Aprender a aprender tornou-se essencial em um mundo onde a informação está ao alcance de um clique. Nunca antes tivemos tanta facilidade para acessar dados e aprender novos conceitos. Não por acaso, o acesso à informação se tornou tão abundante que em poucos minutos podemos aprender o que, alguns séculos atrás, um pensador levaria décadas até chegar a esse conteúdo. Dentro dessa lógica, deveríamos estar cada vez mais avançados em nossos conhecimentos, porém, apesar da disponibilidade da informação, o cenário que se apresenta é de preguiça e diminuição de nossa capacidade intelectiva. Por que isso está ocorrendo?

Apesar de possuirmos toda essa facilidade, o mundo atual também nos impõe desafios: como filtrar o que realmente importa? Como transformar informação em conhecimento útil? E, mais importante, como garantir que o aprendizado seja contínuo e significativo? Muitas vezes, acabamos caindo em armadilhas e informações imprecisas e, por não sabermos desenvolver um método eficaz de aprendizado, acabamos absorvendo de maneira superficial o conteúdo e, consequentemente, sem nos dedicarmos a uma investigação profunda.
A capacidade de aprender de forma eficaz e crítica continua sendo uma das habilidades mais valiosas que podemos desenvolver, porém, será que estamos aptos, atualmente, a isso? Não por acaso, nos últimos anos, surgiram diversos cursos e técnicas de estudo, pois nos parece que não conseguimos mais desenvolver nossa capacidade intelectiva de forma “natural”. O excesso de informação trava o nosso conhecimento e, por incrível que possa ser, em um mundo que exala informação, estamos cada vez mais ignorantes em alguns pontos.
O conhecimento como base do crescimento pessoal
Frente a isso, o que podemos fazer? O primeiro passo é, inevitavelmente, compreender o valor do conhecimento. O saber não apenas amplia nossas oportunidades, mas também nos proporciona autonomia e poder para enfrentar desafios de maneira mais consciente e fundamentada. Logo, não queremos aprender apenas pela curiosidade de entender o mundo, mas também para nossa própria formação enquanto indivíduos. Nesse caso, precisamos desenvolver ferramentas que favoreçam o nosso aprendizado e nos ajudem a “aprender a aprender”. Essa é uma habilidade fundamental que nos permite evoluir continuamente, mas que ignoramos ao longo de nossa jornada pessoal.

Basta lembrarmos de nossa fase escolar: quantas vezes, antes de uma prova, tentamos decorar o conteúdo para responder às questões da avaliação? Nesses casos, na grande maioria das vezes, o que estamos fazendo não é aprendizado, mas sim uma repetição mecânica do conteúdo. Não por acaso, assim que a prova passa, o que ocorre com nosso conhecimento? Desaparece tal qual uma névoa com os primeiros raios de sol. Nosso cérebro é capaz de armazenar muita informação, porém, quando percebe que um conteúdo não será útil a longo prazo, nossa memória faz questão de “esquecer”. O que precisamos, portanto, é de novos métodos para ajudar a aprender e não a decorar todo o assunto.
Diferente de conteúdos decorados, o aprendizado verdadeiro se constrói sobre a capacidade de raciocinar, conectar informações e aplicá-las na prática. Esse processo não só expande nossa visão de mundo, mas também fortalece nossa disciplina e organização – virtudes fundamentais em nossa vida cotidiana. Considerando tais aspectos, é importante entender que para conseguirmos reter o conhecimento, é fundamental perceber sua execução na prática, assim podendo relacionar com outros aspectos da vida e constituir um valor naquilo que se aprende. Muitas vezes, principalmente em nossa fase escolar, não aprendemos da maneira adequada por não estarmos conectados com o conteúdo, ou seja, não conseguimos enxergar o seu valor na prática.

Frente a isso, é inegável que o conhecimento é o principal motor do crescimento pessoal, pois não aprendemos apenas para passar em provas ou ganhar promoções, mas sim para nos conectar com uma nova realidade, ampliando nossa percepção de mundo. Naturalmente, uma pessoa que busca conhecimento está constantemente refinando sua percepção da realidade, compreendendo melhor as relações entre causas e efeitos, e entendendo que quanto mais se conhece, mais há para se conhecer. Parafraseando Isaac Newton, um dos principais físicos da humanidade, “o que conhecemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano”.
O conhecimento não pode se roubado
Um outro aspecto fundamental ao falarmos do conhecimento é a sua durabilidade. Diferente de qualquer outro bem material, que pode ser roubado, destruído ou danificado, o conhecimento se mantém íntegro e nos acompanha pelo resto da vida. Mesmo sabendo do clichê, não podemos evitá-lo: de fato, o melhor investimento que podemos fazer na vida é adquirir conhecimento. Quando investimos no aprendizado, estamos construindo um patrimônio que nos acompanhará por toda a vida e que não decresce; não depende da variação do câmbio ou flutua conforme a política do país, mas mantém-se estável e em plena evolução ao longo da vida.

