Os Versos de Ouro de Pitágoras: O Caminho Esquecido da Sabedoria

Vivemos em um mundo onde cada vez mais a ausência de moralidade é cultuada. A busca pela liberdade dos instintos e dos desejos legitima e justifica as nossas condutas sociais e, infelizmente, frente a esse cenário, nunca foi tão urgente e necessário a leitura, ou releitura, dos grandes clássicos da humanidade como, por exemplo, “Os Versos de Ouro de Pitágoras”. Não se trata aqui de nostalgia do passado ou de menosprezar a validade das obras atuais, mas sim de dar importância a um arcabouço cultural que está à nossa disposição, como um legado deixado a todos os que queiram conhecê-lo.

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Obras como essa, de profundo conteúdo e valores morais, tem a sua relevância por carregar ideias atemporais que transcendem qualquer diferença cultural e que, justamente por isso, ajudaram várias civilizações humanas ao longo do tempo. Assim, certamente, essa obra pitagórica pode muito nos ensinar a encontrar respostas para as nossas adversidades nos tempos atuais, mas, principalmente, pode nos ajudar a manter de pé a nossa fé e esperança na humanidade. Mas quem foi Pitágoras? Não podemos começar essa reflexão sem conhecer um dos maiores pensadores que caminharam pela Terra.

Um pouco sobre Pitágoras

Pitágoras, nascido na ilha de Samos por volta de 570 a.C., é uma das figuras mais enigmáticas e influentes da história da filosofia. Embora muitas informações sobre sua vida misturem fatos e tradições lendárias, o que torna sua história ainda mais interessante, o impacto de suas ideias é incontestável para o mundo em que vivemos. Ele fundou uma escola que não era apenas filosófica, mas também científica, religiosa e comunitária, estabelecendo um modo de vida baseado na disciplina, na busca da harmonia e na investigação racional da realidade. Os pitagóricos, como eram conhecidos seus discípulos, eram tão distintos que diziam que poderiam reconhecê-los até pelo andar, tamanha a força moral e intelectual que possuíam.

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Pitágoras foi um dos primeiros a propor a ideia de que o Universo possui uma estrutura matemática. A busca pela proporção áurea – o que hoje conhecemos como sequência de Fibonacci – revela a sabedoria desse grego que afirmou, seis séculos antes de Cristo, que “Deus geometriza”. Em poucas palavras, sua perspectiva era a de que o Universo era regido por proporções matemáticas, desde o mais simples grão de areia até os planetas.

Desse modo, Pitágoras inaugurou uma forma inédita de pensar a Natureza, vendo nela proporção, ordem e inteligência, ou seja, que nada está disposto no tempo e espaço de maneira aleatória, mas segue uma lógica. Essa visão moldou profundamente o desenvolvimento posterior da ciência; e, graças ao seu esforço, outras gerações de filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles puderam partir de suas bases. 

Além disso, Pitágoras é conhecido por ser o primeiro a estabelecer a escala pentatônica, tão usada na teoria musical. Seu pensamento sobre a matemática tinha como base o metafísico e entendia que os números e proporções não estariam apenas nos aspectos objetivos, mas que a arte também precisava beber dessa mesma lógica. Assim, o conjunto harmônico, seja em uma dança, uma poesia ou uma música, poderia ser traçado por meio da análise matemática. 

Não por acaso, o grego dizia que até mesmo os planetas ecoavam música, que produziam sons. Uma ideia que, até pouco tempo atrás, poderia ser absurda, mas nas mais novas descobertas científicas já sabemos que, de fato, cada planeta do sistema solar emite uma frequência que pode ser traduzida como um som.

Como podemos perceber, Pitágoras não foi importante apenas por suas contribuições no campo da filosofia e matemática. Nem somente constituiu o famoso teorema associado ao seu nome, que é, a bem da verdade, uma pequena parcela de sua contribuição. A verdadeira revolução do seu pensamento foi afirmar que os números não eram apenas ferramentas de cálculo, mas princípios fundamentais da realidade, o que demonstra que a matemática teria, de fato, uma origem metafísica e que, através dela, poderemos chegar a conhecer os mistérios da Natureza.

A noção pitagórica de que “tudo é número” abriu caminhos para a ideia moderna de leis naturais expressas matematicamente, influenciando desde Platão até os físicos contemporâneos. Além disso, a descoberta das relações harmônicas na música demonstrou que a beleza e a ordem estética também obedecem a proporções numéricas, unificando ciência e arte em um mesmo princípio.

