A responsabilidade é uma das mais belas formas de amor. Quando amamos algo ou alguém, sentimos a necessidade de cuidar e cumprir com algumas demandas que necessitam de nós acima de qualquer outro desejo egoísta. Por isso que é natural para os pais sacrificarem seu tempo, seu dinheiro e mesmo a sua vida em prol dos seus filhos, pois são contagiados pelo amor que os torna responsáveis por aquela criança.
Assim, a responsabilidade nasce do amor e do profundo entendimento do nosso dever, seja como profissional, como amigo ou qualquer outro papel que assumimos. Naturalmente, ser responsável também está diretamente relacionado com a maturidade, pois, no melhor dos cenários, à medida que envelhecemos, vamos aprendendo a lidar com nossas emoções e desejos, sabendo discernir o que é verdadeiramente importante e o que é estritamente temporário e supérfluo.
Você, meu caro leitor, já tinha notado essa relação? Com o passar dos anos, assumimos diferentes papéis e, se realmente os levamos a sério, eles ganham uma grande importância em nossa vida, logo, nos tornamos responsáveis. Com o tempo, essas responsabilidades vão aumentando em quantidade e qualidade! Deixam de ser apenas sobre nós mesmos e passam a englobar outras pessoas: um filho, um pai para cuidar, um funcionário, uma empresa etc.
Podemos afirmar, portanto, que, à medida que nos inserimos na vida social, ganhamos diferentes responsabilidades e que, consequentemente, assumir responsabilidades faz parte da vida humana. Entretanto, é muito comum a rejeição às responsabilidades, principalmente em nossas fases mais infantis. Por que sempre tentamos arranjar uma maneira de fugir delas? Vamos refletir um pouco sobre isso no texto de hoje a partir do curta “Farol”.
A responsabilidade no curta “Farol”
Diante de uma situação em que algo saiu dos trilhos você já pensou: “Eu que não vou limpar essa sujeira” ou, então, “não é minha obrigação cuidar disso, a minha parte eu já fiz”? Se sim, é porque você, assim como todos nós, já quis fugir de uma responsabilidade. Há quem argumente que “se isso não é a minha função, por que deveria fazer?”. Apesar de ser um raciocínio lógico, afinal, todos devem ter seus próprios deveres, quando se trata de beneficiar ao Todo não deve existir barreiras, pois, a rigor, uma pessoa realmente responsável sente que é sua obrigação preservar e manter o melhor estado sempre em benefício do coletivo.
Um exemplo básico e cotidiano está na dinâmica do lar. Geralmente um casal divide as tarefas domésticas e, na maior parte das vezes, ocorrem brigas devido ao cumprimento ou não dos deveres do lar. Quem nunca brigou com o cônjuge sobre a louça suja? Ou sobre a responsabilidade de quem deve tirar o lixo? Essas são cenas comuns em nosso dia a dia, mas a grande questão é: vale a pena acabar a harmonia da casa devido a isso? Sabemos o quão desgastante podem ser essas discussões; e quando nos sentimos responsáveis – não apenas na relação a dois, e sim por todo o ambiente –, assumimos a responsabilidade de manter a casa em ordem, apesar de não ser necessariamente a sua “obrigação”.
A rejeição a essa ideia é muito comum para a maioria, pois nos sentimos injustiçados em fazer o papel do outro que, por algum motivo, não realizou suas tarefas. Apesar disso, quando realmente entendemos o valor da ordem em nossos ambientes e amamos nossas relações, somos capazes de passar por cima de nosso orgulho e agir de maneira responsável, mesmo que isso desagrade – e, geralmente, desagrada mesmo – o nosso ego.
O problema nasce quando precisamos vencer o nosso egoísmo. Possuímos um terrível hábito de pensar muito em nós mesmos e pouco nos demais e, naturalmente, sempre desejamos o máximo de direitos e o mínimo de deveres. Essa é uma estratégia natural do nosso instinto, uma vez que desejamos conservar nossa energia e não gastá-la em tarefas que não nos agradem ou que não nos gerem algum tipo de recompensa. É devido a esse mecanismo natural em nosso organismo que dificilmente conseguimos avaliar o alcance de nossas ações e omissões, uma vez que estamos nublados por esse modo de agir. Se déssemos conta da influência que nossas ações causam, provavelmente não cairíamos na frase do “isso não é minha obrigação”.
Frente a isso, o curta “Farol” é uma excelente lição de como devemos superar a inércia de evitar fazer aquilo que, a princípio, não parece ser o nosso dever. Assista o curta abaixo.
Após o farol queimar, você generosamente iria até lá ajudar com a luz ou pensaria: “eu não tenho nada a ver com isso, pois a responsabilidade é do técnico do farol”? Imagine o tamanho do dano causado pelo navio batendo nas pedras se as luzes não aparecessem. Não só para o navio e seus passageiros, como para a própria cidade.
Essa é uma analogia interessante sobre como não pensar no coletivo pode afetar a nossa vida individual. É fundamental assumir a responsabilidade sobre as circunstâncias que influenciam a todos, pois se todos pensassem somente “não é minha obrigação iluminar o farol”, todos sofreriam com o acidente. Sabendo disso, os cidadãos cumpriram o seu maior dever e, consequentemente, a maior das responsabilidades: a de ajudar a cidade!
A responsabilidade é um dever coletivo
É preciso livrar-nos do pensamento egoísta de que, se não me afeta, não me interessa. Estamos sempre inseridos dentro de um contexto social, nossos atos sempre influenciarão alguém, a responsabilidade sempre é de todos. E não devemos nos desanimar ao pensar que estaremos sozinhos. Se realmente houver a preocupação com o todo, colocando o nosso melhor no que fazemos, o Universo nos ajuda, mesmo que estejamos sem as ferramentas! Tal como os cidadãos apareceram para ajudar o técnico quando ele precisou.

No mundo em que vivemos, com tantos problemas e crises surgindo, é muito comum nos pegarmos reclamando da violência, da corrupção, da miséria, da injustiça, da economia etc. Claro que esses problemas existem e não fomos nós quem os criamos diretamente, mas será que isso é motivo para pensarmos: “Não tenho nada a ver com isso” ou “alguém é pago para resolver este problema”? Ao invés disso, poderíamos nos inspirar na lição do vídeo acima e pensar: “Como eu posso colaborar para melhorar a situação?”.
Se faz parte da vida ser responsável, então sejamos parte da vida e assumamos os compromissos que cabem a nós! Não pensemos apenas nos nossos compromissos individuais, que são fundamentais para dar seguimento em nossa existência, mas principalmente nos coletivos, pois, acima de qualquer outra característica individual, o ser humano é uma espécie que apenas sobrevive quando colocada em contato uns com os outros. É na cooperação que nosso brilhantismo surge e que podemos exercer nossa verdadeira natureza. Desse modo, deixemos de lado o nosso egoísmo, muitas vezes infantil, e passemos a tomar a responsabilidade como nosso verdadeiro farol!
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