Durante as festas de final de ano, nos chegam as expectativas para o Ano Novo, momento que traz consigo símbolos da esperança, da renovação e de mudanças tão esperadas. Não é à toa que o 1º de janeiro, em nosso calendário, representa muito mais do que só um feriado nacional. Um misto de ansiedade e alegria nos toma nessa fase do ano e nos faz relembrar sonhos e desejos que, com o passar do anos, foram ficando de lado. As celebrações de início de ano são cerimônias muito antigas em todas as culturas. Em geral, essas festividades tinham como objetivo festejar o fim do inverno e a chegada da primavera com todas as suas flores que darão frutos na estação seguinte. 

O interesse por entender e dominar o tempo sempre foi algo que motivou o ser humano. Na tentativa de compreendê-lo, se fatiou-o e deu-lhe um formato que hoje podemos chamar de calendário. Através desse instrumento, podemos medir, quantificar e nos localizar no tempo e no espaço, podemos imitar a natureza e nos integrarmos ao seu fluxo, potencializando nossos sonhos e projetos. Acredita-se que foi na Mesopotâmia que se criaram os primeiros calendários há aproximadamente 2.700 a.C. Um fato curioso é que os calendários sumérios já contavam com 12 meses lunares e foi com base nesses primeiros protótipos de demarcação do tempo que os judeus desenvolveram o seu calendário, que por conseguinte influenciou a cultura cristã. Dias, meses e anos sempre foram formas eficazes para marcar fins e inícios de momentos e histórias importantes ao longo das nossas vidas. 

Os inícios, para a humanidade, sempre foram representados através de muita vitalidade. A força inicial que rompe a inércia de tudo que estava paralisado, estagnado,  nos impulsiona para a realização das ações. No ser humano, assim como na natureza, nada está parado, tudo é puro movimento, energia e, foi observando o movimento da vida através do tempo, que os diversos povos aprenderam a se integrar ao fluxo das quatro estações, melhor aproveitando os outonos, os invernos, as primaveras e os verões dentro e fora de si. Diante disso, cada hemisfério utilizou como parâmetro a localização dos astros, a expressão da natureza, a sua cultura e os seus costumes para contar o início e o fim do ano, delimitando o tempo através dos seus calendários. Foi graças a essa compreensão que puderam se desenvolver e cumprir os atos necessários para a produção dos seus meios que garantiram a sua sobrevivência.

O primeiro de janeiro nos remete à força dos inícios. Já prestou atenção na vitalidade de um bebê em seus primeiros meses de vida? Já reparou quanta energia temos no início do dia? Ou percebeu quanta força há no começo de um novo projeto, no início de um relacionamento, na  oportunidade recém conquistada? Enfim, todo início carrega consigo uma força potencial que nos impulsiona e nos motiva para realizar algo. E é por esse motivo que, consciente e inconscientemente, somos levados a fazer as nossas listas e planos para o ano que se inicia. A verdade é que toda a força aplicada a um objeto em repouso requer uma força maior inicialmente que, se bem canalizada, tem um poder de transformação enorme. Mas por que a data de 1º de janeiro marca o início do ano para a nossa sociedade?

A forma como contamos o nosso tempo muito se deve aos nossos antepassados romanos, judeus e cristãos, que têm influência direta em nossa cultura através dos seus valores, crenças e modelos organizativos sociais. Utilizamos o calendário gregoriano romano. Por sinal, o nome do mês de janeiro já é uma homenagem ao deus Janus, deus da mudança e das transições, homenageado pela população romana em meados dessa época do ano. É claro que a forma de como datamos o nosso tempo é fruto de várias compilações políticas e marcada por uma influência religiosa massiva. Para se ter ideia, alguns estudos apontam que a data do dia 1º de janeiro foi instituída através de um decreto de Júlio César em 46 a.C no calendário Juliano. Porém, só no final do século XVI essa data foi finalmente oficializada com a adoção do calendário gregoriano e, com o passar do tempo, tornou-se um marco cultural quase universal.

De maneira geral, cada povo e civilização encontrou a sua forma específica de contar os seus ciclos anuais e de diferenciar os períodos temporais entre o passado e o presente para sonhar e garantir o seu futuro. Assim, o nosso calendário gregoriano não pode ser visto como a única forma de sistematizar o tempo, pois existem diversas maneiras de celebrar o início de um ano e festejar o 1º de janeiro. A China, por exemplo, comemora esse início entre os meses de fevereiro e março do nosso calendário; já nos países orientais, que são norteados pelo calendário islâmico, o ano novo se inicia no mês de Muharram, outra data variável quando comparada com a nossa. 

Seja como for, é certo que o 1º de janeiro nos provoca um estado de espírito de esperança, renovação e transformações necessárias para que a vida possa seguir com o seu fluxo. Toda a cultura da humanidade nos ensina sobre essa força de movimento que impulsiona os inícios, e agora nos aproximamos de mais uma oportunidade de recomeço. Que possamos, portanto, canalizar essa força dos inícios para todos os dias do ano que estão por vir e, a partir disso, vencermos nossas batalhas diárias e crescermos enquanto indivíduos. Feliz início! 

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