Como podemos descrever a Vida? Muitos adjetivos podem ser usados para tentar alcançar a grandeza dessa ideia, mas nenhum deles é suficiente para nos fazer entender o enigma que existe por trás da existência. Por vezes, podemos classificá-la como Bela, em outros momentos a achamos dura e sem sentido. Porém, o que, de fato, seria a Vida? 

A nível biológico, podemos dizer, em princípio, que “Vida” é um sistema de moléculas que juntas formam um ser capaz de gerar energia e se reproduzir, sendo assim “autônomo” em suas funções. Dizemos, portanto, que bactérias e fungos contém Vida, assim como animais, plantas e Seres Humanos. Todos, em suas mais distintas atividades, possuem essas duas capacidades. Entretanto, não podemos reduzir a Vida apenas a isso, uma vez que sua abrangência quebra os limites biológicos, afinal, podemos fazer muito mais do que apenas produzir energia e reproduzir.

Enquanto Seres Humanos, somos capazes de sentir e pensar de maneira complexa. Nossas emoções podem ser fonte de inspiração para a Arte, enquanto nossa mente é capaz de elaborar pensamentos complexos e lógicos. Graças a essa faculdade mental, somos capazes de desenvolver as mais variadas formas de Ciência, além de utilizar a razão para desvendar os mistérios do Universo e sua maneira de funcionar. É graças a isso que descobrimos um Mundo ainda mais enigmático, regido por leis que, ainda hoje, são um desafio para qualquer um que busca a sua compreensão.

Frente a essa misteriosa rede de conexões existentes entre os elementos que compõem o Universo, quantas vezes não pensamos que a Vida, em particular a nossa, é repleta de injustiças? Quando passamos por momentos difíceis, em que “nada dá certo”, parece que estamos presos em uma armadilha e que, na maior parte do tempo, somos as vítimas de um Mundo cruel e sem coração. Este é, inevitavelmente, um terreno perigoso pelo qual grande parte dos Seres Humanos já caminhou, pelo menos, uma vez em sua existência. Quando guardamos mágoas, traumas e ressentimentos, por exemplo, é comum pensarmos que somos alvo de um grande erro do Universo. Se não tomarmos as devidas precauções para tirarmos de nós esse tipo de pensamento, podemos, por vezes, sermos levados a doenças que nos causam um grande mal, como a depressão. Nesse momento, acabamos presos, em nossa própria “armadilha” mental, quando não enxergamos nada além da dor e do sofrimento ao qual fomos submetidos, sem conseguir extrair nada das experiências vividas. Nessas situações, que muitas vezes são delicadas e que necessitam de uma intensa rede de apoio para nos tirar desse estado, não conseguimos enxergar a beleza que se esconde nas nossas Vidas e dos pequenos milagres que ocorrem todas as manhãs ao acordarmos com o Coração batendo em nosso peito.

Dito isso, hoje, vamos indicar um dos filmes que melhor traduz a beleza latente da Vida, provando que, por trás de cada experiência que vivemos, há muito mais do que apenas o prazer ou a dor de vivenciá-la: existe, acima de tudo, lições a serem aprendidas e que nos ajudam a evoluir em nossa caminhada, frente a esse mistério. Hoje, portanto, falaremos um pouco sobre o filme “Beleza Oculta”  

Dirigido por Daniel Frankel e protagonizado por Will Smith, “Beleza Oculta” (“Collateral Beauty”, no original) é muito mais do que um longa-metragem de drama. Lançado em 2016, o filme conta com um elenco de peso para dar Vida à jornada de Howard (Will Smith) que precisa superar a morte da sua filha, de apenas seis anos. Antes da tragédia familiar lhe ocorrer, o jovem e carismático Howard era um publicitário de sucesso, tendo uma Vida Feliz e, aos olhos da grande maioria das pessoas, perfeita. Entretanto, a perda da sua filha o joga em um turbilhão de emoções negativas, e a incompreensão dessa dolorosa experiência o leva a desenvolver um quadro de profunda depressão. 

Howard se afasta do trabalho e passa a viver refém da dor. Dentro do seu processo de luto, tentando superar a dura experiência da perda, ele passa a escrever cartas. Porém, seus destinatários não são pessoas, mas sim ideias. Seus Amigos, preocupados com a saúde mental do brilhante publicitário, buscam ajudá-lo partindo do seu próprio método. Dessa maneira, à medida que Howard busca compreender a Vida através da morte, do tempo e do Amor, ele encontrará a personificação dos seus pensamentos, o que lhe fará refletir profundamente sobre o significado da Vida e o que está escondido por trás das suas experiências. 

Essas três ideias, como podemos perceber, são comuns a todos nós. Como o próprio personagem de Will Smith apresenta no filme, todos nós desejamos o Amor, gostaríamos de ter mais tempo, e tememos a morte. Assim, todo Ser Humano, de uma maneira ou de outra, busca essas três concepções, em diversos momentos em sua jornada individual. Mas o que significa cada uma delas?

