O ser humano tem uma inclinação à contemplação. Podemos ficar admirando e observando estrelas, oceanos e florestas, encontrando a beleza através das formas que a vida nos dá. Essa capacidade única e que realmente nos diferencia dos outros seres faz com que o potencial de nossa investigação se eleve até lugares inimagináveis, há anos-luz de distância, mas que pelo seu brilho podemos reconhecer e aprender.
Nós olhamos para o céu e admiramos toda sua Beleza. Ficamos aqui debaixo imaginando o que há no Infinito, o que pode existir em cada um desses pontos de luz que vagueiam no céu noturno. Não importa o quanto esticamos os braços em direção ao céu, nunca parece ser suficiente para alcançá-lo. No entanto, se até alguns séculos atrás isso poderia ser uma tarefa impossível, o ser humano provou – e ainda prova – que não há impossíveis, apenas impossibilitados.
É possível alcançar o infinito?
O sonho de alcançar outros planetas e astros do nosso sistema é uma realidade, pelos nossos céus aviões passam há centenas de quilômetros por hora e encurtam distâncias, os foguetes espaciais cruzam também nossa última barreira, que é a própria Terra, e revelam ao ser humano mais uma possibilidade de explorar a vida, só que agora por outros pontos do Universo. Assim, mesmo que o infinito seja algo intangível, também é infinita nossa capacidade de superação e vislumbre dessa realidade.

Todos nós conhecemos essa sensação. Não precisamos ir fundo para perceber que dentro e fora de nós há um Universo a ser explorado. As possibilidades são infinitas, e isso nos assusta um pouco, mas é fascinante a nossa capacidade de buscar respostas e refletir sobre o que ocorre à nossa volta. O ser humano é, de fato, destinado ao saber, e por isso, ao longo de gerações, a sabedoria se constrói como uma chama que expande e passa de mão em mão, e acende corações por todo o planeta.

Apesar do encanto que a natureza nos causa, ao mesmo tempo ela nos ensina uma valiosa lição: não somos seres melhores do que os demais, afinal, quando comparados às grandes estruturas do cosmos, somos migalhas. Da mesma forma que não conseguimos tocar o céu, nos sentimos incapazes de absorver tudo aquilo que ele nos oferece. Ainda assim, mesmo com nossas limitações, queremos desvelar o mistério por trás da natureza, descobrir suas leis e como operam as forças que movem o mundo. Somos encantados pelo desejo de alcançar o infinito, mesmo que isso possa parecer uma utopia.
Por isso, a astronomia, dentre todas as ciências, é a que melhor descreve a busca do ser humano por entender o infinito. Basta pensarmos nas estrelas, essas luzes que chegam desde distâncias inconcebíveis até o nosso olho e iluminam a noite. Que conhecimento elas nos trazem? O que elas querem nos transmitir? Nos aventuramos no espaço para encontrar essas respostas!
A busca pelo cosmos: uma viagem pelo infinito
Imaginar, daqui do nosso pequeno pálido ponto azul, o que se passa por todas as galáxias e estrelas do cosmos é um grande exercício de imaginação. É evidente que esse caminho ainda não está completamente claro para nós; porém, a astronomia busca desvendar cada vez mais um pouco desse mistério.
Desenvolvemos a capacidade de sair do nosso próprio planeta e investigar o que pode existir para além das nossas fronteiras, um feito inimaginável para qualquer outra geração. Nos parece, dentro dessa ótica, que podemos enfrentar qualquer obstáculo em prol dessa conquista espacial. E, de fato, isso é uma verdade. Quando empregamos nossa energia em prol de um ideal, seja ele científico, político ou de qualquer outra natureza, somos capazes de superar nossos limites de modo a conquistar o que desejamos.
No caso da astronomia, desenvolve-se satélites mais potentes, telescópios espaciais capazes de gerar imagens do começo do Universo e estudar de forma aprofundada as mais diferentes formas que encontramos pelo cosmos. Assim, até onde pode ir esse conhecimento? Quantas respostas ainda precisaremos descobrir? É nítido que quanto mais caminhamos, mais necessitamos dar passos em direção a essa busca.

