Vivemos em um mundo estressante, isso não é segredo para ninguém. A rotina intensa de trabalho, diferentes afazeres e papéis sociais que vivemos acabam por engolir nossa rotina e tornar a vida adulta extremamente atarefada.
Dentro desse estilo de vida frenético, que não dá sinais de desaceleração, é preciso encontrar caminhos para harmonizar de maneira saudável todos os nossos deveres sem que sejamos absorvidos completamente pelas demandas. Não por acaso, cada vez mais crescem os casos de “Burnout”, a exaustão psicológica causada pela pressão das demandas, sejam sociais ou profissionais, que adoecem a mente das pessoas. Como podemos melhorar nossa rotina e não entrarmos nesses estágios patológicos?

Por mais que possamos achar que esse é um dilema moderno, o ser humano, na verdade, sempre viveu correndo contra o tempo. Sêneca, um dos grandes filósofos da Roma Antiga, já escrevia sobre a brevidade da vida e como desperdiçamos tempo até que, um dia, já não o possuímos mais. Entre uma rotina pesada e uma vida cheia de “checklist” para resolver, acabamos deixando o nosso bem mais precioso escorrer pelas nossas mãos, que é justamente o tempo.
Já Sócrates, também um grande filósofo da antiguidade, nos alertava para ter “cuidado com o vazio de uma vida ocupada demais”. Quando nossa rotina se torna tão intensa que não temos tempo para refletir, para dedicar-se a hábitos saudáveis ou hobbies, acabamos mergulhados em um oceano de afazeres que são necessários, sem dúvida, mas que nos tiram completamente a consciência do momento presente. Ficamos presos sempre à expectativa da próxima tarefa, da próxima reunião, do próximo compromisso.
Quando entramos nesse modo de vida, acabamos, de forma natural, percebendo que estamos sempre ocupados e que não temos tempo para nada. Caímos, então, no cenário descrito acima, em que nosso tempo parece escasso frente às diversas demandas do mundo. Mas será que, de fato, não temos tempo ou falamos isso porque gostamos de parecer ocupados? Ou por que, por má administração do nosso tempo, temos a ilusão de que não temos tempo?

Hoje todos estão preocupados, mas, ao invés de combater a preocupação, acreditamos que somente por pensar e sofrer com os problemas os resolveremos, o que na verdade é uma fantasia. Neste mundo de incertezas, devemos nos antecipar para o que poderá surgir no futuro. Traçar planos é uma das formas de nos prepararmos para enfrentar o que vem pela frente, seja bom ou ruim.
Frente a isso, como viver de maneira mais consciente e evitar tanto estresse nesse mundo? Será que é mesmo possível alcançar esse patamar?
É preciso planejar para não estressar
O primeiro passo para alcançarmos um melhor gerenciamento do tempo está no planejamento. Não se trata apenas de colocar todas as nossas atividades em uma agenda e cumpri-las, afinal, isso já fazemos de forma quase natural. Quando falamos em planejar as atividades, nos referimos a colocar mais consciência naquilo que devemos fazer.
Muitas vezes, agimos de maneira automática, apenas resolvendo demandas sem o tempo necessário de descanso. Assim, como máquinas em uma fábrica, achamos que ser uma pessoa produtiva é resolver a maior quantidade de demandas num curto espaço de tempo. Muitas vezes, porém, acabamos acumulando mais trabalho e colocando um peso maior do que conseguimos suportar, e naturalmente ficamos fatigados mentalmente.
Planejar tarefas, portanto, é reconhecer limites e trabalhar com eficácia, dando maior qualidade às suas entregas e não somente realizando cada vez mais tarefas. Além disso, à medida que vamos planejando o nosso tempo, devemos também considerar os momentos de descanso e alimentarmos o que Platão chamou de “ócio”.
Se hoje achamos que essa palavra é sinônimo de tédio, devemos saber que estamos completamente enganados. Para o filósofo grego, o ócio nada mais é do que o tempo que utilizamos para nos aproximar de algo mais divino. O ócio seria, de forma prática, o tempo gasto para fazermos leituras que não estão diretamente ligadas ao nosso trabalho, hobbies que nos dão prazer e não dinheiro; e, nesse contexto, isso pode parecer muito mais um lazer do que apenas “não fazer nada”.
Esse tempo é extremamente importante para descansar a nossa mente e baixar os níveis de estresse. Sabemos que dentro de nossa rotina diária não possuímos tantos momentos de ócio, mas, entre as horas produtivas que possuímos, é saudável tirar alguns minutos para escutar música, refletir, fazer uma leitura ou simplesmente apreciar a paisagem. Essas práticas nos ajudam a desacelerar e retomar a consciência de nossas atividades.
A dificuldade em planejar
Agora que sabemos os benefícios do planejamento para melhorar a organização do nosso tempo, cabe uma importante pergunta: por que muitas pessoas rechaçam o planejamento? Algumas dizem que não têm a capacidade organizativa de sentar para planejar suas atividades, por exemplo, e acabam sendo tomados pelo tempo. Há ainda aquelas que dizem que não precisam de organização, pois sabem “viver na própria bagunça”, enquanto outras não planejam para não perder a espontaneidade da vida.
A dica que damos é que, por mais planejado que você possa ser, a vida sempre trará surpresas, pois não temos o controle absoluto dela; então, você pode ser planejado e, ainda assim, ter espontaneidade na vida. Saber que tudo que planejamos para o dia pode dar errado é estar certo de que imprevistos ocorrem. Considerando isso, vamos precisar lidar com a frustração de um dia “ruim”, com a mudança de planos, e isso tudo nos torna flexíveis.
Complementando o que já dissemos no tópico anterior, uma outra vantagem do planejamento, é que ele ajuda a desenvolver em nós o senso de prioridade. Quando não planejamos, o que aparece de imediato se torna prioridade, o que pode causar esquecimento de atividades importantes, que foram passadas na frente por algo supérfluo.
Com o planejamento, não esquecemos de nada na hora de arrumar a mala, de pagar o boleto em dia, ou de estudar com antecedência para uma prova. E o mais importante, conseguimos definir um tempo para nós mesmos: dedicar um tempo para uma boa leitura, para ir a uma missa, culto ou outra prática religiosa; ter um momento de relaxamento, um tempo para nossos hobbies favoritos e um tempo para nossa saúde mental.

É muito melhor ter uma rotina planejada do que viver num caos e não ter ideia do dia de amanhã. Assim, podemos perceber que é importante estarmos sempre ocupados ou desocupados, mas nunca preocupados. A preocupação gera estresse e ansiedade, nos desgasta emocionalmente e nos faz fantasiar inúmeros cenários em que tudo dá errado e nos prejudica, gerando um estresse ainda maior! O pior disso tudo é que nada nesse sofrimento todo nos ajuda a resolver o problema de forma objetiva.
A solução para o mal do século, o estresse, está no planejamento. Uma vida planejada, gera uma mente tranquila, eliminando fantasias sobre cenários impossíveis. Se há organização e senso de prioridade, não há necessidade de preocupação e estresse.
Por fim, deixamos como dica o podcast abaixo, que aborda esta temática a partir de uma pesquisa desenvolvida em Londres, na época da Segunda Guerra Mundial. As pessoas que tinham a certeza de que a bomba iria cair se planejaram para tal situação e se preocuparam muito menos do que as que não sabiam, que, por consequência, não se planejaram.
Já publicamos um artigo sobre esse tema anteriormente. Clique no link a seguir para acessar: Publicação anterior sobre esse tema



