós, os Seres Humanos, que provocamos tais desequilíbrios ao destruir de forma desmedida os recursos naturais, transformando a paisagem e a geografia da Terra. Somos nós que poluímos o ar e as águas, que desmatamos os bosques e florestas, que não sabemos renovar com eficiência os recursos que utilizamos para fazer nosso estilo de vida atual se sustentar.

Nessa perspectiva, podemos comparar a ação humana dentro do nosso planeta como o de uma doença que ataca severamente um organismo, causando doenças e o debilitando. Porém, assim como nosso corpo tem um sistema inteligente de defesa, o planeta também produz efeitos que “combatem” o desequilíbrio gerado pela ação humana. O aumento das temperaturas, os reveses climáticos que presenciamos, além de outra série de fenômenos da Terra são desencadeados como uma forma de o planeta se ajustar a essa nova realidade que produzimos. 

Mas como podemos destruir a Natureza se fazemos parte dela? Existe outro ser que faça isso, ou seja, que destrua o próprio corpo em que vive? Sabemos que sim. Basta pensarmos no corpo humano: temos milhões de células, e cada uma cumpre com o seu papel e trabalha pelo bem de todo o corpo. Mas o que ocorre quando uma célula começa a trabalhar apenas para si e não para todo o organismo? Quando sua ação não mais reflete uma necessidade de preservação e manutenção do corpo? A esse processo chamamos de câncer. Talvez por essa semelhança algumas pessoas achem que o Ser Humano, a nível planetário, comporta-se de forma similar a uma doença. Mas não sejamos radicais, muito menos pensemos de forma pessimista, achando que somos os “vilões” da bela história do planeta Terra. 

É fato que estamos destruindo o planeta, mas também cabe a atender aos seus pedidos de ajuda. Por isso, cada vez mais a opinião pública se volta para os temas ambientais, que ganham espaço em diferentes aspectos. Mais que conversar sobre o assunto, é fundamental repensarmos nossa relação com a Natureza, os outros seres vivos e, enfim, com todas as pessoas ao nosso redor. Dizemos isso porque, por mais que o hindus – e outras tradições – tenham nos ensinado o amor, a unidade, a necessidade de evoluirmos de maneira individual e coletiva, ainda não compreendemos que toda a humanidade está integrada à Natureza, que fazemos parte dela e que devemos agir em harmonia e conformidade com suas leis.

Mais do que respeitar a Natureza e o planeta, devemos compreender que ela é um ser vivo, em seu termo mais amplo. Quando falamos em “ser vivo”, entenda que chamamos de vida tudo que produz energia. Logo, um rio que com seu movimento leva energia para o mar e é o lar de milhares de outros seres está, necessariamente, vivo; uma montanha que abriga milhares de animais e que dentro de si há jazidas, cada uma com diferentes propriedades, também está viva. Todos os ecossistemas são vivos e por isso devem ser respeitados como tal.  Quando extraímos tudo que esses locais possuem, sem a menor preocupação, estamos lhe tirando a vida. Com o tempo, e hoje temos várias comprovações científicas disso, esses ecossistemas vão ficando doentes e enfraquecendo, perdendo seus recursos e, consequentemente, causando a migração ou extinção de diversas espécies que habitam naquele local.

Mas se todos esses argumentos não foram suficientes para acreditarmos na necessidade de ajudar a Natureza, pensemos de forma mais egoísta: nós dependemos dela para existir. Se matarmos, como sobreviveremos? Como a célula pode viver se o corpo morrer? Isso nos lembra a famosa expressão “cavar a própria cova”. É uma reflexão que nos assusta um pouco, mas que ainda possui falhas, pois cuidar da Natureza simplesmente para não morrermos não é uma visão muito utilitarista da vida? O Universo não existe para nós, ele existe apesar de nós!

Assim, a melhor forma de criar consciência é desenvolvendo a percepção de que cada aspecto da Natureza, do mais ínfimo grão de areia até as galáxias, tem um papel a cumprir e busca a sua evolução. Se hoje não vivemos em cavernas e possuímos uma alta tecnologia, é por entendermos que estamos em evolução. Porém, até o momento a evolução humana tem se dado apenas pelo desenvolvimento de aspectos teóricos, de ferramentas e formas de viver mais confortável. Nossa verdadeira evolução, porém, deverá ser feita internamente, encontrando nosso verdadeiro aspecto divino. Como as antigas doutrinas nos explicaram, cabe ao Ser Humano o maior de todos os desafios: encontrar-se conscientemente com o deus que habita dentro dele. Isso significa, em poucas palavras, enxergar a si mesmo como um ser divino e encontrá-lo em todos os aspectos do Universo, afinal, como mencionamos no começo do texto, todo o Cosmos é parte do divino e foi feito a partir do divino.

Por fim, deixamos como complemento dessa reflexão o vídeo abaixo, em que a cantora  Maria Bethânia dá voz à Mãe Natureza para nos transmitir uma mensagem que já deveríamos ter aprendido há tempos.

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