Um dos dilemas morais mais antigos e cruciais da Humanidade é a decisão entre o Bem e o mal. Essa questão resume toda a Ética e parece, à primeira vista, algo simples de resolver, afinal, quem não deseja estar do lado do Bem? Quem, em sã consciência, escolheria o mal? Acreditamos que ninguém. No entanto, ao observarmos o mundo ao nosso redor, percebemos que o mal se espalha com rapidez, como um incêndio em uma vegetação seca, enquanto o Bem ainda permanece uma atitude rara em nosso cotidiano.
Guerras, fome e desigualdades sociais das mais diversas são frutos de ações egoístas, que mesmo visando o Bem do indivíduo, são feitas em detrimento de toda uma população. Sendo assim, por que não escolhemos sempre o Bem, mesmo reconhecendo seu valor?
Podemos dar diversas razões, mas comecemos pelo simples. Podemos pensar no Bem e no mal como uma relação entre a Luz e a escuridão. É provado pela Ciência que não existe, de fato, a escuridão. Esta simplesmente é a falta de Luz, logo, o mal talvez não exista também enquanto uma força autônoma da natureza, mas seja apenas a falta de Bondade que há no mundo. Não existiria, desse modo, a maldade em si, mas essa seria uma consequência desagradável da carência do Bem no mundo.
Esse é um argumento interessante para refletirmos. Pense nas vezes que deixamos de atuar pela Bondade. Quando um amigo precisou de nós e não fomos capazes de ajudá-lo. Deixamos de praticar o Bem e, naturalmente, o “mal” se expressou: nosso companheiro não recebeu ajuda, provavelmente ficou triste ou desapontado conosco e uma série de emoções negativas pode ter tomado conta do seu pensamento e do seu Coração. Do mesmo modo sentimos um aperto no peito quando deixamos de ajudar outras pessoas, principalmente quando percebemos que elas realmente precisam da nossa assistência. Assim, podemos perceber que as sensações negativas, que expressam esse “mal-estar”, advêm da falta e não nascem por si só.
Considerando esse ponto de vista, quando passamos a atuar pensando apenas no nosso conforto individual, acabamos deixando a Bondade limitada apenas à nossa vida. Assim, com todos voltados apenas para o egoísmo, é natural que haja mais espaços vazios de Virtudes (a Bondade, o Amor, o Belo etc.) do que aqueles em que esses sublimes aspectos predominam. O mal, portanto, é o vazio de qualidades humanas.
Visto isso, é muito fácil perceber o mal, uma vez que este é ruidoso, espalhafatoso, faz questão de aparecer em qualquer lugar. No dia a dia, nos acostumamos com a falta de Bondade entre as pessoas, com o desrespeito; e, consequentemente, o mal se tornou a ação mais comum entre nós, mesmo que de forma indireta.
Como já falamos, ninguém deseja o mal, mas por pensarmos apenas em nosso próprio bem-estar, acabamos preenchendo o mundo com esse vazio de Virtudes, dando demonstrações claras acerca do mal. O mal, portanto, está nas mídias todo dia, nas ruas, no trânsito, ao vivo e a cores. Parece que, para onde quer que se olhe, o mal está presente, sendo o reflexo das ações humanas e que acaba se perpetuando. Essa visão persistente nos causa desalento e nos rouba a Esperança.
Porém, como nos ensina a física newtoniana, ” toda ação corresponde a uma reação de igual intensidade, mas que atua no sentido oposto”; ou, como disse certa vez o Papa Francisco: “Se o mal é contagioso, o Bem também é. Deixemo-nos contagiar pelo Bem e contagiemos o Bem!”. Logo, é preciso que aprendamos a viver a Bondade de maneira natural e contínua, sem acharmos que uma pequena ação isolada é o bastante. Na verdade, é preciso que o Bem preencha todos os espaços e que impregnemos toda a nossa vida com essa energia positiva e que gera Unidade entre as pessoas.
Além disso, devemos compreender que o Bem é mais poderoso que o mal, mas ao contrário deste, é suave e discreto, justamente por não precisar fazer barulho para manifestar sua força. É como os ventos que empurram um veleiro para qualquer parte, como um mestre de artes marciais que sabe concentrar seu poder num golpe, como crianças que compartilham o pouco que têm para que todas possam brincar juntas.
Em seu “Discurso Sobre a Dignidade do Homem”, o Conde Italiano, Giovanni Pico della Mirandola, reflete que há no Ser Humano sementes de todo tipo, o que nos dá o potencial de sermos o pior ou o melhor de nós mesmos. Assim, podemos escolher “ser passivos como uma planta ou violentos como uma besta”, mas também podemos, se “usarmos de raciocínio e intelecto”, nos “elevar à categoria de Anjos ou Filhos de Deus”. E podemos até mais que isso, segundo ele refletiu, nos “unirmos ao próprio Deus” como o fez, por exemplo, o Mestre Jesus, podendo chegar ao ponto de falar verdadeiramente “eu e o Pai somos Um”.
Se é verdade que temos dentro de nós essas sementes, podemos, portanto, escolher conscientemente o que queremos ver crescer. Este fator da consciência é de suma importância neste processo, pois um jardim Belo não se forma sozinho. Caso contrário, se não houver uma inteligência atuando, crescerão tanto ervas daninhas quanto flores, que irão competir pelo mesmo espaço, impedindo a Harmonia (Unidade), Virtude que tornaria aquele jardim belo. Logo, um Bom Jardineiro há de saber identificar e retirar as ervas malignas, dando espaço para as flores crescerem fortes e sadias.
Dito isto, vamos refletir. Nós somos o jardim e o Jardineiro, e em nosso interior, há tanto o Bem quanto o mal querendo crescer neste momento. Então, vamos deixar os dois competindo entre si para a sorte decidir, ou vamos agir com Consciência para arrancar o mal e permitir que nossas melhores Virtudes se alimentem da Luz do Sol de nosso Espírito?
Antes de finalizar propriamente, queremos ainda completar dizendo que quando uma criança nasce, normalmente ela vem com as sementes do Bem latentes nela. Infelizmente, aos poucos permitimos que elas se contaminem com o mal que nós mesmos deixamos cair de nossos jardins malcuidados. Mas, durante um bom tempo, é possível ver de forma evidente nelas essa tendência para o Bem, esse desejo de amar, de compartilhar, de unir. O vídeo abaixo é uma clara prova disso. Assista para alimentar a Esperança e o Bem que há dentro de você!
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