Como pensador, Pitágoras também deixou um legado profundo. Sua doutrina ética, expressa de forma exemplar em “Os Versos de Ouro”, destaca a importância do autodomínio, da disciplina interior, da convivência harmônica e da busca constante pela purificação da alma. Ele foi um dos primeiros filósofos a propor que a vida humana deve aspirar à união com o divino por meio da virtude e do conhecimento, oferecendo um ideal espiritual que influencia toda a tradição ocidental. Portanto, não podemos ignorar seus ensinamentos que seguem há mais de 2.500 anos inspirando a humanidade.

A Essência de “Os Versos de Ouro”

Falaremos agora um pouco sobre a obra pitagórica. Em linhas gerais, “Os Versos de Ouro” é um documento de tradição pitagórica que reúne instruções éticas destinadas à formação integral do indivíduo. Sabemos que são da tradição pitagórica, mas não necessariamente foram escritos por Pitágoras, e se mostram como uma síntese do seu pensamento. Mais do que um conjunto de recomendações morais, trata-se de um verdadeiro itinerário para aqueles que aspiram o caminho da sabedoria, expresso em versos simples e diretos.

Existem várias versões para o texto, uma das mais aceitas é a dos versos a partir do texto de Hiérocles de Alexandria, de acordo com a tradução inglesa de N. Rowe de 1707, e hoje adotada pela maior parte dos estudiosos da tradição pitagórica. Entretanto, estamos falando de um documento de mais de 2.500 anos, mas cujo conteúdo ainda é extremamente atual. Composto por 72 versos, dentro de um formato prático, ele nos ensina como levar uma vida de sabedoria. A preocupação da obra pitagórica é transformar seres humanos instintivos em seres humanos que compreendam a vida de forma mais profunda, e saibam viver para além das simples necessidades instintivas. 

Em outras palavras, o objetivo é que o indivíduo não fique preso somente aos desejos ligados à segurança, à alimentação, ao sexo e ao conforto, mas que possa também refletir sobre qual o sentido da Vida; sobre o Bem, a Beleza, a Justiça, os mistérios das Leis da Natureza; e, acima de tudo, que possa perceber como a Divindade que se expressa no Todo, também se expressa dentro dele.

Outro ponto importante para situarmos “Os Versos de Ouro” é compreender os objetivos dos pitagóricos e sua doutrina filosófica. A escola de Pitágoras tinha como propósito moldar a vida moral e política dos seus membros, orientando-os a refletir, em sua conduta, a harmonia presente na própria Natureza. Para os pitagóricos, a Natureza não era apenas o conjunto das coisas materiais, mas sim a expressão concreta da obra divina. Assim, viver em desacordo com essa ordem seria viver em contradição com o cosmos e, em última instância, ir de encontro com o próprio aspecto divino que rege a natureza.

Essa compreensão é sintetizada já no primeiro verso, que afirma:

“Honra em primeiro lugar aos deuses imortais, conforme manda a lei.”

É preciso entender que Pitágoras aponta para um aspecto transcendente da Natureza ao afirmar existirem deuses imortais. A lei, na qual se refere, não trata somente das leis humanas, escritas para organização da vida religiosa e social, mas principalmente as Leis da Natureza. Honrar os deuses, nesse sentido, nada mais é do que compreender e obedecer as Leis da Natureza.

É interessante percebermos como os versos de ouro de Pitágoras buscam revelar a Natureza humana e não as suas formas. No mundo atual, vivemos o oposto dessa ideia, uma vez que cada um de nós deseja sua individualidade. Porém, se partirmos do pressuposto de que a condição humana é a que todo indivíduo carrega, logo, todos temos as mesmas necessidades básicas para a sobrevivência física, emocional e mental; e, por uma questão lógica, chegaremos à conclusão de que, independentemente do tempo histórico em que um indivíduo esteja localizado, às suas necessidades são sempre muito semelhantes.

Dessa forma, não somos tão diferentes dos homens do passado. Será que, por exemplo, o nosso medo da morte, a nossa necessidade do sustento diário, a necessidade de uma moradia, de uma vivência harmônica em sociedade são características apenas de nosso tempo? As nossas tristezas, os nossos sentimentos de fracassos e de impotência diante de algo desconhecido são mesmo muito diferentes dos dilemas enfrentados pelo homem médio de civilizações como a dos incas, a dos astecas, a dos gregos ou a dos romanos? Na verdade, ressalvada a distância de tempo, percebemos muitas semelhanças. Entretanto, se há algo que pode nos diferenciar deles, não são as perguntas, mas as respostas dadas a essas mesmas questões.