Para os incrédulos quanto ao valor do conhecimento, basta olharmos para a história da humanidade. A história está repleta de exemplos de pessoas que perderam tudo e, ainda assim, reconstruíram suas vidas com base no conhecimento adquirido. Quantos cientistas que, após um problema com o governo, perderam suas pesquisas e foram exilados dos seus países, e mesmo assim continuaram buscando conhecimento e criando novas tecnologias para melhorar o mundo? Quantas pessoas presas injustamente foram capazes de, após sair da prisão, recomeçar sua vida com base nos seus conhecimentos e mudaram o mundo, como foi com Nelson Mandela?
Poderíamos passar dezenas de páginas com histórias de superação que só foram possíveis graças à acumulação de conhecimento e o correto uso desses saberes. Entretanto, melhor será refletirmos sobre como o conhecimento pode nos ser não apenas uma ferramenta para o sucesso, mas também o verdadeiro caminho da humanidade.
Aqui entra a filosofia: o amor à sabedoria. Todo filósofo busca saber e, visto a natureza humana ser inclinada a essa busca, na antiguidade se entendia que todo ser humano possui em si a capacidade de ser filósofo, ou seja, de amar a sabedoria e persegui-la. Não por acaso, filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles exploraram profundamente a importância do conhecimento para a realização humana, descobrindo assim que só podemos nos realizar a partir desses conhecimentos, que vão além da experiência sensorial. Sócrates, por exemplo, afirmava que “só sei que nada sei”, reafirmando a ideia que séculos mais tarde Newton reforçaria com sua frase já citada.
Outro grande filósofo que se debateu sobre o conhecimento e a razão humana foi René Descartes. Em sua busca pela verdade, desenvolveu o método cartesiano, que preza pelo pensamento crítico e pelo questionamento sistemático, sendo assim o precursor do método científico tão utilizado hoje. Tais conhecimentos são extremamente válidos para compreender como, ao longo dos séculos, o esforço desses pensadores foi válido para nos ensinar o valor do conhecimento; e como podemos utilizá-los para aprender a sutil arte de viver.
Como melhorar a capacidade de aprender?
Visto isso, eis a pergunta que não quer calar: como podemos melhorar nossa capacidade intelectiva? Nossa ideia não é apenas apontar técnicas e métodos, pois isso já existe em abundância nas redes sociais. Queremos entender os princípios que nos ajudam a aprender melhor e nos desenvolver nesse aspecto.
Dito isso, uma primeira dica está no aprendizado ativo. O senso comum nos fala que, via de regra, aprender é um ato passivo e isso está errado. Nossa experiência escolar, mais uma vez, nos fez acreditar que bastava escutar o professor e fazer as anotações e que isso seria suficiente para aprender. Por isso, ao chegarmos à fase adulta, acreditamos que a simples leitura de um livro, de uma aula ou curso poderá nos capacitar ao aprendizado. E isso não é real.

Ao invés de consumir informações passivamente, é fundamental colocar-se em movimento: faça anotações, questione o que aprendeu e aplique o conhecimento em situações reais. Assim, o aprendizado ativo é um princípio básico para começarmos a criar novas formas de nos relacionar com o conteúdo que estamos estudando. Ainda dentro dessa perspectiva, pode-se caracterizar como um aprendizado ativo o ato de ensinar. Quando buscamos explicar aquilo que aprendemos para outras pessoas, o nosso conhecimento acaba se consolidando pela necessidade de criar exemplos e outros meios pedagógicos. Assim, o velho ditado de que “quem ensina aprende duas vezes” é, de fato, real!
Outro ponto crucial no conhecimento é saber conectar saberes. O conhecimento, assim como a natureza, não está desintegrado e todas as disciplinas se relacionam entre si. Logo, por mais que queiramos estudar de forma separada, é fundamental criar conexões entre os assuntos e perceber como, de fato, cada disciplina nos ensina sobre a vida em seu aspecto, mas que todas elas estão totalmente conectadas entre si.

Partindo desses dois princípios, já poderemos desenvolver uma excelente relação com a aprendizagem. Quando aplicarmos esses princípios em nossos estudos diários, perceberemos o seu valor, afinal, aprender a aprender é uma das habilidades mais valiosas que podemos desenvolver ao longo da vida. Essa ferramenta poderá potencializar ainda mais nossa capacidade cognitiva e nos tornar melhores, pois, do mesmo jeito que podemos aplicar tais noções para um estudo teórico, também podemos fazê-lo para o autoconhecimento. Cabe agora o desafio: mergulhar nos estudos de maneira consciente para melhor saber sobre a vida, o universo e nós mesmos.
Comentários
Vivemos em uma sociedade que valoriza mais o entretenimento rápido do que reflexão profunda. Vídeos curtos, postagens superficiais e listas de “curiosidades” dominam a atenção, enquanto livros, documentários e debates são deixados de lado. É preciso vontade de aprender, capacidade de questionar e disciplina para buscar fontes confiáveis. Achei um tema muito bom e foi abordado de uma forma excepcional, parabéns aos responsáveis.