Visto isso, mesmo com todos esses avanços tecnológicos, e o ser humano chegando aonde nunca ninguém foi, descobrimos que os limites do Universo estão mais distantes do que imaginávamos. Será que o alcançaremos? Como é que o alcançaremos? É assim que viajamos pelo infinito: descobrindo e revelando seus segredos, ao mesmo tempo que nos encanta ainda mais os seus mistérios que, como o horizonte, parecem sempre se afastar à medida que avançamos.

Uma busca pelo infinito dentro e fora de nós
E se voltássemos no tempo, e tentássemos entender como alguns grandes homens e mulheres foram capazes de desvendar grandes mistérios do Cosmos, sem fazer uso de nenhum desses equipamentos que usamos hoje? Como Giordano Bruno pôde afirmar que o Sol era só mais uma estrela e que as estrelas eram outros sóis, cada uma cercada de outras “Terras” como a nossa? Como Hipátia sabia que os planetas tinham órbitas elípticas? Como Helena Blavatsky sabia que o microcosmos de um átomo era tão dinâmico e semelhante ao macrocosmo dos sistemas estelares?
Alguns dizem que eles deram bons palpites, mas todos eles dedicaram suas vidas completas pelas ideias em que acreditavam, e por isso sofreram muitos ataques de uma sociedade que ainda não estava preparada para as verdades que eles já conheciam. Quem em sã consciência escolheria ir para a fogueira para não abrir mão de um “palpite”?

Uma máxima da sabedoria egípcia diz que uma das leis do Universo é que o microcosmos e o macrocosmos são regidos pelas mesmas leis, ou seja, tudo que está acima também está abaixo. Assim, à medida que nos aprofundamos em nós mesmos, em nossas percepções interiores, podemos também descobrir o Universo que está acima de nós. Essa sabedoria, profunda e de difícil acesso, foi alcançada por alguns sábios que estavam dispostos a continuar sua viagem rumo ao infinito dos seus corações. Nesse processo, descobriram muito mais do que os mistérios que guardavam em si, mas também esse outro mistério, de proporções tão altas que nos parece impossível de se entender.

Frente a essa ideia, talvez tenhamos que buscar infinitos não apenas em outros planetas, sistemas solares ou galáxias. A expansão fora leva muito tempo, milhares de anos, enquanto, a partir de uma vivência profunda e real de descobrir a si mesmo, é possível conhecer alguns desses mistérios. E isso pode ser feito a qualquer momento, em qualquer lugar: dentro de uma cadeia, como fez Giordano Bruno e Sócrates; escrevendo diálogos, como Platão; ou mesmo caminhando pela cidade, como usualmente fazia Aristóteles. Essa busca pelo conhecimento não precisa de máquinas, nem de experimentos complexos, mas sim de uma vivência em enxergar que as mesmas leis que operam o mundo físico também estão atuando dentro de nós, em diferentes níveis.

Por mais avançadas, caras e complexas que sejam as nossas máquinas, nenhuma poderá nos levar tão longe quanto a ferramenta que foi desenvolvida pela própria Natureza, a Mente Humana. Adentrando na profundidade do nosso próprio Ser, podemos encontrar as respostas para os Mistérios de todo o Universo. E talvez aquela frase escrita no templo grego de Delfos, por um povo que acreditava em Deuses, não seja apenas uma fantasia: “Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os Deuses e o Universo!”.

A gravidade mantém os nossos pés no chão, e isso é muito bom, mas não deixemos que ela detenha os nossos Sonhos. O céu não deve ser o nosso limite, mas sim uma inspiração. Precisamos sempre estar com o olhar nas estrelas e a Mente em busca do Infinito.
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