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O que Pitágoras busca, portanto, não é uma ética apenas para os gregos, mas para todo e qualquer ser humano, e assim se estabelece a sua forma de construir um pensamento que sirva a toda a espécie humana. Para chegar a esse aspecto profundo de si mesmo, porém, era preciso ser educado. Assim, apesar de nascermos sob a mesma condição e natureza, o ser humano só pode atingir seu auge quando ensinado a enxergar as Leis da Natureza e compreendê-las.

Frente a esse aspecto, os pitagóricos compreendiam que a educação moral deve ser estruturada de modo a despertar aquilo que há de mais elevado no ser humano. Por isso, enfatizavam a necessidade de desenvolver virtudes como prudência, temperança, coragem e justiça. Esses valores, segundo eles, não são abstratos ou mesmo subjetivos, mas são forças que, quando cultivadas, permitem que cada indivíduo encontre seu papel no mundo e viva de acordo com sua verdadeira natureza.

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O que podemos aprender com “Os Versos de Ouro de Pitágoras”

“Os Versos de Ouro de Pitágoras” pode ser dividido a partir de três pontos: primeiro, é preciso querer se comunicar com o Divino por afinidade, por reconhecer e cultivar as qualidades divinas dentro de si. Segundo, é preciso se preparar para estabelecer esse contato interno com o Divino, e isso exige o que os filósofos clássicos chamam de purificação, ou seja, deixar de lado todos os elementos egoístas e se aproximar dos valores que têm o poder de nos unir com toda a humanidade, daí vem a necessidade de cultivar o gosto pelos valores universais, como a Fraternidade. 

Após o reconhecimento da necessidade de se comunicar com o Divino, da purificação dos elementos mais densos e instintivos, é preciso caminhar em busca do aperfeiçoamento, buscar novas formas de vida que valorizem mais a condição humana em detrimento da condição animal que habita em nós. Esse percurso não é simples, e Pitágoras sabia disso. Por essa razão, ele enfatiza a necessidade da vigilância sobre as próprias ações, recomendando:


“Examina bem cada um de teus atos e pensamentos.”

Esse conselho, aparentemente simples, é um dos fundamentos da ética pitagórica. Examinar-se significa assumir responsabilidade sobre a própria vida, observando com honestidade as motivações que nos impulsionam e corrigindo aquilo que nos afasta da harmonia interior. É importante entender que não basta ter atos bons, mas também se manter puro em nossos pensamentos. Quantas vezes machucamos o outro em nossas críticas internas? Quantas vezes agimos com um sorriso no rosto, mas por dentro não estamos em paz? O mundo das intenções, o qual somente cada um de nós sabe como está, é tão importante quanto o das ações.

Não por acaso, os pitagóricos afirmavam que viver uma ética e uma moral baseada na expressão divina é compreender o valor das leis universais que ordenam e movimentam todo o Universo; logo, não se trata de um livro que aponta o que “deve ou não” ser feito, mas ter uma plena consciência destas leis. Cabe, portanto, ao ser humano compreendê-las, amá-las e participar de forma consciente desse mistério, ou, se preferir, ser arrastado pela força dessas leis e ficar à deriva da vida, sobrevivendo aos seus instintos e desejos animais, sentado à beira da estrada observando a história passar.

É necessário acreditar que somos mais que um amontoado de células que produzem sensações, emoções e pensamentos instintivos. A simples sobrevivência não pode se tornar o fim de nossa existência. Homens como Pitágoras e tantos outros grandes gênios do passado nos deixaram pistas sobre um caminho de vivência humana e valores transcendentais, homens que viveram e morreram por grandes ideias e nos provaram através dos exemplos de suas próprias vidas que há um mistério a se desvelar no pulsar da existência. Mas é preciso saber ver esse mistério, e ele não se revela aos olhos do materialismo ou do egoísmo.

Existe uma máxima que diz que o indivíduo e a sociedade não nascem prontos, mas se constroem a partir de um processo de educação, baseado num conjunto de valores e virtudes que se encontram expressas em toda a Natureza. Esses valores, de alguma forma, estão de forma latente dentro de cada indivíduo, pois nós também somos parte da Natureza, mas às vezes nos esquecemos disso. É necessário que o ser humano conheça e viva essa possibilidade, e é desse resultado que depende a formação de uma sociedade mais sadia.

