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Dirigido por Timothy Reckart e produzido pela The National Film & Television School, “Head Over Heels” é um curta-metragem de animação que gostaríamos de indicar, para que juntos possamos tentar descobrir o que podemos fazer para diminuir as distâncias entre nós.

O curta-metragem conta a história de um casal, à primeira vista normal. Eles viviam, literalmente, com as cabeças viradas para lados opostos. Mais esquisito ainda é o fato de que os dois estavam não só com as suas cabeças, mas com todo o corpo em oposição ao outro. Um deles vivia com a cabeça voltada para cima e o outro com a cabeça voltada para baixo. A ideia contida nessa história maluca é de que cada um de nós tem o seu próprio ponto de vista, o que é absolutamente natural, mas que também é o que costuma atrapalhar e complicar bastante os nossos relacionamentos, como podemos ver nesse filme.

Mesmo estando constantemente juntos, o casal da nossa história não conseguia se entender e caminhar na mesma direção, até que uma das partes compreendeu o que deveria fazer para que as coisas se acertassem entre eles. Uma pequena atitude mudou toda a realidade daquele casal. Atitudes ainda menores e menos radicais que a deles, podem mudar as nossas vidas e melhorar a qualidade dos nossos relacionamentos. Vamos juntos tentar descobrir como podemos colocar essa ideia e essas atitudes em prática?

Cada pessoa tem o seu próprio entendimento da realidade que, por sua vez, é uma só. Logo, não podemos afirmar com toda certeza, que a nossa opinião é a única que está correta. Abordando essa situação a partir deste ponto de vista, a coisa fica ainda mais complicada, pois a única conclusão a que se pode chegar é a de que nenhuma opinião está correta. Nem a sua nem a nossa. Ou, por outro lado, as duas podem estar. Como somos diferentes em todos os aspectos, é natural que a nossa percepção também seja. O grande dilema é que para se chegar a um entendimento com as outras pessoas, muitas vezes sofremos por termos que abrir mão de nossas convicções, o que faz com que a convivência seja algo muito difícil, mas podemos mudar isso. Ao menos podemos tentar.

Mesmo vivendo em uma estranha situação, onde não parecia haver uma solução aparente para os problemas daquele casal, vimos que com uma pequena dose de boa vontade, toda a realidade pode mudar para eles. Ao abrir mão de suas convicções (picuinhas, dengos, apegos, caprichos, crenças limitantes, etc.), os dois puderam passar a ver e viver a vida a partir do mesmo ponto de vista. É isso que acontece conosco: temos uma imensa dificuldade de desapegar. Nada parece ser mais difícil para nós do que aceitar que precisamos mudar de opinião; e como toda escolha depende de uma renúncia, preferimos permanecer com aquela velha opinião que nos limita, que nos atrasa, a termos que admitir que ela não nos serve mais, ou mais ainda, que ela nunca tenha nos servido.

Outra questão que precisamos entender é que nós só costumamos dar aquilo que não nos interessa mais. E só queremos receber aquilo que de alguma maneira vai nos favorecer. Não nos permitimos receber alguma coisa pelo simples fato de aquilo nos ter sido oferecido. Também não queremos dar aquilo que sabemos que, de alguma maneira, o outro realmente precisa, mas damos quando essa atitude interessa primeiro a nós próprios. Em resumo, os nossos interesses sempre estão em primeiro lugar em tudo que fazemos. Assim fica difícil. É necessário ceder às nossas necessidades e não aos nossos desejos.

Também vimos no curta-metragem que a humildade precisou falar mais alto para que tudo pudesse se encaminhar bem. Ela precisa ser desenvolvida. Novamente nos deparamos com o nosso individualismo, com o nosso egoísmo. São esses sentimentos e atitudes que tomamos, nos guiam e que nos mantém aprisionados a ilusão de que a razão deve ser sempre nossa. Mas ao que parece, ainda não conseguimos nos dar conta de que essa nossa busca, muitas vezes descontrolada para termos a razão ao nosso lado, nos afasta cada vez mais da felicidade. Nos torna solitários, tristes, incompreensíveis, incapazes de somar e contribuir para o bem comum.

Como vimos em “Head Over Heels”, foi necessário que as duas partes estivessem de acordo para que pudessem conseguir resolver as suas diferenças. Vimos que é importante mudar, desapegar, ceder para que se possa somar. A pergunta que não quer calar é: como podemos colocar em prática essas “manobras” que podem mudar o rumo dos nossos relacionamentos e, consequentemente, da nossa história? A coisa mais importante que podemos fazer pelo outro e por nós próprios é respeitar. Continuaremos presos em nossos próprios mundos, em nossas ilusões, enquanto seguirmos acreditando que os nossos interesses são mais importantes que os do outro. O que nos mantém separados é uma linha tênue entre o individualismo e a coletividade e podemos cruzar essa fronteira na hora que quisermos, basta olhar para o outro como se estivéssemos olhando para um espelho. Quando pudermos nos enxergar no outro, entenderemos que o que ele quer e precisa é exatamente a mesma coisa que nós. É dando que se recebe!

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