Devemos preservar o meio ambiente. Essa é uma frase que escutamos diariamente e que, ao longo dos anos, tornou-se um dos principais tópicos em nossa educação enquanto cidadãos. Entretanto, ao mesmo tempo que o assunto é recorrente, parece, por vezes, que esquecemos algumas formas de preservação em detrimento de outras.
Um caso interessante é o da Amazônia Azul, o território ao longo da costa brasileira, rico em biodiversidade e recursos naturais. Apesar de sua relevância para o meio ambiente e, em grande parte, para a economia brasileira, pouco se fala sobre esse assunto. De fato, muito mais do que uma extensão territorial, a região guarda recursos estratégicos para a humanidade, tanto a nível econômico quanto ambiental. Vamos conhecê-la?
O que é a Amazônia Azul?

Em linhas gerais, a Amazônia Azul é uma área oceânica de 5,7 milhões de km² que pertence ao território brasileiro. Este vasto território abriga uma biodiversidade marinha rica e única, comparável à diversidade encontrada na Floresta Amazônica, daí vem o seu nome. Se colocamos a comparação a partir desta perspectiva, podemos perceber o valor que há na preservação desse ecossistema, visto sua riqueza e diversidade exuberante.
Tendo em mente essa responsabilidade, a Marinha brasileira, com o intuito de preservar e proteger essa extensa região, nos últimos anos tem desenvolvido uma série de projetos dedicados à Amazônia Azul. Um deles é a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro, feito em parceria com a Amazul, empresa que auxilia a Marinha nessa nova empreitada. Entretanto, o que significa para o Brasil a necessidade de proteção desse território?
A proteção da Amazônia Azul envolve muito mais que questões ambientais, uma vez que essa área de riquezas quase incalculáveis pertence ao nosso país. Assim, é de responsabilidade nossa a preservação e também a proteção desse ecossistema, muitas vezes cobiçado por nações estrangeiras a fim de sua exploração.

Além disso, é pela Amazônia Azul que circula, por exemplo, mais de 90% do nosso comércio exterior. Também é nessa faixa oceânica que extraímos grande parte do gás natural e do petróleo (o pré-sal fica essa região). Logo, essa zona é estratégica para a nossa economia de exportação e extração de recursos.
Frente a esse contexto, a Amazônia Azul tornou-se um ponto estratégico para o nosso país, não apenas pela questão econômica, a qual nos favorece enormemente, mas também pela possibilidade de manter preservada uma extensa quantidade de vida marinha que, infelizmente, tem sido prejudicada ao longo dos séculos. Como sabemos, a invasão humana aos ecossistemas acaba por impactar negativamente a natureza. No caso da vida marinha, a pesca e construções de plataformas, além de acidentes em alto-mar, podem causar grandes estragos em corais e demais seres que mantêm o equilíbrio marinho.
O impacto ambiental na Amazônia Azul
Os ecossistemas da Amazônia Azul sustentam uma vasta gama de espécies marinhas, incluindo recifes de corais, peixes, mamíferos marinhos e aves migratórias. Essa diversidade não só contribui para a saúde dos oceanos, mas também desempenha um papel crucial na regulação do clima global e na manutenção da qualidade da água.
Nesse sentido, pode-se perceber que, quando começamos a alterar essa região, seu impacto pode ser maior do que o previsto, afinal, sua função dentro do nosso planeta é primordial. O impacto de um vazamento de petróleo, por exemplo, como o ocorrido em 2019, pode destruir grande parte dessa zona, prejudicando a vida marinha e o equilíbrio ambiental.
Infelizmente, nos últimos anos, tem se tornado comum acidentes que colocam em risco a vida marinha. Além do já mencionado vazamento de petróleo em alto-mar, também podemos perceber esses riscos com os desastres com barragens, que poluem os rios que desaguam na Amazônia Azul. Além das vidas humanas ceifadas com esses acidentes, a contaminação dos rios destrói toda a vida marinha ao longo do seu percurso.
Esses episódios são, num primeiro momento, esporádicos; porém, cada vez mais comuns, acabam por destruir, aos poucos, nossa Amazônia Azul. Nesse sentido, o papel da Marinha em vigiar e proteger essa área tem sido de fundamental importância para manter a vida pulsante por toda nossa costa.

Como proteger a Amazônia Azul?
É natural que tenhamos o desejo de proteger o meio ambiente após esses desastres causados pela ação humana. Se por um lado existe um delicado equilíbrio entre a economia e o meio ambiente, por outro, é urgente que possamos pensar em manter essa região afastada desses perigos. No dia 16 de novembro de 2015, foi instituído o Dia da Amazônia Azul. Um dia para lembrarmos que a preservação de mares e rios é fundamental para o planeta.
Dito isso, não há como fugir dessas responsabilidades. A gestão da Amazônia Azul requer políticas públicas eficazes, colaboração internacional e o envolvimento das comunidades locais, pois, apesar de ser um território brasileiro, a sua atuação reverbera em todo o globo. Em contrapartida, não podemos abrir mão da soberania dos nossos territórios, assunto que muitas vezes é deixado de lado a nível de cenário global. Entretanto, a conservação dos ecossistemas marinhos e a promoção da pesca sustentável são fundamentais para garantir que os benefícios econômicos não comprometam os recursos naturais a longo prazo, algo que ainda hoje não é feito com eficácia.
Visto isso, homenageamos todos que se esforçam, cotidianamente, para manter limpos e seguros nossos mares. E que nesta data, possamos também refletir e nos lembrar de antigos ensinamentos das tradições, que nos diziam que a Vida é uma coisa só. Não é possível preservar uma parte sem levar em consideração o Todo.
A Vida que flui na Amazônia Azul, na Amazônia Verde ou em qualquer Ser é a mesma que flui dentro de nós. Dentre tantas coisas que precisamos preservar no meio ambiente, esta consciência de Unidade, dentro do Ser Humano, talvez seja a mais importante de todas, pois nenhuma boa ação será duradoura sem isso.
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