Nesse sentido, Pitágoras, ao compor seus versos, não buscava criar um manual rígido de condutas, mas oferecer aos seres humanos um mapa seguro para reencontrar a harmonia interior e a ligação com o divino. O mundo contemporâneo, cada vez mais veloz, fragmentado e consumido pela superficialidade, criou um ambiente em que a busca por uma vida interior, profunda e reflexiva, se tornou algo raro na humanidade. 

Ironicamente, vivemos com abundância de informações, mas com escassez de reflexão. Multiplicamos as possibilidades, mas diminuímos o discernimento. Nunca estivemos tão conectados exteriormente e tão distantes de nós mesmos. Nesse cenário, a simplicidade e a profundidade dos versos pitagóricos surgem como um respiro, uma pausa necessária, uma lembrança de que a verdadeira transformação começa no silêncio da alma.

Ao relermos esses ensinamentos milenares, percebemos que os grandes mestres do passado falavam de algo que continua inacessível à pressa: o trabalho interior. O domínio de si mesmo, o cultivo da virtude, a prática da justiça, a disciplina da palavra, a moderação das paixões e a busca consciente pela sabedoria não são tarefas rápidas e imediatas. Esses são caminhos que exigem dedicação, esforço e constância, principalmente, pois não se pode chegar à sabedoria em um dia, muito menos apenas lendo livros. No entanto, são também os únicos caminhos capazes de produzir frutos duradouros, pois transformam não apenas a superfície da vida, mas também suas raízes.

“Os Versos de Ouro de Pitágoras” nos lembra que a harmonia não é um ideal abstrato, mas sim um estado possível, um modo de ser que nasce quando a alma se alinha com a ordem universal, pois todo o Cosmos é harmônico e nós, como seres que estão inseridos na Natureza, também devemos seguir essa lei. Assim como a música depende da proporção correta entre suas notas, a vida humana depende da proporção entre seus desejos, pensamentos e ações. Sem esse equilíbrio, tornamo-nos instrumentos desafinados, produzindo ruído em vez de beleza. Com ele, participamos da grande sinfonia cósmica que Pitágoras tão profundamente intuiu.

Se as civilizações antigas nos deixaram monumentos, registros e obras grandiosas, deixaram-nos também um convite para que cada ser humano reconheça que não é apenas produto de circunstâncias, mas também protagonista de sua própria construção interior. Se o passado nos legou a técnica, a arte e a filosofia, cabe a nós legar ao futuro algo igualmente essencial: uma humanidade capaz de viver de acordo com sua natureza mais elevada.

A pergunta que fica, então, é simples e poderosa: que legado queremos deixar? Num mundo preocupado com recursos materiais, com reservas naturais e com avanços tecnológicos, quem está preocupado com o legado moral da humanidade? Quem está cuidando da sabedoria, da virtude, da ética, da espiritualidade e da dignidade humana? Portanto, escolhamos o caminho da humanidade iniciado pelos nossos antepassados, e que cada um de nós faça a sua parte para preservar não somente a natureza física, mas também a natureza divina que habita em cada coração humano.

