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Conhecendo a história do Circo

Quem de nós não conhece o Circo e suas incríveis atrações? O picadeiro proporciona às pessoas de diferentes idades, uma diversão garantida através do humor, do espanto e, até mesmo, do perigo. Quem nunca ficou tenso com o famoso globo da morte? Ou mesmo com os trapezistas fazendo suas manobras de salto a dezenas de metros de altura? O Circo é um lugar em que a magia, o mistério e o desconhecido tomam o palco junto com risadas e o bom humor.

É certo, porém, que nem sempre os picadeiros foram assim. A imagem atual que temos dos Circos e sua trupe itinerante, na verdade, é relativamente nova quando olhamos para as origens desse entretenimento milenar. Basta lembrarmos um pouco sobre a Civilização Romana, por exemplo, e nos recordaremos de nomes como o “Circus maximus”, local em que ocorriam as famosas corridas de bigas e lutas entre os gladiadores. De igual modo, ainda em Roma, podemos lembrar da famosa política do pão e circo, uma estratégia política para manter a população Romana longe das revoltas e das críticas ao Estado.

Neste sentido, a ideia do Circo, como um local em que a diversão está envolta de diversas emoções e que causam uma imersão do público, não vem dos dias atuais. De fato, há pelo menos 4 mil anos, o ser humano tem como entretenimento os números de malabares, apresentações artísticas e outra série de atividades que caracterizam os espetáculos circenses. Considerando isso, podemos compreender que a ideia do Circo está muito além do picadeiro e da forma atual que o concebemos.

Desde a antiguidade, como podemos notar com o exemplo de Roma, a ideia de Circo está presente na cultura popular. A etimologia de sua palavra vem do latim “Circus”, que tem como significado “anel”, em referência ao formato das arenas romanas. Porém, se no antigo Império Romano a violência era sinônimo de atrações para o público, com o passar do tempo, novas formas de entretenimento foram sendo acrescentadas. Desse modo, apesar de acharmos que somente existiam lutas de gladiadores nas arenas, o fato é que outras séries de apresentações permeavam a vida no circus maximus romano. A corrida de bigas, por exemplo, eram uma das mais esperadas pelo público, além de apresentações artísticas com teatro, música e dança. Junto a isso, atrações com animais também eram apreciadas.

O entretenimento na Roma Antiga tinha um papel cultural fundamental. Não por acaso, o Circus maximus tinha capacidade para mais de 150 mil pessoas, sendo uma verdadeira comoção social tais eventos. Porém, a cultura circense sofreria um grande golpe com a dissolução do Império, em 476 d.C. As antigas arenas foram abandonadas e a cultura romana foi paulatinamente substituída. Desse modo, os artistas foram jogados à margem da sociedade, passando a viver de forma itinerante através dos pequenos reinos e feudos criados na Idade Média. Assim, essas pequenas companhias de artistas passavam a divertir camponeses e nobres, mas não tinham um lugar fixo ou não sentiam segurança de estarem sempre se apresentando como nas antigas arenas.

Assim surgiram os saltimbancos. Esses artistas foram duramente criticados ao longo da Idade Média, pois a atividade circense era vista como uma profissão indigna pela Igreja Católica. A pecha associada a esse grupo reverbera até os dias atuais, afinal, o senso comum nos diz que é uma decisão imprudente querer viver em um circo. Os motivos, como sabemos, são inúmeros: o fato de não criar raízes, estar sempre viajando e, objetivamente, a instabilidade financeira. Todos esses aspectos são razões pela qual a maior parte da população acha ousado quem dedica sua vida ao entretenimento circense. 

Durante a Idade Média, os saltimbancos eram sinônimo de ladrões, por viverem sempre nas estradas e caminharem pelo lado “errado” da vida. Porém, em grande parte, foi graças a esses artistas viajantes que a cultura cristã conseguiu adentrar profundamente na Europa, uma vez que eles se apresentavam em lugares nos quais a Igreja levaria séculos até chegar. Neste sentido, a cultura circense foi fundamental para o desenvolvimento da Idade Média e os saltimbancos, muitas vezes rejeitados socialmente, também conseguiam lugares nas cortes. O famoso papel do bobo da corte, por exemplo, nada mais era do que um desses artistas que ganhavam destaque e eram protegidos por um nobre.

A história do Circo, porém, passou a se desenhar do modo que conhecemos hoje em meados do século XVIII. A vida no Antigo Regime começava a decair e a busca por novos empreendimentos levou o inglês Philip Astley a recriar um espetáculo que envolvesse as mais diferentes formas de atrações artísticas. Desse modo, Astley foi responsável por pensar no picadeiro e em toda a estrutura que conhecemos atualmente do Circo, e assim, elaborou uma série de números para encantar o público.

Uma das grandes vantagens de Astley foi o crescimento urbano do período, fruto da Revolução Industrial e a criação das fábricas. Percebendo que parte da população já não estava no campo e migravam para as cidades, o Circo pensado pelo empreendedor inglês como um meio para atrair a população das urbes em um ambiente que causasse impacto, através das mais diferentes habilidades humanas, sendo muitas delas extremamente raras. Assim, em pleno século XVIII e início do XIX, o Circo era o maior meio de entretenimento que a população europeia podia desfrutar.

Entretanto, à medida que a tecnologia avançava, também era necessário estar sempre inovando nos espetáculos. Após as duas grandes guerras, com a popularização do rádio e da televisão, o Circo ganhou concorrentes fortíssimos e sofreu grandes perdas. Mais uma vez, como podemos ver, o estilo de vida circense estava em um ciclo de baixa, sendo relegados à margem no mundo do show business.

Frente a isso, é interessante notar como a história do Circo nos mostra um pouco como funciona a lei dos ciclos, no qual ora estamos em ascensão, ora em declínio. Não cabe a nós fazer juízo de valor quanto a tal questão, porém o movimento desses artistas marca o próprio movimento humano. Nada se mantém parado ou estático, pois no universo, a todo momento, está em movimento, seja em pequena, média ou larga escala. Assim, o Circo vem, desde tempos remotos, reinventando-se, tal qual uma fênix que mantém seu movimento de renovação à medida que perde suas forças.

Para a nossa cultura ocidental, o Circo é um elemento de afetividade. Muitos de nós temos boas lembranças com o picadeiro, mesmo assistindo de longe e maravilhado pelos artistas e seus espetáculos. Desse modo, é muito provável que esse modo de cultura popular, expressa das mais diferentes maneiras, continue sobrevivendo ao tempo. Muito provavelmente, veremos shows cada vez mais tecnológicos, cheios de mágica e truques que nem fazemos ideia de como são realizados, mas mesmo com tudo diferente há, certamente, algo que se mantém: a necessidade de fazer sorrir a todos nós.

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