Não pretendemos adentrar nessa pergunta, uma vez que faltaria páginas para tentarmos compreender o sentido de cada um desses conceitos. Entretanto, pensemos neles em nossa própria Vida, de acordo com a definição que Howard nos dá.  Comecemos pela morte, essa estranha senhora que está ao nosso redor. Como é dito no filme, de fato, todos nós tememos esse momento da Natureza em que a Vida, tal qual a conhecemos, deixa de habitar em nosso corpo. Quando paramos de respirar e nosso Coração, finalmente, depois de décadas, deixa de cumprir sua função vital, dizemos que é chegada a hora da morte.

Assim, até certo ponto, a morte é temida pelo nosso desconhecimento. Howard, no seu mais profundo pesar, não consegue reconhecer a naturalidade da morte que funciona a partir de uma lei da Natureza: a da ciclicidade. Tudo que vive, inevitavelmente, irá morrer em um momento. Porém, Vida e morte são duas faces de uma mesma moeda, na qual ocorrem, a todo momento, no Universo, sendo assim inseparáveis. Entretanto, para quem está vivendo uma grande perda, todos esses argumentos não são capazes de superar a dor do luto. Dessa maneira, por mais que tenhamos a compreensão, intelectualmente, de que a morte é natural, não conseguimos aceitá-la, muito menos parar de temer por esse momento.

O encontro de Howard com o tempo não é menos problemático, uma vez que ele se mostra um ferrenho crítico dessa força da Natureza. O tempo, que pode ser visto como um dos nossos bens mais preciosos, é constantemente desperdiçado. Perdemos tempo com discussões sem sentido, com ressentimentos uns com os outros e não percebemos que, num piscar de olhos, podemos nos encontrar sem ele. Assim, enquanto Howard não encontra sentido em sua Vida e, muito menos, no que lhe resta de tempo, não compreende como sua filha não teve como desfrutar desse tesouro da Natureza, sendo levada com tão poucos anos.

Se refletirmos sobre isso, em um primeiro momento, podemos considerar, de fato, injusto a divisão que há entre cada Ser Humano e o tempo que lhe resta. Provavelmente, gostaríamos (ou não) de ter um “prazo de validade” preestabelecido e que assim o fosse para todos. Porém, todos nós temos uma vida distinta, com caminhos igualmente distintos. Como, portanto, poderíamos desejar o mesmo tempo? Assim como a morte, não podemos saber quanto tempo ainda nos resta, por isso cada segundo se torna mais valioso que qualquer pepita de ouro que encontremos em nosso caminho. 

Já o Amor, a força criadora de todo o Universo. Esse poderoso sentimento que tem a capacidade de ligar a todos nós, apresenta-se a Howard como uma Bela mulher. O publicitário, porém, também não consegue reconhecer a força do Amor, pois se sente traído por esse sentimento. O Amor que sente por sua falecida filha, transformou-se em uma dolorosa saudade, pois jamais poderá escutar o riso da sua amada novamente. O Amor, porém, está em tudo. Ela, tal qual a gravidade, busca reunir tudo em um centro. Ela está presente em todos os momentos, por mais que não sejamos capazes de reconhecer suas diversas formas.

A jornada de Howard e sua luta contra essas três ideias, porém, não são vencidas por meio do intelecto. A beleza oculta do longa está na habilidade de mostrar que morte, tempo e Amor não podem ser definidos, nem colocados em frases de efeito, ou, até mesmo, em ideias. Acima disso, todas essas forças da Natureza devem ser sentidas e percebidas nos mais íntimos detalhes. Dessa maneira, Howard começa a superar seu trauma quando passa a aceitar o seu luto. Para isso, a principal ajuda que o publicitário obtém é de Madeleine, a coordenadora de um grupo de apoio para pessoas que perderam seus filhos. É o exemplo de Madeleine, junto com as profundas reflexões que orbitam a mente Howard, que o levam a começar a superar seu trauma.

Desse modo, a beleza oculta da Vida está na conexão que existe entre todas as pessoas. Está no fato de, em maior ou menor grau, todo o Universo relacionar-se conosco, mostrando-se assim um grande castelo de peças, em que todos dependem de todos. Do mesmo modo que Howard enfrenta suas crises, seus companheiros de trabalho e todos os personagens estão tentando superar seus dilemas pessoais. Junto a isso, a Vida se apresenta por trás dos véus, revelando-se, pouco a pouco, tentando se fazer entender a partir dos seus enigmas. Nós, por vezes, podemos desvelar um a um dos seus misteriosos mantos, para tentarmos compreender as lições que existem por trás de cada experiência que passamos.
Assim, o filme nos convida não apenas a viver o trauma de Howard, mas refletirmos sobre a necessidade de aceitarmos a Vida tal qual ela é: misteriosa, Bela e cheia de lições. Ao redirecionarmos nosso olhar para as experiências, poderemos perceber que o tempo, o Amor e a morte estarão sempre ao nosso lado, não como inimigos e muito menos para serem combatidos, mas como forças que podemos integrar em nossa Vida e dar sentido ao que presenciamos diariamente.

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