OS VERSOS DE OURO DE PITÁGORAS

  1. Honra em primeiro lugar os deuses imortais, como manda a lei.
  2. A seguir, reverencia o juramento que fizeste.
  3. Depois os heróis ilustres, cheios de bondade e luz.
  4. Homenageia, então, os espíritos terrestres e manifesta por eles o devido respeito.
  5. Honra em seguida a teus pais, e a todos os membros da tua família.
  6. Entre os outros, escolhe como amigo o mais sábio e virtuoso.
  7. Aproveita seus discursos suaves, e aprende com os atos dele que são úteis e virtuosos.
  8. Mas não afasta teu amigo por um pequeno erro.
  9. Porque o poder é limitado pela necessidade.
  10. Leva bem a sério o seguinte: Deves enfrentar e vencer as paixões.
  11. Primeiro a gula, depois a preguiça, a luxúria, e a raiva.
  12. Não faz junto com outros, nem sozinho, o que te dá vergonha.
  13. E, sobretudo, respeita a ti mesmo.
  14. Pratica a justiça com teus atos e com tuas palavras.
  15. E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente.
  16. Mas lembra sempre um fato, o de que a morte virá a todos.
  17. E que as coisas boas do mundo são incertas, e assim como podem ser conquistadas, podem ser perdidas.
  18. Suporta com paciência e sem murmúrio a tua parte, seja qual for.
  19. Dos sofrimentos que o destino determinado pelos deuses lança sobre os seres humanos.
  20. Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível.
  21. E lembra que o destino não manda muitas desgraças aos bons.
  22. O que as pessoas pensam e dizem varia muito; agora é algo bom, em seguida é algo mau.
  23. Portanto, não aceita cegamente o que ouves, nem o rejeita de modo precipitado.
  24. Mas se forem ditas falsidades, retrocede suavemente e arma-te de paciência.
  25. Cumpre fielmente, em todas as ocasiões, o que te digo agora.
  26. Não deixa que ninguém, com palavras ou atos,
  27. Te leve a fazer ou dizer o que não é melhor para ti.
  28. Pensa e delibera antes de agir, para que não cometas ações tolas.
  29. Porque é próprio de um homem miserável agir e falar impensadamente.
  30. Mas faze aquilo que não te trará aflições mais tarde, e que não te causará arrependimento.
  31. Não faze nada que sejas incapaz de entender.
  32. Porém, aprende o que for necessário saber; deste modo, tua vida será feliz.
  33. Não esquece de modo algum a saúde do corpo.
  34. Mas dá a ele alimento com moderação, o exercício necessário e também repouso à tua mente.
  35. O que quero dizer com a palavra moderação é que os extremos devem ser evitados.
  36. Acostuma-te a uma vida decente e pura, sem luxúria.
  37. Evita todas as coisas que causarão inveja.
  38. E não comete exageros. Vive como alguém que sabe o que é honrado e decente.
  39. Não age movido pela cobiça ou avareza. É excelente usar a justa medida em todas estas coisas.
  40. Faze apenas as coisas que não podem ferir-te, e decide antes de fazê-las.
  41. Ao deitares, nunca deixe que o sono se aproxime dos teus olhos cansados,
  42. Enquanto não revisares com a tua consciência mais elevada todas as tuas ações do dia.
  43. Pergunta: “Em que errei? Em que agi corretamente? Que dever deixei de cumprir?”
  44. Recrimina-te pelos teus erros, alegra-te pelos acertos.
  45. Pratica integralmente todas estas recomendações. Medita bem nelas. Tu deves amá-las de todo o coração.
  46. São elas que te colocarão no caminho da Virtude Divina.
  47. Eu o juro por aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado.
  48. Aquela fonte da natureza cuja evolução é eterna.
  49. Nunca começa uma tarefa antes de pedir a bênção e a ajuda dos Deuses.
  50. Quando fizeres de tudo isso um hábito,
  51. Conhecerás a natureza dos deuses imortais e dos homens,
  52. Verás até que ponto vai a diversidade entre os seres, e aquilo que os contém, e os mantém em unidade.
  53. Verás então, de acordo com a Justiça, que a substância do Universo é a mesma em todas as coisas.
  54. Deste modo não desejarás o que não deves desejar, e nada neste mundo será desconhecido de ti.
  55. Perceberás também que os homens lançam sobre si mesmos suas próprias desgraças, voluntariamente e por sua livre escolha.
  56. Como são infelizes! Não vêem, nem compreendem que o bem deles está ao seu lado.
  57. Poucos sabem como libertar-se dos seus sofrimentos.
  58. Este é o peso do destino que cega a humanidade.
  59. Os seres humanos andam em círculos, para lá e para cá, com sofrimentos intermináveis,
  60. Porque são acompanhados por uma companheira sombria, a desunião fatal entre eles, que os lança para cima e para baixo sem que percebam.
  61. Trata, discretamente, de nunca despertar desarmonia, mas foge dela!
  62. Oh Deus nosso Pai, livra a todos eles de sofrimentos tão grandes.
  63. Mostrando a cada um o Espírito que é seu guia.
  64. Porém, tu não deves ter medo, porque os homens pertencem a uma raça divina.
  65. E a natureza sagrada tudo revelará e mostrará a eles.
  66. Se ela comunicar a ti os teus segredos, colocarás em prática com facilidade todas as coisas que te recomendo.
  67. E ao curar a tua alma a libertarás de todos estes males e sofrimentos.
  68. Mas evita as comidas pouco recomendáveis para a purificação e a libertação da alma.
  69. Avalia bem todas as coisas,
  70. Buscando sempre guiar-te pela compreensão divina que tudo deveria orientar.
  71. Assim, quando abandonares teu corpo físico e te elevares no éter.
  72. Serás imortal e divino, terás a plenitude e não mais morrerás.
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